quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Michel Maffesoli: 'O valor do trabalho transita para a ideia de criatividade'

Michel Maffesoli
  Professor da Sobborne e teórico da pós-modernidade, Maffesoli falará sobre o ócio em São Paulo
 
No Brasil, o sociólogo francês fala com exclusividade a CartaCapital e diz que o dinheiro deixou de ser o valor central das sociedades
 
Professor emérito da Sorbonne, 74 anos, o sociólogo francês Michel Maffesoli, maior teórico da pós-modernidade, vem ao Brasil para o Congresso Mundial de Lazer, organizado pelo Sesc, entre 28 de agosto e 1º de setembro, no Sesc Pinheiros, em São Paulo. Além dele, George Yúdice e Jeremy Buzzel (EUA), Abena Busia (Gana), Alon Gelbman (Israel) e Mogens Kirkeby (Dinamarca) são alguns dos convidados internacionais.

Maffesoli faz o encerramento, no dia 31 de agosto, às 19 horas, falando do tema Lazer sem Restrições – Desafios e Tendências Contemporâneas, analisando a mudança no conceito de ócio. Fundador e diretor do Centre d‘Études sur l’Actuel et le Quotidien (Centro de Estudos sobre o Atual e o Cotidiano), Maffesoli, autor de 40 livros, boa parte já publicada no Brasil, defende que está em curso uma mudança nos valores da modernidade, substituídos no cotidiano por uma sensibilidade receptiva às diferenças e relativizações. Ele falou com exclusividade a CartaCapital.

CartaCapital: Como o senhor define o conceito de “lazer sem restrição” em uma sociedade marcada por competição, consumismo e individualismo?Michel Maffesoli:Penso que a nossa sociedade pós-moderna não é mais construída exatamente sobre a competição, o consumo e o individualismo. Essas características são da sociedade moderna, aquela da industrialização, do valor do trabalho que se conhecia como contraponto ao lazer. Mas, no que concerne à nossa sociedade atual, que nomeio pós-moderna, o que acontece é uma ruptura com os velhos valores da modernidade.

A sociedade do lazer não é aquela excrescência, um tipo de apogeu da sociedade de consumo, da sociedade produtivista da modernidade, mas o lazer geral no qual a ambivalência produtivismo-reprodução da força de trabalho é sucedida pela parceria entre criatividade e ócio. O ócio está para o lazer assim como a criatividade está para o valor do trabalho.

CC: A devastação do mundo natural e social é mais violenta no Terceiro Mundo, além da guerra contra a democracia, contra a representação, baseada no moralismo, na ideia abstrata de um combate à corrupção. Como o senhor avalia a situação política e social hoje na América do Sul?MM:Devo dizer que me desobrigo, em geral, de emitir uma avaliação política ou social sobre os países nos quais não vivo. Creio que podemos chamar a devastação do mundo, natural e social, como um fenômeno geral. Nós o encontramos um pouco por todo lado. Sim, é possível que tal devastação encontre um aspecto muito mais forte em certos países, como os da América do Sul.

Mas há, no nível do povo, uma forma de resposta a essa devastação. O “net ativismo”, esse que, por exemplo, se desenvolve no Brasil, é uma expressão disso. A longa duração dos fenômenos de resistência, de revolta, de rebelião cara a cara com os poderes políticos e econômicos vai trazer mais e mais equilíbrio. Aquilo que, na minha estreia como autor, no meu livro La Violence Totalitaire, chamei de o poder social. É a partir desse “poder” que vão se desenvolvendo os processos de luta contra a corrupção, os autoritarismos que acredito podem ser tanto de esquerda quanto de direita.

 CC: O senhor definiu a sociologia como uma forma de conhecimento que não é mais científico, embora igualmente racional e rigoroso. Como pode essa sociologia explicar a escalada do ódio contra os gays, os negros e os imigrantes em nossa sociedade atual?MM:Eu lembraria que, apesar de certa oposição, da escalada de ódio contra gays, negros e migrantes, nós vemos se desenvolverem ao mesmo tempo as manifestações, mais e mais importantes, e que não podemos reprimir, cara a cara com as mesmas populações estigmatizadas.

Pego um exemplo entre milhares: uma tese feita por um dos meus alunos brasileiros, Marcello de Carmo Rodrigues, sobre um festival gayde Juiz de Fora, mostra bem que não podemos mais marginalizar a homossexualidade e que somos obrigados a integrá-la.

CC: Estamos a 50 anos de distância do Maio de 1968. O senhor pensa que temos hoje a mesma capacidade de ressonância das ações jovens e da vontade popular de mudar o mundo?MM:Os valores daquilo que nós chamamos de eventos de Maio de 1968 acham-se hoje capilarizados na vida social. E as gerações jovens, sem fazer forçosamente referência a 1968, vivem concretamente muitos dos valores que foram elaborados àquela época.

Maio de 1968, parcialmente, consistia na obediência marxista, e não dá conta mais de mudar o mundo de forma geral, de realizar uma utopia geral, mas, se recupero um termo de Lévy-Strauss, trata-se de fazer uma bricolagem de seu próprio mundo e de criar assim o que propus chamar de “utopias intersticiais”. São tipos de nichos dentro das tribos pós-modernas, em particular as tribos urbanas, que as levam a viver uma vida qualitativamente interessante. É esse deslizamento do quantitativo ao qualitativo que é sintomático da pós-modernidade.

CC: Como se pode definir sua disciplina ecosofia?MM:Escrevi, em 2017, um livro intitulado Ecosophie, que ainda não foi traduzido no Brasil. Utilizo esse termo para além de uma simples visão ecológica com conotação mais política, mas ligada à sensibilidade, por sua vez em atenção a outra abordagem da natureza. Em seu senso estrito, ecosofia significa sabedoria da casa comunitária.
Maio de 1968
Para o sociólogo, a obediência ao marxismo de Maio de 1968 não cabe hoje (Manfred Rehm/AFP)
Quero dizer que não considero mais a natureza como algo simplesmente a ser dominado, isso que resultou na devastação do mundo, mas uma natureza na qual nós participamos com interação, com reversibilidade, em conjunção. Certamente, existe uma quantidade de contraexemplos mostrando que a dominação do mundo é ainda um valor presente, mas vejo consolidar-se mais e mais nas massas populares uma atitude muito mais respeitosa do bem natural.

CC: O senhor diz que estamos na passagem do econômico para o “iconômico”, falando de uma rebelião do imaginário. Pode explicar o que isso quer dizer?MM:Refiro-me ao que me parece ser uma rebelião do imaginário que é favorecida pelo desenvolvimento da cibercultura. Para mim, isso define precisamente a passagem da modernidade para a pós-modernidade. A grande dominante dos tempos modernos, a partir dos séculos XVIII e XIX, foi a predominância do valor do trabalho, o que Jean Baudrillard chamou de “o espelho da produção”. O valor do trabalho está em transição, progressivamente, para a ideia da criatividade. Igualmente, a sede do dinheiro, que é o fundamento da economia, não é mais o valor central.

Há formas de solidariedade, de generosidade sobre aquilo a que não se dava mais nenhuma importância. E isso ocorre, evidentemente, pelo compartilhamento das imagens. Lembro que, a partir de Descartes e Malebranche, a imaginação era chamada de “a doida da lógica”, aquilo que não permitia o bom funcionamento do cérebro. Parece que, na contemporaneidade, essa imaginação se torna elemento primordial da vida na sociedade.

CC: No Brasil, temos um sentimento histórico muito próximo da noção de tribo. Isso nos daria uma responsabilidade maior sobre a compreensão do que seja alteridade?MM:O que, em efeito, marca especificamente a modernidade é a redução do outro ao mesmo. É uma negação, uma degeneração da alteridade. Podemos resumir uma certa tendência através da fórmula paradigmática de Auguste Comte, reductio ad unum(redução ao uno). É dessa forma que são constituídos os Estados Unidos unificados, as instituições uniformizadas, e mesmo aquilo que Jean-François Lyotard chamou de “as grandes histórias de referências”. É a partir dessa degeneração da alteridade que se impõe a dominação e a devastação da natureza.

Ao propor a noção de tribo (O Tempo das Tribos – O Declínio do Individualismo nas Sociedades de Massa, lançado no Brasil em 1987 pela Editora Forense), chamo atenção para o fato de que não podemos mais negar certa diversidade. O Outro, o retorno aos Outros, observa-se no desenvolvimento das tribos urbanas, sexuais, musicais, esportivas, religiosas, culturais, mas se encontra igualmente no retorno de certa alteridade no desenvolvimento de uma religiosidade multiforme e em uma concepção mais divina da natureza. Penso que o Brasil pode assumir um papel importante nesse processo, o de “laboratório da pós-modernidade”.

CC: A observação dos ícones culturais é uma tradição francesa. Mas, hoje, quando se vive uma grave crise da indústria cultural, o ponto de vista permanece o mesmo?  MM: Lembro a importância da intuição como uma “vista interior”, na qual se acentua a necessidade de compreensão. É a partir daí que podemos encontrar um modo de observação de maior empatia dos feitos sociais, enfatizando a importância dos afetos, das emoções, das paixões que movem, em profundidade, os relatórios sociais. Para isso, é preciso fazer referência ao mundo das imagens, das obras literárias, àquilo que a filosofia de São Boaventura, no século XIII, chamou de exemplarismo.
É de fato uma tradição francesa, de dar atenção a esses aspectos. A definição que me permito aplicar à pós-modernidade parte da sinergia entre o arcaico e o desenvolvimento tecnológico. Ressalto que a palavra “arcaico” significa, em grego, que veio primeiro, que é fundamental. Donde, para entender melhor, persisto nos signos, e considero que a sociologia do imaginário é onde podemos melhor compreender as mutações de fundo que observamos em nossas sociedades.
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Fonte:  https://www.cartacapital.com.br/sociedade/michel-maffesoli-o-valor-do-trabalho-transita-para-a-ideia-da-criatividade 28/08/2018
Fotos: Didier Goupy

Resgatar a democracia mínima contra o “Estado pós-democrático”

 Leonardo Boff*
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A democracia em nosso país e em geral no mundo está em perigosa erosão. O Juiz de Direito no Rio de Janeiro e Prof. universitário Rubens Casara, foi um dos primeiros a denunciar o surgimento de um “Estado pós-democrático” vale dizer, um “Estado”(que se assim ainda podemos chamar) que rompe com o pacto social configurado na constituição e pelas  leis e se rege pelo autoritarismo, pelo arbítrio e pela violência em relacão para com a sociedade, especialmente para com os mais vulneráveis. No Brasil isso está lentamente acontecendo. Um STF sem grandeza e alheio à gravidade do que está ocorrendo, deixa tudo passar, até a violação do sagrado preceito da presunção da inocência até a comprovação da materialidade do crime (caso Lula).

A luta agora é reconquistar a democracia, mesmo a de  baixa intensidade, para evitar a dissolução do laço social que nos permite minimamente conviver. Caso contrário, entraremos no caos e na barbárie  como se nota em alguns lugares no Brasil de grande violência.

Não deixaremos de reclamar, como o fazem os movimentos sociais de base, uma democracria participativa e popular ou uma democracia comunitária que os andinos nos estão ensinando com o seu ideal do “bem-viver e do bem-conviver”, inaugurando pela primeira vez no mundo o constitucionalismo ecológico, ao inserer na Lei Maior os direitos da natureza e da Mãe Terra (Pacha-Mama). Com isso antecipam o que será seguramente o novo pacto natural articulado com o social da futura sociedade mundial se não a destruirmos antes.

Recordaremos sempre as lições do grande jurista e filósofo Norberto Bobbio com sua democracia como valor universal a ser vivido na família, na ocmunidade, na escola, nos sindicatos,nos partidos e no Estado. Morreu com uma profunda frustração face à violência do terrorismo, até do Estado, nos USA.

Não podemos perder o sonho do grande amigo do Brasil Boaventura de Souza Santos com sua Democracia sem fim. Ela é  sem fim porque é um projeto aberto que sempre pode ser enriquecido quanto maior for a participação humana e a responsabilização que os cidadãos vão assumindo na construção do bem comum e do  bem viver e conviver e redefinirem suas relações para com a natureza na forma de sinergia, de cooperação e  de cuidado.

Ademais, a democracia, como sistema aberto faz com que poderemos estar caminhando rumo a uma superdemocracia  planetária nas palavras do grande assessor de Mitterand, Jacques Attali (cf. Uma breve historia do futuro, 2008) Essa forma de democracia será a alternativa salvadora face a um superconflito que, deixado em livre curso, poderá pòr em risco a permanência da espécie humana.. Esta superdemocracia resultará de uma consciência planetária coletiva que se dá conta da unidade da espécie humana, morando numa única Casa Comum, no planeta Terra, pequeno, com bens e serviço naturais    escassos,  superconsumista e superpovoado e ameaçado pelas mudanças climáticas que estão afetando a biosfera, a biodiversiade e a nós próprios.

A Carta da Terra utiliiza duas expressões que assinalam o novo paradigma de civilização: alcançar “um modo de vida sustentável“(n.14) e “a subsistência sustentável de todos os seres”. Aqui emerge um  design ecológico, quer dizer, uma outra forma de organizar a relação com a natureza, o fluxo das energias e as formas de  produção e de consumo que atendam as necessidades humanas, que nos permitem ser mais com menos e que favoreçam a regeneração da vitalidade da Terra.

Por fim, eu por minha parte, fruto dos estudos em cosmologia e ecologia, tenho proposto  uma democracia sócio-ecológica que representaria o ponto mais avançado da integração do ser humano com a natureza. Ela se inscreveria dentro do novo paradigma cosmológico que vê a unidade do processo cosmogênico dentro do qual se situa também a natureza  e a sociedade e cada pessoa individualmente.

Será uma civilização biocentrada que devolverá o equilíbrio perdido à Mãe Terra e garantirá o futuro de nossa civilização. Todos e a natureza inteira seremos cidadãos, habitando cuidadosa e  jovialmente a Casa Comum.
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* Teólogo. Escritor.  Escreveu Como cuidar da Casa Comum, Vozes 2017.
Fonte:  https://leonardoboff.wordpress.com/2018/08/25/resgatar-a-democracia-minima-contra-o-estado-pos-democratico/
Imagem da Internet

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Cassandra

Luiz Felipe Pondé* 

Ilustração 

 

 

 

 

 

Seria melhor os jovens lerem os trágicos do que lerem o mimimi generalizado de hoje


​Haveria mesmo um vínculo necessário entre felicidade e ignorância? As pessoas mais felizes são as menos inteligentes? Ou isso seria apenas um discurso para disfarçar a incapacidade de algumas pessoas para a felicidade? E mais: seria a beleza "excessiva" numa mulher uma maldição para ela e para os homens à sua volta?

Não vou cair aqui na armadilha de definir felicidade nem beleza. Mantenha sua ansiedade sob controle quanto a essas definições. Existem definições que só servem às almas rasas e burocráticas. Como sabem muitos filósofos, mestres em definições, algumas coisas, quando definidas, ficam mais difíceis de serem compreendidas.

A intuição imediata, às vezes, é mais clara do que o esforço de dar nomes complicados para experiências "simples".

Voltemos ao que interessa: haveria mesmo um vínculo necessário entre felicidade e ignorância? E a beleza "excessiva" numa mulher seria uma maldição?

Indaguemos a tradição clássica. Você não tem clareza quanto ao que é a tradição clássica? Trata-se daquele conjunto de textos e autores que atravessam as época sendo melhores, mais profundos e mais relevantes do que a maioria dos outros. Sobrevivem a um monte de críticos que desaparecem, enquanto os clássicos permanecem. Italo Calvino (1923-1985), em seu "Por Que Ler os Clássicos", deixa isso bem claro.

Eu arriscaria dizer que poderíamos jogar no lixo grande parte do ruído causado por alguns textos e autores contemporâneos e colocar no lugar textos e autores antigos. Seria melhor os jovens lerem os trágicos do que lerem o mimimi generalizado de hoje.

Ouçamos Ésquilo (525/524 a.C-456/455 a.C) em "Agamémnon", primeira peça da sua trilogia "Oresteia".

Numa conversa entre o Corifeu (personagem líder do coro nas tragédias gregas) e Cassandra, uma bela escrava troiana recém-trazida a Argos pelo vitorioso Agamémnon, temos uma ideia da visão grega trágica acerca desses temas. "Não há dúvida que tens uma grande capacidade de sofrimento e uma alma corajosa!", diz Corifeu. Cassandra responde: "As pessoas felizes não ouvem palavras dessas...".

Cassandra é uma pitonisa (profetisa) nessa cena, isto é, ela conhece o futuro: Agamémnon será morto pela sua esposa, a rainha Clitemnestra. E Cassandra mesma será morta —não irei mais longe no enredo.

Ela sofre porque sabe disso tudo. Além do fato de ter sido feita escrava "sexual" devido à sua beleza, porque sua cidade foi derrotada na famosa guerra causada pela mulher mais bela da Grécia antiga, Helena de Troia, apesar de os sofistas Górgias (485 a.C-380 a.C) e Protágoras (490 a.C.-415 a.C.) negarem a culpa de Helena nessa guerra.

A questão de se a beleza "excessiva" numa mulher a destrói, assim como aos homens à sua volta, é consistente.

O Corifeu sabe da desgraça de Cassandra. De escrava do leito do rei Agamémnon a pitonisa de seu assassinato pela esposa, Cassandra responde ao Corifeu que as almas felizes não ouvem elogios acerca de sua capacidade de sofrimento e sua coragem.

O sofrimento de Cassandra começa pela derrota de sua cidade, Troia, arrastada a uma guerra causada pela bela Helena. Seu sofrimento avança por causa de sua condição de mulher jovem desejável. É coroado por seu saber acerca do que as pessoas normais não sabem, o saber acerca do futuro.

A resposta de Cassandra nos remete à ideia de que a felicidade é fruto da ausência de conhecimento prático da dor, causada seja por sua condição de escrava do leito, seja por sua condição de pitonisa.

A ideia de que a prática é a única forma de ter virtudes de fato aparece também em Aristóteles (384 a.C-322 a.C) em sua "Ética a Nicômaco".

O vínculo entre conhecimento excessivo e infelicidade está, portanto, posto por Ésquilo.

Não se trata de dizer que ser melancólico seja chique. Trata-se de saber que o conhecimento pode, sim, gerar uma prática da dor. A ignorância é uma forma de proteção contra essa prática.

Outra virtude de Cassandra, a coragem, é também irmã da dor. O que encanta o Corifeu é justamente sua postura altiva diante da desgraça. Sendo nós todos mortais, os gregos se encantavam por aqueles que enfrentavam o destino mortal sem medo. Esses merecem ser lembrados (uma heroína é exatamente uma pessoa que merece ser lembrada).

A beleza de Cassandra e Helena marcam o vínculo entre sofrimento e beleza. Qualquer mulher muito bonita sabe disso no silêncio de sua solidão.

Resumo da ópera: não se adquirem virtudes em workshops felizes de fim de semana. Fuja deles.
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* Escritor e ensaísta, autor de “Dez Mandamentos” e “Marketing Existencial”. É doutor em filosofia pela USP. 
Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/luizfelipeponde/2018/08/cassandra.shtml 
Imagem: Ricardo Cammarota

A Singularity University prevê como o mundo será em 2038: 'irreconhecível

Pense no quanto o mundo mudou nos últimos 20 anos. Parece impossível imaginar o quanto mudará nos próximos 20, certo? Não para a Singularity University, um think tank que oferece programas educacionais no Vale do Silício para inspirar negócios revolucionários.
 
Recentemente, Peter Diamandis, cofundador e membro executivo da Singularity, e sua comunidade tentaram desenhar uma previsão de mudanças até 2038, quando “o dia a dia já não será mais reconhecível”.

O mundo irreconhecível em 2038, prevê o grupo, acontecerá com a disseminação da inteligência artificial em diversos campos, com a popularização dos robôs, além da chegada de tecnologias que parecem apenas um sonho distante hoje. Já para 2020, a equipe prevê a chegada da tecnologia de comunicação 5G ao redor do mundo. Carros voadores devem começar a riscar os céus de alguns países. A inteligência artificial deve ser usada em diagnósticos e recomendações terapêuticas em centros médicos americanos.
 
Além da melhoria na velocidade, espera-se que a rede 5G gere um ecossistema massivo para a Internet das Coisas (IoT). Foto: Racounter.
Dois anos depois, em 2022, os robôs ganharão espaço na sociedade, ocupando cargos de recepcionista ou assistente em lojas. Tarefas domésticas também serão realizadas por máquinas. Carros autônomos começam a conquistar os EUA e impressoras 3D permitirão que consumidores “fabriquem” roupas e objetos em casa, mudando a lógica do consumo. As viagens a Marte devem começar em 2024. Neste ano veremos drones sendo usados, inclusive para entregas de pacotes a telhados de casas. Fontes de energia solar e eólica terão espaço — e, principalmente, custo acessível. Os carros elétricos, por sua vez, serão metade da frota mundial. O trabalho exigirá preparo para lidar com inteligência artificial.
 
Ilustração de vôo de táxi voador em Dubai. Imagem: Divulgação.
Ser dono de um carro, em 2026, será algo estranho, já que veículos autônomos farão o transporte de pessoas. Isso quando não forem usados veículos voadores com decolagem vertical — a previsão é de 100 mil pessoas usando esse transporte em cidades como Los Angeles (EUA), São Paulo e Tóquio. Alimentação será um desafio e agricultura vertical em grandes centros urbanos será vital. Com 8 bilhões de pessoas conectadas a internet de alta velocidade, a realidade virtual será uma tecnologia comum no mundo.

Em 2028, energia solar e eólica serão responsáveis por quase 100% do consumo global, prevê o grupo. Esse ano também marca o ápice da demanda por petróleo. Dois anos depois, as emissões de carbono devem começar a cair, ricos terão à disposição tecnologias para prolongamento da vida e a inteligência artificial superará a inteligência humana. Robôs serão comuns em todos os locais de trabalho em 2032. Será possível transferir a consciência para robôs avatares para estar em locais remotos do mundo. Profissionais terão modificações, como coprocessadores ou comunicação web em tempo real.
 
Os robôs ganharão espaço na sociedade. Foto: Mayfield Robotics.
Conexões entre o córtex humano e a nuvem serão significativas em 2034, de acordo com as previsões da Singularity. Problemas globais como câncer e pobreza serão coisas do passado. Tratamentos para longevidade serão comuns em 2036. Cidades inteligentes, por sua vez, serão comuns — supereficazes no uso de energia solar, além de seguras e abundantes em alimentos.

Daqui 20 anos, em 2038, a realidade virtual e a inteligência artificial servirão para alavancar a vida humana no mundo todo. E o dia a dia será irreconhecível para nós.
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Por Vitor Caputo na Época Negócios.
Fonte:  https://www.saopaulosao.com.br/conteudos/outros/4042-a-singularity-university-prev%C3%AA-como-o-mundo-ser%C3%A1-em-2038-irreconhec%C3%ADvel.html?utm_source=%23SPS&utm_campaign=2cf291f113-EMAIL_CAMPAIGN_2018_08_27_03_57&utm_medium=email&utm_term=0_9409aa0717-2cf291f113-148260433#