Fábio Toledo*
Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos pelo Institute of Ethics, em Los Angeles, aponta que as pessoas que colaram em exames no ensino médio são consideravelmente mais propensas a serem desonestas na via adulta. O estudo não surpreende. Há até quem diga que “mentir e colar, é só começar”. Mas diante dessa constatação, como poderemos incutir em nossos jovens a importância da honestidade?
Os jovens e os adolescentes são avessos a frases e discursos moralistas. E é bom que o sejam. Afinal, se lhes foi dada uma inteligência é para que a utilizem retamente. Assim, para que sejam incutidos os valores éticos é necessário que saibamos fazê-los pensar e refletir a fundo sobre as consequências de suas ações. Com habilidade e senso de oportunidade, temos de saber propor-lhes muitos porquês.

Depois de muitas indagações como essas ou outras que a intuição materna ou paterna nos dirá, então poderemos, muito sutilmente, sugerir algo. Sobre esse assunto, poderemos dizer-lhe: “filho, para se construir uma escultura belíssima são necessários muitos pequenos atos, pensados, esmerados. Para destruí-la, basta poucas marretadas ou um simples atirá-la no chão. Ocorre algo semelhante conosco. Para merecer a confiança é necessário muito esforço e dedicação. Para perdê-la, basta ser surpreendido colando ou praticando outra desonestidade qualquer”.
É provável que essa frase não o convença facilmente. E o objetivo não é mesmo convencer de nada, mas fazê-lo pensar. Não há uma só má ação que resista a três ou quatro porquês bem elaborados.
E esse exercício servirá para muito mais. Na verdade, servirá para tudo na vida. Já adultos, há de se indagar: devo receber uma comissãozinha para comprar os produtos daquele fornecedor, ainda que seja mais caro e prejudicial à empresa que trabalho? A quem estarei beneficiando com isso? A quem estarei prejudicando? Quais serão as consequências se descobrirem essas falcatruas?
Lembro-me de um episódio que me ocorreu quando era criança. Participava de um jogo de futebol. O clima era tenso e perdíamos por um a zero. Numa jogada, a bola tocou-me na mão. Os adversários reclamaram a falta, ao que os do meu time contestaram. Os olhos de todos se voltaram para mim que, ainda na inocência da primeira infância, prontamente admiti a falta. Os companheiros de time, já com a “malícia de jogador” se indignaram comigo: “você é burro?! Não vê que estamos perdendo?!”.
A primeira reação foi pensar que, no futebol, para vencer vale tudo, até mentir. No entanto, logo notei que aquela mesma atitude me trouxe muitas vantagens. É que, quando surgia algum lance duvidoso, eles corriam a me perguntar o que havia acontecido e confiavam sem duvidar da resposta.
Um grande desafio que temos na educação de nossos filhos e alunos para convencê-los a ser sinceros é saber mostrar-lhes como é bom ser honesto. É bom dizer algo e todos acreditarem sem necessidade de provas, testemunhas, etc. É muito bom para o marido e para a mulher poder dizer ao outro onde esteve e ter dele ou dela a total confiança que nasce de um compromisso assumido e honrado. E isso não é impossível. Basta que saibamos fazê-los olhar para dentro de si. Lá encontrarão uma lei natural que os move para o bem. Aprenderão também que seguir os conselhos de uma consciência bem formada é a chave para encontrarem a verdadeira felicidade.
*Fábio Henrique Prado de Toledo é juiz de Direito em Campinas.
FONTE: Correio Popular, 16/11/2009fabiotoledo@apamagis.com.br
Nós não colamos so compartilhamos conhecimento...........
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