segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

ENTRE FLORES E ADUBO

 Lya Luft*
 Resultado de imagem para corrupção brasil
 
Se a gente cultiva o bom, o belo, o amoroso – dentro do possível –, do resto, nestes dias, o país e o mundo se encarregam. Escrevi aqui, postei no Face, acredito nisso, e me esforço. Mas, vamos admitir, difícil não dar bola para o noticiário cada dia mais espantoso. Não que a mídia seja isso, como diria o Trump, ao contrário; percebo jornalistas quase engasgados ou suspirando ao dar uma lista de loucuras que nos ameaçam, talvez mais do que nós mesmos supomos.

Mas alienação demais me causaria culpa, este é um momento esquisito mesmo: calor sufocante, inesperadamente nuvens cor de chumbo fazendo carrancas no céu, trovoada, chuvarada, ventania e... dourado e azul de novo rindo de nós. Talvez a mãe natureza também esteja rangendo os dentes. Talvez isso venha ocorrendo a cada tantos milhares ou milhões de anos, pois sabemos que as eras glaciais e infernais se alternaram no planeta desde que planeta ele é. Não me crucifiquem os ambientalistas: sim, eu acredito que nós, predadores e alienados, atualmente estejamos influindo nisso.

Seja como for, não quero desfiar a ladainha de horrores políticos que nos afrontam, já fiz isso no Paisagem Brasileira, há pouco tempo, e, por mais que me peçam alguns amigos e leitores, não vou retomar amplamente o tema, porque aqui me propus, aliviada, tratar de coisas humanas. O problema é que crise, empobrecimento, insegurança, cabeças decapitadas, conhecidos assaltados ou mortos logo ali, por exemplo, são coisas muito, muito humanas. Desemprego? Humano demais. Pior é que a tudo isso se acrescenta uma paulatina, cada vez mais evidente, apatia. Eu preparava este artigo sobre apatia, e minha querida colega Rosane nos brinda com várias linhas a respeito, na sua coluna que leio antes de tudo aqui na nossa ZH. Onde a indignação? Onde os panelaços? Onde ruas cheias de manifestantes? Onde o entusiasmo na esperança de conseguirmos mudar alguma coisa?

E isso, gente, é o mais triste: a sensação de que não adianta. Porque perdeu-se aqui no Brasil o mais precioso bem, talvez, da espécie humana, por mais louca que ela ande: o pudor. A vergonha. Políticos ou outras autoridades que cometessem alguma gafe séria, ou apresentassem propostas escandalosas, quase criminosas, costumavam sumir por algum tempo, até que, já que temos curta memória, voltavam ao cenário lampeiros e faceiros. Agora, ninguém parece se constranger nem das coisas mais loucas. Acusados, investigados, delatados, denunciados, presos, ou que deviam estar presos, se apresentam, esbravejam, repetem incansavelmente que não sabem de nada, são inocentes, é tudo maldade alheia (ainda não acusam a mídia como o Trump, mas nunca se sabe quando vão começar). E assim, teimando em curtir e cultivar o belo, o bom, o amoroso que existem na natureza, na arte e nas pessoas (não todas, claro), ainda resisto à descrença total que ronda meus calcanhares, bafeja irônica e sarcástica, rosnando que eu deixe de ser boba, deixe de postar flores e borboletas e de escrever frases clara ou vagamente otimistas.

Resisto mais ou menos, entre ânimo e desolação, porque num canteiro prefiro as flores ao adubo... Mas que está tudo muito esquisito, ah, isso está.
-------
* Escritora. Colunista da ZH
Fonte:  http://www.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a9724823.xml&template=3916.dwt&edition=30674&section=70 18/02/2017
Imagem da Internet

Estamos febris

Montserrat Martins*

Resultado de imagem para sensacionalismo
[EcoDebate] A ascensão do Bolsonaro nas pesquisas não é fruto de um carisma pessoal mas um sintoma de revolta contra as violência nas ruas, contra a omissão do Estado no enfrentamento da criminalidade, canalizado pelos sensacionalistas como se eles fossem a solução para isso. O sensacionalismo não foi inventado pelo Bolsonaro, apresentadores de rádio e TV já faturavam popularidade insuflando sua audiência contra os “vagabundos”, os “bandidos” e todo linguajar com que muitas pessoas se identificam e se sentem reconfortadas, pois alguém “entende” o que elas sentem.

Em que mundo maravilhoso viveríamos, se xingamentos resolvessem os nossos problemas! Tudo estaria solucionado, pois nada é mais prazeiroso do que gritar, esbravejar, xingar o que e quem nos deixa indignados. Quem não gostaria de sair por aí ofendendo seus desafetos e clamando pela execução dos “marginais” que nos agridem com sua violência? Tanto é verdade, que virou moda nas redes sociais.

Infelizmente a realidade é menos divertida e o enfrentamento ao crime requer organização do Estado, recursos, estratégias, inteligência, investimentos a médio e longo prazo e inclusive legislações específicas contra o crime organizado. Basta ver a dificuldade de prosperar da Lava Jato, para vermos o quanto é difícil, na democracia, enfrentar o crime. A ditadura seria uma opção – e muitos já aderiram à tese – se ela não nos tirasse algo que também é um direito fundamental, a liberdade.

Como já ironizou o Millor Fernandes, “democracia é eu mandar em você, ditadura é você mandar em mim”, ou seja, os defensores da ditadura só vão até o ponto da fantasia sobre seus supostos benefícios, pois estariam insatisfeitos nas primeiras decisões ditatoriais que contrariassem as suas vontades.

A popularidade do Bolsonaro, então, é um sintoma febril de uma sociedade violentada que se sente à beira da convulsão social, como aconteceu recentemente no Espírito Santo. Estamos febris em nossa revolta contra uma democracia imatura, ineficiente, onde o Estado está eivado de corrupção e a Polícia Federal e o Ministério Público estão ameaçados de serem “amordaçados” pelos corruptos do próprio Congresso Nacional e do Governo, que ainda tem a prerrogativa de indicar os novos Ministros do STF.

Diante da falta de perspectivas imediatas, uma parcela crescente do povo se deixa arrastar pelo discurso autoritário, de soluções de força como única saída para uma sociedade menos violenta. Não cabe aqui discutir a pessoa do Bolsonaro – o que eu estaria tentado a fazer, por ser psiquiatra – mas sim o que ele representa. Representa uma voz que tem de ser levada a sério, não por suas maluquices, mas pelo sentimento de desespero da população, que sua intenção de voto representa.
--------------------------------
*Montserrat Martins, Colunista do Portal EcoDebate, é médico psiquiatra, bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais e ex-presidente do IGS – Instituto Gaúcho da Sustentabilidade
Fonte: https://www.ecodebate.com.br/2017/02/20/estamos-febris-artigo-de-montserrat-martins/

Idosos com Facebook deixam marketing do bem com lágrimas nos olhos

Luiz Felipe Pondé*




Ilustração Pondé

O que vem a ser o marketing do bem? O marketing do bem é, antes de tudo, uma derivação da esquerda empacotada para o mundo corporativo. Vai bem em palestras caras e dá aos colaboradores a impressão de que podem fabricar armas e ainda assim salvarem o mundo investindo em árvores. Nesse mundo de Deus e do Diabo, tudo pode, contanto que paguemos a fatura do Visa. 

Mas essa disciplina também se aplica aos comportamentos individuais. E são esses que mais me interessam como tendência contemporânea. Já disse outras vezes que estou seguro de que, num mundo vindouro, verão nossa época como uma das mais irrelevantes da história, justamente porque somos estragados pelo conforto. 

O conforto como categoria (quase) universal produziu uma alienação profunda da realidade. A riqueza em larga escala (apesar do mimimi com a desigualdade social, que é em si um "mercado" à parte) garantiu a existência do maior número de seres humanos mimados que já habitou a face da Terra. O marketing do bem é a "ciência" de cabeceira desses mimados. Quando pensam, são inteligentinhos. Quando pensam em si mesmos, são bonzinhos. Quando se enfurecem, postam #repúdio! 

A primeira marca do marketing do bem é a mentira como procedimento argumentativo. Jamais enuncie algo que comprometa o conforto moral ou psicológico de quem ouve você. Fazendo isso, você tem uma grande chance de sempre ter aquele que "te segue" como seu consumidor de ideias.
Um praticante desse tipo de marketing sempre investe na ideia de que as novas gerações são mais "evoluídas" e resolvem melhor os problemas clássicos da vida, descritos em ideias como os sete pecados capitais (que considero, ainda, uma das melhores formas de narrar os seres humanos em seus momentos mais difíceis). 

Dizer que os mais jovens são mais evoluídos implica um autoelogio, porque os pais e professores desses mais jovens são, evidentemente, os responsáveis por eles serem mais evoluídos. Ao mesmo tempo, dizer isso garante que esses mais jovens permanecerão como consumidores do mercado daqueles que "creem nessa evolução" política e moral. 

A substância primeira da moral pública sempre foi a hipocrisia, porque a mentira sustenta o cotidiano quase o tempo todo. É quase uma forma de boa educação em almoço de domingo em família. O marketing do bem nega esse fato (sabido por qualquer pessoa não mentirosa) afirmando que o bem pode ser um produto que acompanha o cheque especial ou uma linha especial de crédito num banco cor-de-rosa. Idosos com Face deixam o marketing do bem com lágrimas nos olhos. 

Sendo ele, o marketing do bem, uma derivação do pecado capital da vaidade (ou orgulho, ou soberba), sua primeira intenção é obscurecer as dimensões contraditórias da realidade, por exemplo, que 7 bilhões de pessoas querendo ser felizes implicam, necessariamente, a insustentabilidade desse desejo em nível de massa. 

Sabe-se há muito tempo que a esquerda é um fetiche do capitalismo. A verdade desse fato se encontra, antes de tudo, na publicidade dos bancos e na própria adesão dos publicitários ao discurso do bem social e político. Não se encontra qualquer contradição entre as formas mais "avançadas" de branding e a plataforma de qualquer populismo do bem. Negar o lucro como valor absoluto no mundo corporativo é uma das marcas mais "avançadas" do marketing do bem. 

O selo dessa forma de marketing é reconhecível a léguas de distância. Mais recentemente, odiar Trump. Trazer flores nas mãos para manifestações. "Acreditar" num mundo sem guerras. Apoiar tudo que tenha a marca ONU. Afirmar-se sem preconceitos. Negar as diferenças que fazem diferença. Propor diálogo com terroristas. Negar o conflito entre modos de vida em lugares como a Europa Ocidental. Praticar qualquer forma de espiritualidade redutível a "energias" e a alimentação sem glúten ou lactose. Sonhar com um mundo matriarcal no qual não existem mães monstruosas. Defender valores "femininos" para pessoas que não querem ter filhos. Nas escolas, sonhar com um mundo de banheiros "livres e iguais" –#haja saco! 
----------------------------
  * Filósofo, escritor e ensaísta, pós-doutorado em epistemologia pela Universidade de Tel Aviv, discute temas como comportamento, religião, ciência. 
 Ricardo Cammarota/Editoria de arte
Fonte:  ttp://www1.folha.uol.com.br/colunas/luizfelipeponde/2017/02/1860227-idosos-com-facebook-deixam-marketing-do-bem-com-lagrimas-nos-olhos.shtml

A tolerância necessária e urgente

Leonardo Boff* 

Resultado de imagem para tolerancia

Hoje no mundo e mesmo no Brasil impera muita intolerância, face a alguns partidos como o PT ou aos de base socialista e comunista. Intolerância severa, por vezes criminosa, que algumas igrejas neopentecostais alimentam e propalam contra as religiões afro-brasileiras, satanizando-as e até invadindo e danificando terreiros, como ocorreu na Bahia há alguns anos. Há intolerância que leva a crimes especialmente contra o grupo LGBT. Vítima de intolerância é também o Papa Francisco, atacado e caluniado até com cartazes espalhados pelos muros de Roma, porque se mostra misericordioso e acolhe a todos, especialmente os mais marginalizados,coisa que os conservadores não estão acostumados a ver no figurino tradicional dos papas.

O cristianismo das origens, da Tradição do Jesus histórico – contrariamente à intolerância da inquisição e de uma visão meramente doutrinária da fé – era extremamente tolerante. Jesus ensinou que devemos tolerar que o joio cresça junto com o trigo. Só na colheita far-se-á a separação. São Pedro, já feito apóstolo, seguia ainda os costumes judeus: não podia entrar na casa de pagãos nem comer certos alimentos, pois isso o tornaria impuro. Mas, ao ser convidado por um oficial romano, de nome Cornélio, acabou visitando-o e constatou sua profunda piedade e seu cuidado pelos pobres. Então concluiu:”Deus me mostrou que nenhum homem deve ser considerado profano e impuro; agora reconheço deveras que não há em Deus discriminação de pessoas mas lhe é agradável quem, em qualquer nação, tiver reverência face a Deus e praticar a justiça”(Atos 10,28-35).

Desse relato se deduz que o diálogo e o encontro entre as pessoas que buscam uma orientação religiosa, como no caso do oficial romano, invalidam o preconceito de coibir algum contacto com o diferente.

Do fato resulta também que Deus é encontrado infalivelmente lá onde “em qualquer nação houver reverência face ao Sagrado e se praticar a justiça”, pouco importa sua inscrição religiosa.

Ademais Jesus ensinou que a adoração a Deus vai para além dos templos, porque “os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai em espírito e verdade e são estes que o Pai deseja”(Jo,4,23). Existe, portanto, a religião do Espírito. Vale dizer: todos os que vivem valores não materiais e são fiéis à verdade estão seguramente no caminho que conduz a Deus. Cada um, em sua cultura e tradição, vive à sua maneira, a vida espiritual e se orienta pela verdade. Este merece ser respeitado e positivamente tolerado.

Suspeito que não há maior tolerância do que esta atitude de Jesus, abandonada ao largo da história, pela Igreja-poder institucional (parte da Igreja-povo-de-Deus) que discriminou judeus, pagãos, a herejes e tantos que levou à fogueira da Inquisição. No Brasil temos o caso clamoroso do jesuita Pe.Gabriel Malagrida, (1689-1761), com fama de santidade que missionou o norte do Brasil. Por razões políticas foi morto pela Inquisição em Lisboa por “garrote, e depois de morto,       que seja seu corpo queimado e reduzido a pó e cinza, para que dele e de sua sepultura não haja memória alguma”.

Eis um exemplo de completa intolerância, hoje atualizada pelo Estado Islâmico (EI) que degola a quem não se converter ao islamismo rígido interpretado por ele.

Em fim, que é a tolerância hoje tão violada?

Há, fundamentalmente, dois tipos de tolerância, uma passiva e outra ativa.

A tolerância passiva representa a atitude de quem permite a coexistência com o outro não porque o deseje e veja algum valor nisso, mas porque não o consegue evitar. Os diferentes se fazem indiferentes entre si.

A tolerância ativa consiste na atitude de quem positivamente convive com o outro porque tem respeito a ele e consegue ver suas riquezas que sem o diferente jamais veria. Entrevê a possibilidades da partilha e da parceria e assim se enriquece em contato e na convivência com o outro.

Há um dado inegável: ninguém é igual ao outro, todos têm uma marca que diferencia. Por isso existe a biodiversidade, as milhões formas de vida. O mesmo e mais profundamente vale para o nível humano. Aqui as diferenças mostram a riqueza da única e mesma humanidade. Podemos ser humanos de muitas formas.

O ser humano deve ser tolerante como toda a realidade o é. A intolerância será sempre um desvio e uma patologia e assim deve ser considerada. Produz efeitos destrutivos por não acolher as diferenças.
A tolerância é fundamentalmente a virtude que subjaz à democracia. Esta só funciona quando houver tolerância com as diferenças partidárias, ideológicas ou outras, todas elas reconhecidas como tais. Junto com tolerância está a vontade de buscar convergências através do debate e da disposição ao compromisso que constitui a forma civilizada e pacífica de equacionar conflitos e oposições. Esse é um ideal ainfa a ser alcançado.
--------------
* Leonardo Boff é articulista do JB on line e escreveu Convivência, Respeito e Tolerância, Vozes 2006. Teólogo. Escritor.
Fonte: https://leonardoboff.wordpress.com/2017/02/20/a-tolerancia-necessaria-e-urgente/
Imagem da Internet

Carta de Mark Zukerberg para o Mundo


Resultado de imagem para Mark Zuckerberg



Mark Zukerberg emite carta global em que declara que a maior rede social do mundo vai se engajar em temas como Comunidade Solidária, Comunidade Segura, Comunidade Informada, Comunidade Engajada e Comunidade Inclusiva

16 de fevereiro de 2017 

Resumo da carta:

O Facebook não é apenas uma empresa de tecnologia ou mídia, mas uma comunidade formada por pessoas. Nos últimos 13 anos, estivemos concentramos em conectar pessoas, principalmente familiares e amigos, e fizemos um bom progresso.

Hoje, em carta apresentada para a comunidade pelo Mark, o Facebook se compromete a construir uma infraestrutura social a longo prazo para criar uma comunidade global, para que possamos ter o máximo de impacto positivo no mundo.

Estamos muito comprometidos em melhorar nossas ferramentas para dar às pessoas o poder de compartilhar e usar a tecnologia para mitigar o mal e ampliar o bem.
As cinco áreas centrais para o Facebook são:
  • Comunidades solidárias
  • Comunidade segura
  • Comunidade informada
  • Comunidade civicamente engajada
  • Comunidade inclusiva
Destaques das cinco áreas (aspas do Mark)
  • Comunidades Solidárias (exemplo de produto: Grupos)
    • “As comunidades online são positivas e podemos fortalecer as comunidades existentes no mundo offline ao ajudar as pessoas a se reunírem tanto no ambiente online como offline. Da mesma forma que se conectar com amigos online fortalece as relações reais, desenvolver essa infraestrutura fortalecerá essas comunidades, assim como permitirá a formação de novas comunidades.”
    • “Recentemente, identificamos que mais de 100 milhões de pessoas no Facebook são membros de grupos que elas consideram ´muito significativos´.”
    • “Se nós formos capazes de melhorar nossas sugestões (de grupos) e ajudar a conectar 1 bilhão de pessoas a comunidades significativas, isso pode fortalecer nossa estrutura social.”
    •  
  • Comunidade Segura (exemplo de produtos: Safety Check e Community Help)
    • “Nossa comunidade está em uma posição única para ajudar a prevenir danos, dar suporte durante uma situação de crise ou permitir que as pessoas se reúnam na reconstrução. Isso acontece pela quantidade de comunicação na nossa rede, nossa habilidade de rapidamente alcançar as pessoas em todo o mundo durante uma emergência e da vasta bondade intrínseca na nossa comunidade.”
    • “Olhando para o futuro, uma das nossas grandes oportunidades para manter as pessoas seguras é construindo Inteligência Artificial para entender melhor e mais rapidamente o que está acontecendo na nossa comunidade.”
    •  
  • Comunidade Informada
    • “É nossa responsabilidade ampliar os bons efeitos e minimizar os ruins — para seguir ampliando a diversidade enquanto fortalecemos nosso entendimento comum, para que nossa comunidade possa criar o maior impacto positivo no mundo.”
    • “Estudos sugerem que as melhores soluções para melhorar o diálogo podem vir de conhecer uns aos outros como um indivíduo completo, e não somente como opiniões — algo que nossa comunidade está em posição única para fazer.”
    • “Uma imprensa forte também é essencial para construir uma comunidade informada.”
    • “Temos que fazer mais para apoiar a indústria de mídia, para garantir que essa vital função social seja sustentável — desde apoiar a produção de notícias locais até desenvolver formatos que funcionem melhor em dispositivos móveis e melhorar os tipos de modelos de negócios com os quais as organizações de mídia trabalham.”
    •  
  • Comunidade Civicamente Engajada (produtos: ferramentas para registrar que você foi às urnas, Eventos/Grupos para se organizar)
    • “O ponto inicial para engajamento cívico no processo político atual é apoiar o voto em todo o mundo.”
    • “Além do voto, a melhor oportunidade é ajudar as pessoas a se manterem engajadas em temas que interessem a elas todos os dias, não somente de anos em anos quando elas vão às urnas.”
    •  
  • Comunidade Inclusiva
    • Como uma comunidade global de pessoas, “nós precisamos de Padrões da Comunidade que reflitam nossos valores coletivos para o que deve ou não ser permitido.”
    • “As premissas são que os Padrões da Comunidade devem refletir as normas culturais da nossa comunidade, e cada pessoa deve ver o mínimo de conteúdo questionável possível.”
    • Esforços a longo prazo: “É importante notar que são necessários grandes avanços na Inteligência Artificial para o entendimento de textos, fotos e vídeos para poder julgar se os conteúdos contêm discurso de ódio e violência ou conteúdo sexual explícito, entre outros. No nosso ritmo atual de desenvolvimento, esperamos começar a lidar com alguns desses casos em 2017, mas outros não serão possíveis por muitos anos.”
IMAGEM DA INTERNET 
FONTE:  https://consumoliquido.wordpress.com/2017/02/20/carta-de-mark-zukerberg-para-o-mundo/

CRÍTICA À CARTA 
Manifesto de Mark Zuckerberg é um documento megalômano e autoritário João Pereira Coutinho* Binho de 21 Fev de 2017 Binho Barreto/Editora de Arte/ Folhapress Acabei de ler o manifesto que Mark Zuckerberg escreveu sobre o futuro da humanidade. Ri muito. Mas depois, quando cheguei ao fim, uma pergunta severa instalou-se no meu crânio: Zuckerberg é um humorista ou ele acredita mesmo em cada palavra? Se estamos na presença de um humorista, podemos incluir Zuckerberg na grande tradição dos utopistas satíricos. Você sabe: gente profundamente descontente com a realidade em volta e que usa a literatura para divertir ou moralizar. O problema é que eu desconfio que Zuckerberg fala a sério porque "sentido de humor" é algo que não casa com o personagem. Resumidamente, o manifesto deseja construir um futuro perfeito. E que futuro é esse? Fácil: um futuro sem pobreza, sem guerra, sem angústia, sem solidão. E como atingir esse futuro? Fácil também: mobilizando os bilhões de seres humanos que usam o Facebook. As minhas gargalhadas começaram logo no princípio: "Estamos a construir o mundo que todos queremos?", pergunta o profeta Mark. Não, meu filho, não estamos. Cada um constrói o mundo que entende porque a ideia de um propósito comum só existe na cabeça de um fanático. Pior: de um fanático que acredita falar em nome de "todos". Em teoria, um mundo sem pobreza, sem guerra, sem angústia e sem solidão pode ter os seus encantos. De preferência, se for proposto por uma candidata a Miss Universo com biquíni a condizer. Mas imaginar o sr. Zuckerberg em tais preparos, para além de esteticamente arrepiante, é politicamente aberrante: aquilo que define a espécie humana é a diversidade de interpretações e soluções sobre qualquer assunto social. Sim, a pobreza é um infortúnio. Mas saber como combatê-la –redistribuindo a renda? Criando livremente? E de que forma?– é matéria de discussão pluralista e secular. O mesmo vale para a guerra (há guerras criminosas? Há guerras necessárias?), para a angústia (o que seria da grande arte sem esse demônio interior?) ou para a solidão (há momentos em que o inferno podem ser os outros, parafraseando o filósofo). Mas os delírios de Zuckerberg continuam. Escreve ele que o futuro pertence aos "grupos significativos" (grupos de gente que partilham as mesmas felicidades ou infelicidades). Um exemplo: se eu tenho uma doença específica, posso encontrar a minha turma específica. O futuro de Zuckerberg é feito de centenas, milhares de guetos virtuais. Como as leprosarias da antiguidade ou os sanatórios para tuberculosos. De resto, Zuckerberg acredita que a inteligência artificial poderá um dia salvar os seres humanos deles próprios. Se eu consumo fotos ou vídeos onde o suicídio tem papel principal, será possível "identificar" os meus comportamentos "desviantes" e impedir o ato funesto. Impedir como? Zuckerberg não diz. Imagino que haverá intervenção do exército: o jovem estudante de sociologia, que faz tese de doutorado sobre "O Suicídio" de Durkheim, terá a porta arrombada pelos militares e será caridosamente enfiado numa camisa de força. Para muitos pensadores, o suicídio é o último ato de liberdade –ou, como dizia Cioran, é precisamente pela certeza de que existe sempre uma saída para a existência terrena que nos podemos comprometer com a vida. No mundo de Zuckerberg, nem a mais íntima das escolhas humanas estará a salvo. Finalmente, o óbvio: com o Facebook, eleitores e eleitos estarão mais próximos do que nunca, escutando-se mutuamente. Tradução: se "a tirania da maioria" aprovar atos de barbaridade, o político, para ser eleito, defenderá atos de barbaridade. Os mecanismos de mediação que as democracias liberais sempre defenderam (tribunais, parlamentos etc.) devem ser derrotados em nome da "vontade geral", essa categoria sinistra que Rousseau legou aos seus discípulos. Para sermos justos, nada do que escreve Zuckerberg é novidade. Ele apenas repete as falácias típicas do pensamento globalista: os problemas globais só podem ser enfrentados por uma espécie de "comunidade global" –um eufemismo para "governo global". Fatalmente, não passa pela cabeça de Zuckerberg que é precisamente esse globalismo supranacional e transnacional que produz a reação populista (e nacionalista) atualmente em cartaz. O manifesto de Mark Zuckerberg é um documento megalômano e autoritário escrito com a tinta ilusória das boas intenções. Se adolescentes assim não têm noção do ridículo, o mundo já será um pouco melhor se os adultos não perderem o deles. ------------------- * Escritor português, é doutor em ciência política. Escreve às terças e às sextas. Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/joaopereiracoutinho/2017/02/1860523-manifesto-de-mark-zuckerberg-e-um-documento-megalomano-e-autoritario.shtml

Manifesto de Mark Zuckerberg é um documento megalômano e autoritário

JOÃO PEREIRA COUTINHO*

Acabei de ler o manifesto que Mark Zuckerberg escreveu sobre o futuro da humanidade. Ri muito. Mas depois, quando cheguei ao fim, uma pergunta severa instalou-se no meu crânio: Zuckerberg é um humorista ou ele acredita mesmo em cada palavra? 

Se estamos na presença de um humorista, podemos incluir Zuckerberg na grande tradição dos utopistas satíricos. Você sabe: gente profundamente descontente com a realidade em volta e que usa a literatura para divertir ou moralizar. 

O problema é que eu desconfio que Zuckerberg fala a sério porque "sentido de humor" é algo que não casa com o personagem. 

Resumidamente, o manifesto deseja construir um futuro perfeito. E que futuro é esse? Fácil: um futuro sem pobreza, sem guerra, sem angústia, sem solidão. E como atingir esse futuro? Fácil também: mobilizando os bilhões de seres humanos que usam o Facebook. 


Binho Barreto/Editoria de Arte/Folhapress
Binho de 21 Fev de 2017
As minhas gargalhadas começaram logo no princípio: "Estamos a construir o mundo que todos queremos?", pergunta o profeta Mark. Não, meu filho, não estamos. Cada um constrói o mundo que entende porque a ideia de um propósito comum só existe na cabeça de um fanático. Pior: de um fanático que acredita falar em nome de "todos". 

Em teoria, um mundo sem pobreza, sem guerra, sem angústia e sem solidão pode ter os seus encantos. De preferência, se for proposto por uma candidata a Miss Universo com biquíni a condizer.
Mas imaginar o sr. Zuckerberg em tais preparos, para além de esteticamente arrepiante, é politicamente aberrante: aquilo que define a espécie humana é a diversidade de interpretações e soluções sobre qualquer assunto social. 

Sim, a pobreza é um infortúnio. Mas saber como combatê-la –redistribuindo a renda? Criando livremente? E de que forma?– é matéria de discussão pluralista e secular. O mesmo vale para a guerra (há guerras criminosas? Há guerras necessárias?), para a angústia (o que seria da grande arte sem esse demônio interior?) ou para a solidão (há momentos em que o inferno podem ser os outros, parafraseando o filósofo). 

Mas os delírios de Zuckerberg continuam. Escreve ele que o futuro pertence aos "grupos significativos" (grupos de gente que partilham as mesmas felicidades ou infelicidades). 

Um exemplo: se eu tenho uma doença específica, posso encontrar a minha turma específica. O futuro de Zuckerberg é feito de centenas, milhares de guetos virtuais. Como as leprosarias da antiguidade ou os sanatórios para tuberculosos. 

De resto, Zuckerberg acredita que a inteligência artificial poderá um dia salvar os seres humanos deles próprios. Se eu consumo fotos ou vídeos onde o suicídio tem papel principal, será possível "identificar" os meus comportamentos "desviantes" e impedir o ato funesto. Impedir como? 

Zuckerberg não diz. Imagino que haverá intervenção do exército: o jovem estudante de sociologia, que faz tese de doutorado sobre "O Suicídio" de Durkheim, terá a porta arrombada pelos militares e será caridosamente enfiado numa camisa de força. 

Para muitos pensadores, o suicídio é o último ato de liberdade –ou, como dizia Cioran, é precisamente pela certeza de que existe sempre uma saída para a existência terrena que nos podemos comprometer com a vida. No mundo de Zuckerberg, nem a mais íntima das escolhas humanas estará a salvo. 

Finalmente, o óbvio: com o Facebook, eleitores e eleitos estarão mais próximos do que nunca, escutando-se mutuamente. Tradução: se "a tirania da maioria" aprovar atos de barbaridade, o político, para ser eleito, defenderá atos de barbaridade. 

Os mecanismos de mediação que as democracias liberais sempre defenderam (tribunais, parlamentos etc.) devem ser derrotados em nome da "vontade geral", essa categoria sinistra que Rousseau legou aos seus discípulos. 

Para sermos justos, nada do que escreve Zuckerberg é novidade. Ele apenas repete as falácias típicas do pensamento globalista: os problemas globais só podem ser enfrentados por uma espécie de "comunidade global" –um eufemismo para "governo global". 

Fatalmente, não passa pela cabeça de Zuckerberg que é precisamente esse globalismo supranacional e transnacional que produz a reação populista (e nacionalista) atualmente em cartaz. 

O manifesto de Mark Zuckerberg é um documento megalômano e autoritário escrito com a tinta ilusória das boas intenções. Se adolescentes assim não têm noção do ridículo, o mundo já será um pouco melhor se os adultos não perderem o deles. 
--------------
Escritor português, é doutor em ciência política. 
Fonte:  http://www1.folha.uol.com.br/colunas/joaopereiracoutinho/2017/02/1860523-manifesto-de-mark-zuckerberg-e-um-documento-megalomano-e-autoritario.shtml
Manifesto de Mark Zuckerberg é um documento megalômano e autoritário João Pereira Coutinho* Binho de 21 Fev de 2017 Binho Barreto/Editora de Arte/ Folhapress Acabei de ler o manifesto que Mark Zuckerberg escreveu sobre o futuro da humanidade. Ri muito. Mas depois, quando cheguei ao fim, uma pergunta severa instalou-se no meu crânio: Zuckerberg é um humorista ou ele acredita mesmo em cada palavra? Se estamos na presença de um humorista, podemos incluir Zuckerberg na grande tradição dos utopistas satíricos. Você sabe: gente profundamente descontente com a realidade em volta e que usa a literatura para divertir ou moralizar. O problema é que eu desconfio que Zuckerberg fala a sério porque "sentido de humor" é algo que não casa com o personagem. Resumidamente, o manifesto deseja construir um futuro perfeito. E que futuro é esse? Fácil: um futuro sem pobreza, sem guerra, sem angústia, sem solidão. E como atingir esse futuro? Fácil também: mobilizando os bilhões de seres humanos que usam o Facebook. As minhas gargalhadas começaram logo no princípio: "Estamos a construir o mundo que todos queremos?", pergunta o profeta Mark. Não, meu filho, não estamos. Cada um constrói o mundo que entende porque a ideia de um propósito comum só existe na cabeça de um fanático. Pior: de um fanático que acredita falar em nome de "todos". Em teoria, um mundo sem pobreza, sem guerra, sem angústia e sem solidão pode ter os seus encantos. De preferência, se for proposto por uma candidata a Miss Universo com biquíni a condizer. Mas imaginar o sr. Zuckerberg em tais preparos, para além de esteticamente arrepiante, é politicamente aberrante: aquilo que define a espécie humana é a diversidade de interpretações e soluções sobre qualquer assunto social. Sim, a pobreza é um infortúnio. Mas saber como combatê-la –redistribuindo a renda? Criando livremente? E de que forma?– é matéria de discussão pluralista e secular. O mesmo vale para a guerra (há guerras criminosas? Há guerras necessárias?), para a angústia (o que seria da grande arte sem esse demônio interior?) ou para a solidão (há momentos em que o inferno podem ser os outros, parafraseando o filósofo). Mas os delírios de Zuckerberg continuam. Escreve ele que o futuro pertence aos "grupos significativos" (grupos de gente que partilham as mesmas felicidades ou infelicidades). Um exemplo: se eu tenho uma doença específica, posso encontrar a minha turma específica. O futuro de Zuckerberg é feito de centenas, milhares de guetos virtuais. Como as leprosarias da antiguidade ou os sanatórios para tuberculosos. De resto, Zuckerberg acredita que a inteligência artificial poderá um dia salvar os seres humanos deles próprios. Se eu consumo fotos ou vídeos onde o suicídio tem papel principal, será possível "identificar" os meus comportamentos "desviantes" e impedir o ato funesto. Impedir como? Zuckerberg não diz. Imagino que haverá intervenção do exército: o jovem estudante de sociologia, que faz tese de doutorado sobre "O Suicídio" de Durkheim, terá a porta arrombada pelos militares e será caridosamente enfiado numa camisa de força. Para muitos pensadores, o suicídio é o último ato de liberdade –ou, como dizia Cioran, é precisamente pela certeza de que existe sempre uma saída para a existência terrena que nos podemos comprometer com a vida. No mundo de Zuckerberg, nem a mais íntima das escolhas humanas estará a salvo. Finalmente, o óbvio: com o Facebook, eleitores e eleitos estarão mais próximos do que nunca, escutando-se mutuamente. Tradução: se "a tirania da maioria" aprovar atos de barbaridade, o político, para ser eleito, defenderá atos de barbaridade. Os mecanismos de mediação que as democracias liberais sempre defenderam (tribunais, parlamentos etc.) devem ser derrotados em nome da "vontade geral", essa categoria sinistra que Rousseau legou aos seus discípulos. Para sermos justos, nada do que escreve Zuckerberg é novidade. Ele apenas repete as falácias típicas do pensamento globalista: os problemas globais só podem ser enfrentados por uma espécie de "comunidade global" –um eufemismo para "governo global". Fatalmente, não passa pela cabeça de Zuckerberg que é precisamente esse globalismo supranacional e transnacional que produz a reação populista (e nacionalista) atualmente em cartaz. O manifesto de Mark Zuckerberg é um documento megalômano e autoritário escrito com a tinta ilusória das boas intenções. Se adolescentes assim não têm noção do ridículo, o mundo já será um pouco melhor se os adultos não perderem o deles. ------------------- * Escritor português, é doutor em ciência política. Escreve às terças e às sextas. Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/joaopereiracoutinho/2017/02/1860523-manifesto-de-mark-zuckerberg-e-um-documento-megalomano-e-autoritario.shtml
Manifesto de Mark Zuckerberg é um documento megalômano e autoritário João Pereira Coutinho* Binho de 21 Fev de 2017 Binho Barreto/Editora de Arte/ Folhapress Acabei de ler o manifesto que Mark Zuckerberg escreveu sobre o futuro da humanidade. Ri muito. Mas depois, quando cheguei ao fim, uma pergunta severa instalou-se no meu crânio: Zuckerberg é um humorista ou ele acredita mesmo em cada palavra? Se estamos na presença de um humorista, podemos incluir Zuckerberg na grande tradição dos utopistas satíricos. Você sabe: gente profundamente descontente com a realidade em volta e que usa a literatura para divertir ou moralizar. O problema é que eu desconfio que Zuckerberg fala a sério porque "sentido de humor" é algo que não casa com o personagem. Resumidamente, o manifesto deseja construir um futuro perfeito. E que futuro é esse? Fácil: um futuro sem pobreza, sem guerra, sem angústia, sem solidão. E como atingir esse futuro? Fácil também: mobilizando os bilhões de seres humanos que usam o Facebook. As minhas gargalhadas começaram logo no princípio: "Estamos a construir o mundo que todos queremos?", pergunta o profeta Mark. Não, meu filho, não estamos. Cada um constrói o mundo que entende porque a ideia de um propósito comum só existe na cabeça de um fanático. Pior: de um fanático que acredita falar em nome de "todos". Em teoria, um mundo sem pobreza, sem guerra, sem angústia e sem solidão pode ter os seus encantos. De preferência, se for proposto por uma candidata a Miss Universo com biquíni a condizer. Mas imaginar o sr. Zuckerberg em tais preparos, para além de esteticamente arrepiante, é politicamente aberrante: aquilo que define a espécie humana é a diversidade de interpretações e soluções sobre qualquer assunto social. Sim, a pobreza é um infortúnio. Mas saber como combatê-la –redistribuindo a renda? Criando livremente? E de que forma?– é matéria de discussão pluralista e secular. O mesmo vale para a guerra (há guerras criminosas? Há guerras necessárias?), para a angústia (o que seria da grande arte sem esse demônio interior?) ou para a solidão (há momentos em que o inferno podem ser os outros, parafraseando o filósofo). Mas os delírios de Zuckerberg continuam. Escreve ele que o futuro pertence aos "grupos significativos" (grupos de gente que partilham as mesmas felicidades ou infelicidades). Um exemplo: se eu tenho uma doença específica, posso encontrar a minha turma específica. O futuro de Zuckerberg é feito de centenas, milhares de guetos virtuais. Como as leprosarias da antiguidade ou os sanatórios para tuberculosos. De resto, Zuckerberg acredita que a inteligência artificial poderá um dia salvar os seres humanos deles próprios. Se eu consumo fotos ou vídeos onde o suicídio tem papel principal, será possível "identificar" os meus comportamentos "desviantes" e impedir o ato funesto. Impedir como? Zuckerberg não diz. Imagino que haverá intervenção do exército: o jovem estudante de sociologia, que faz tese de doutorado sobre "O Suicídio" de Durkheim, terá a porta arrombada pelos militares e será caridosamente enfiado numa camisa de força. Para muitos pensadores, o suicídio é o último ato de liberdade –ou, como dizia Cioran, é precisamente pela certeza de que existe sempre uma saída para a existência terrena que nos podemos comprometer com a vida. No mundo de Zuckerberg, nem a mais íntima das escolhas humanas estará a salvo. Finalmente, o óbvio: com o Facebook, eleitores e eleitos estarão mais próximos do que nunca, escutando-se mutuamente. Tradução: se "a tirania da maioria" aprovar atos de barbaridade, o político, para ser eleito, defenderá atos de barbaridade. Os mecanismos de mediação que as democracias liberais sempre defenderam (tribunais, parlamentos etc.) devem ser derrotados em nome da "vontade geral", essa categoria sinistra que Rousseau legou aos seus discípulos. Para sermos justos, nada do que escreve Zuckerberg é novidade. Ele apenas repete as falácias típicas do pensamento globalista: os problemas globais só podem ser enfrentados por uma espécie de "comunidade global" –um eufemismo para "governo global". Fatalmente, não passa pela cabeça de Zuckerberg que é precisamente esse globalismo supranacional e transnacional que produz a reação populista (e nacionalista) atualmente em cartaz. O manifesto de Mark Zuckerberg é um documento megalômano e autoritário escrito com a tinta ilusória das boas intenções. Se adolescentes assim não têm noção do ridículo, o mundo já será um pouco melhor se os adultos não perderem o deles. ------------------- * Escritor português, é doutor em ciência política. Escreve às terças e às sextas. Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/joaopereiracoutinho/2017/02/1860523-manifesto-de-mark-zuckerberg-e-um-documento-megalomano-e-autoritario.shtml

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Um ano sem Umberto Eco, o último renascentista

Fran Alavina*

170219-Eco
A erudição e o diálogo entre as disciplinas humanas parecem hoje derrotados pelos “especialistas” e a cegueira neoliberal. Porém, resistimos: nada está consumado

Neste fevereiro completa-se um ano da morte do pensador italiano Umberto Eco (1932-2016). Conhecido pelo público não acadêmico a partir do sucesso do romance O nome da Rosa, depois convertido em filme, hoje é possível afirmar que o profundo significado da morte de Eco no plano da cultura ficou velado pela repercussão midiatizada de sua partida. Não morria, em 19 de fevereiro de 2016, um simples intelectual acadêmico que, vez ou outra, falara ao grande público. Tratava-se de alguém que sabia se movimentar com desenvoltura entre os meios universitários e os espaços midiáticos, sem se deixar contaminar pela artificialização de uns, ou pelo isolacionismo de outros.

Quase todos os jornais italianos apegaram-se aos elementos midiáticos da profícua carreira intelectual e literária de Eco. Celebraram seu fim como fazem com a morte de algum astro pop: com um rápido jogo de imagens rememorativas que não passam da superficialidade da retina, acompanhadas por uma falação ininterrupta que retira qualquer reverência ante o silêncio da morte. Nas mãos da velha mídia, quem morre se transforma em um ente cinicamente celebrado, pois não se morre, vira-se notícia. Repetiram, com exaustão, que Eco era um homem de cultura extensa, um erudito reconhecido internacionalmente, por isso um italiano memorável. Ressaltou-se, por fim, que seu velório seria um sóbrio ato laico. Na Itália cabisbaixa pela crise, Eco era um dos poucos motivos de orgulho. Sua obra relacionava saber e vida civil: algo que outrora era uma construção tipicamente italiana, hoje um liame corroído pela ideologia da especialização e pela negação das ciências humanas

 "Nas mãos da velha mídia, 
quem morre se transforma em 
um ente cinicamente celebrado, 
pois não se morre, 
vira-se notícia."

Parece quase uma trama tecida pela fortuna com os fios da ousadia, que a última obra de Eco fosse justamente um romance sobre o jornalismo faccioso e sensacionalista, o romance Número Zero. Uma visão sobre a manipulação jornalística e suas mazelas. A mentira, que uma vez tornada notícia, acaba por se apresentar como se verdade fosse. Era como se antes de sua morte, Umberto Eco, por meio de sua erudição aguda e crítica, já tomasse parte na querela sobre a pós-verdade, que no ano mesmo de sua partida, se tornou o mote explicativo de todos os nossos problemas. Ironia que o autor de Apocalípticos e Integrados, uma das mais lúcidas análises sobre os mass media, perde a posição de “meio-termo” que defendera para tornar-se integrado. Uma integração proporcionada por sua morte e que lançou sombras sobre o liame que unia a diversidade de sua produção. Talvez a mais perversa expressão dessa integração tenha sido a definição simplória de Umberto Eco como sendo o erudito pop

É nesse quadro – mesmo repercutindo e ressaltando o significado de um velório laico no país de um catolicismo que oscila entre o apelo turístico-museológico e o fortuito carisma de seus papas – que os jornais e a TV fechavam os olhos para a relação essencial entre toda a vasta produção de Eco e a tradição da cultura das letras e humanidades. Ora, esta longa tradição perpassa a própria formação da identidade nacional italiana na medida em que lá se iniciou e se fundamentou aquilo que posteriormente se convencionaria denominar de saberes humanísticos, (os studia humanitatis). Tradição das humanidades que tem perdurado na longa tradição da história italiana, mesmo sofrendo ininterruptos ataques. Dificilmente nos esquecemos, após um primeiro contato, que Dante, Maquiavel ou Michelangelo eram italianos; porém, raramente, por exemplo, relacionamos os dramas de Shakespeare com a sua Londres elisabetana.

 "É nesse quadro – mesmo repercutindo e ressaltando o significado de um velório laico no país de um catolicismo que oscila entre o apelo turístico-museológico e o fortuito carisma de seus papas – que os jornais e a TV fechavam os olhos para a relação essencial entre toda a vasta produção de Eco e a tradição da cultura das letras e humanidades."

A morte de Umberto Eco não foi, para os italianos, apenas a despedida de um compatriota reconhecido internacionalmente, mas também a perda simbólica de um dos liames de identidade nacional. Já para todos nós, sua partida significou a morte do último dos renascentistas, talvez o fim de uma cultura educacional na qual certo ideal de erudição e diálogo entre as disciplinas humanas reconhece sua derrota ante a apologia da especialização e o simulacro do homem multimídia. Aqui, certamente o leitor mais atento indaga-se: como um notório medievalista pode ser denominado de renascentista?

Denominá-lo de renascentista, ainda que ele fosse um grande medievalista, não é anacronismo ou ironia. Podemos caracterizar Umberto Eco como o último dos renascentistas justamente em função do ideal de erudição crítica que animou toda sua produção intelectual: das obras de estética filosófica e semiótica aos seus romances e crônicas. O ideal de sujeito erudito, capaz de criar e se expressar nas mais diferentes disciplinas e saberes humanísticos era o próprio fundamento da cultura renascentista.
O literato deveria ser tão capaz de filosofar, quanto o filósofo deveria ser capaz de criar poemas e construir narrativas ficcionais; o historiador deveria ser tão desenvolto em criar a beleza pictórica, quanto o pintor deveria ser em compreender o passado e narrar o presente. Ademais, cumpria nunca perder de vista a relação entre o saber e suas determinações históricas. Jamais contentar-se com a mediocridade: esta era a norma para se criar o novo. O exemplo mais popular e lendário desse modelo é Leonardo Da Vinci – o homem universal. Porém ele não era a exceção genial, mas a regra comum de um modelo de orientação dos saberes. Galileu foi capaz de apresentar suas descobertas astronômicas através de um diálogo ficcional. Maquiavel, sempre mais difamado que compreendido, escreveu uma história de Florença e três peças teatrais; Lorenzo, il magnifico, ao mesmo tempo que exercia o poder dos médicis sobre os florentinos, foi poeta admirado.

 "Podemos caracterizar Umberto Eco como o último dos renascentistas justamente em função do ideal de erudição crítica que animou toda sua produção intelectual: das obras de estética filosófica e semiótica aos seus romances e crônicas. O ideal de sujeito erudito, capaz de criar e se expressar nas mais diferentes disciplinas e saberes humanísticos era o próprio fundamento da cultura renascentista." 

Não se tratava de mero ecletismo, mas de reconhecer o vínculo comum que une todos os saberes dos círculos humanísticos. Vínculo este, que hoje, após a orientação das universidades para as especializações minimalistas, é enfraquecido cada vez mais. Bem antes que a interdisciplinaridade fosse apresentada como grande novidade, a regra era nunca contentar-se com uma só forma de saber. Já nos alertavam os renascentistas que todo saber em si mesmo, por mais que aspire à universalidade, é sempre uma visão fragmentada do mundo – portanto incapaz de falar sobre o todo, mas apenas sobre a parte em que se debruça. E aquele que conhece bem, mas apenas a parte, ao tentar compreender o funcionamento do todo, não fará mais que falseá-lo, e, assim, ainda que conhecendo estará preso ao erro. O bom saber é aquele capaz de ir sempre além de si, jamais fazendo uma apologia cínica de suas próprias parcialidades. Qualquer distância quilométrica entre este ideal formatado na Renascença e a nossa atualidade, que é presa fácil de um uso tecnicista do saber, não é mera coincidência. Por isso, a importância de Eco; Sua produção ousou ao não submeter-se às especializações minimalistas que nos acostumam à parcialidade e mediocridade; ao ficcionar, mas sem deixar de compreender o presente histórico; ao demonstrar que erudir-se não é o exercício fútil de colecionar informações díspares e exóticas; ao testemunhar que as humanidades não são saberes menores e inúteis, mas que sem o seu fortalecimento estamos fadados a nunca compreendemos as contradições de nosso tempo. 

 "O bom saber é aquele capaz de ir sempre além de si, jamais fazendo uma apologia cínica de suas próprias parcialidades. Qualquer distância quilométrica entre este ideal formatado na Renascença e a nossa atualidade, que é presa fácil de um uso tecnicista do saber, não é mera coincidência."

Umberto Eco reconhecia o vínculo das humanidades, e se inseria na tradição humanista renascentista que perdurou na vida cultural italiana: passando por Leopardi e chegando a Pasolini. Vinculando-se, portanto, àqueles que foram capazes de estender sua vontade de saber para além de uma só forma de conhecimento e de criação. Eco não foi apenas o excelente ficcionista de O pêndulo de Foucault e a Ilha do Dia Anterior. Também era um teórico da literatura e da linguagem; não apenas refletiu filosoficamente sobre a estética medieval, como também teorizou sobre o “fascismo eterno” e as anomalias e vulgarizações criadas pelo poder midiático. Seu talento como escritor ficcional não era menor que sua capacidade de pensar criticamente a realidade — ou melhor, conforme uma de suas expressões, de viajar na irrealidade cotidiana. O quanto teríamos perdido se Eco houvesse se contentado em ser apenas um especialista em estética e filosofia medieval, lugar de sua primeira formação acadêmica?

Há um ano se foi o último dos renascentistas, e não sabemos se, em breve, veremos surgir um outro como ele. Não em virtude da uma genialidade, que embora singular, supõe-se inalcançável, mas porque o âmbito dos saberes humanísticos é cada vez mais ferido de morte: a grande mídia faz crer que informar-se é o mesmo que conhecer e a cegueira neoliberal nos guia para um mundo no qual as ciências humanas seriam apenas diletantismos de alguns. Assim, talvez o próximo continuador da trilha feita por tantos outros antes de Eco, e continuada por ele, tenha sido tirado arbitrariamente do caminho por ações como a reforma-desmache do ensino médio que vemos hoje no Brasil: um genocídio educacional que fere as disciplinas humanas e mata os talentos antes que eles possam nascer. 
---------
Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da USP. Mestre em Estética e Filosofia da Arte pela Universidade Federal de Ouro Preto, UFOP.
FONTE:  http://outraspalavras.net/capa/um-ano-sem-umberto-eco-o-ultimo-renascentista/ 19/02/2017

sábado, 18 de fevereiro de 2017

A política como a arte de enganar

Machado da Silva*
 Resultado de imagem para politica
 
Qual a imagem tradicional que temos do político?

O sujeito astuto, esperto, loquaz, que dá nó em pingo de água, diz uma coisa e faz outra.
Apertado, garante que não mentiu. Apenas omitiu.

Qual animal associamos ao político? A raposa. Vemos o político como alguém sinuoso, escorregadio, que negaceia, negocia, escapole, se safa. Quase todos os partidos brasileiros se parecem e contam com raposas nos seus quadros. O PMDB, contudo, merece destaque. Quem está no poder sempre recebe destaque. Como classificar Michel Temer, Renan Calheiros, Edison Lobão, Eunício Oliveira, José Sarney, Carlos Marun, Eduardo Cunha e outros mais ou menos cotados? Raposas.

A maioria dessa lista é raposa velha, matreira, escolada, pelo liso e fofo.

O PMDB é como um parasita que se instala no corpo de alguém e no memento certo rói o parasitado e toma-lhe o lugar. Há quantos anos o PMDB não concorre à presidência da República? Sem ter concorrido, portanto sem apresentar programa aos eleitores, o PMDB está promovendo as mais radicais reformas do Brasil recente. Astuto, quando viu que o hospedeiro Dilma estava minado, o PMDB apresentou programa, Ponte para o Futuro, ao mercado, a possíveis aliados como o PSDB e o DEM e à mídia. Ganhou o apoio para consumar o golpe. O projeto do PMDB tem sua legitimidade. Poderia ser executado depois de submetido ao aval desse ser até então incontornável chamado eleitor.
Raposão, malandro, o PMDB sabia que só um atalho lhe serviria.

O PMDB gaúcho também tem suas raposas velhas ou nem tanto. José Ivo Sartori governa em nome de raposas mais ou menos peludas. Há novas e talentosas raposas despontando na área. Há raposas de todos os tipos no Brasil: honestas, desonestas, ardilosas, sofisticadas, rústicas… A estratégia de Sartori para chegar ao poder foi pura raposice. Escondeu o programa durante toda a campanha. Questionado, respondia com seu mantra: “Vamos dialogar”. O programa, porém, existia: privatizar, esquartejar o Estado, lipoaspirar o mamute. Eleito, Sartori usou a segunda parte da raposice: deixou a crise se ampliar, hiperdimensionou o que deu, preparou o espírito da mídia e de boa parte da população. Depois, deu o bote. Transparência zero. O Banrisul, sempre negado pelo PMDB, poderá ser a próxima vítima.

O PT, que se pretendia ético e transparente, fez tanta cacaca que abriu caminho para o retorno da raposice peemedebista. A indicação do ministro da Justiça Alexandre de Moraes para o STF exemplifica a raposice peemedebista. Desde o começo ele foi escolhido por Temer, que mandou espalhar o nome ultraconservador de Ives Gandra Filho. Disseminou também que buscava um nome do agrado da presidente do STF, ministra Carmem Lúcia. Diante da gritaria da sociedade, Carmem Lúcia aceitou o intragável Moraes, direto do governo para o cargo de juiz do governo. Ponto para Temer, o raposão. Os entendidos sorriem e dizem a frase que mais amam: “Isso se chama política”.
Isso se chama política como a arte de enganar.

Se o PMDB fosse um partido sueco teria de apresentar a sua Ponte para o Futuro ao eleitor e esperar o seu voto para aplicá-lo. Sartori teria detalhado seu projeto privatista para aprovação ou rejeição do eleitorado. A raposice peemedebista vai produzir seus resultados: privatizações, reformas previdenciária e trabalhista, demissões de funcionários, descumprimento de contratos assumidos com concursados. De quebra, aumentará o descrédito em relação aos políticos. O PMDB não se importa com isso. Sabe que a sua base de apoio gosta disso. As raposas velhas coçam os bigodes e cochicham: “Política no Brasil sempre foi e sempre será assim. Não somos e não seremos a Suécia”.

Quando José Bonifácio, o moço, morreu, em plena campanha abolicionista, os defensores do fim da escravidão transformaram o seu funeral num comício, um meeting como então se dizia. D. Pedro II amarelou e não mandou representante ao velório do senador. A oposição achava de muito mau gosto misturar política com morte de um ente querido. Os abolicionistas pensavam o contrário. Faziam isso a cada vez, depois do assassinato do militante Apulcro de Castro e até no funeral da mãe de José de Patrocínio. Os escravistas sustentavam que a preservação da lei e da ordem era mais importante e que protestos não poderiam ferir a liberdade de ir e vir dos cidadãos de bem.

A estética política do conservadorismo é bastante seletiva. É fácil encontrar na mídia textos de articulistas famosos relativizando os comentários dos médicos que desejaram a morte da mulher do ex-presidente Lula. Onde esses assuntos se encontram? Em nossa incapacidade de pesar situações. Se os programas de Temer e de Sartori tivessem passado nas urnas muitas das críticas a eles estariam prejudicadas. Quanto maior o número de votos, maior a legitimação. Um dos problemas de Donald Trump é de ter quase três milhões de votos a menos do que Hillary Clinton. O outro problema dele é querer governar contra os freios institucionais da democracia.

O PMDB no poder namora com essa estratégia. Formou-se um acordão para dar sustentação a Temer até 2018. Esse acerto de bastidores envolve Senado, Câmara de Deputados e STF. Até o rigoroso juiz Sérgio Moro defendeu Michel Temer de uma suposta tentativa de constrangimento e intimidação da parte de Eduardo Cunha. Em outros tempos, com outros personagens, seria uma denúncia a investigar. Raposas não usam cachecol. Disfarçam-se com o próprio pelo. Se uma delas diz vou, não vai, se diz que não vai, já foi. Se correr…

A propósito, qual o coletivo de raposa?

*

O tempo

Carrego meus fantasmas
Dentro de um armário
Entalhado no peito
Eu sou o que tenho feito
Apesar do grande defeito,
De sonhar mais que o pássaro,
Que voa sem fazer cálculos.
Eu sou eu e os meus cacos
Uma caneca de louça sem asa
Uma latinha de pastilhas
Fotos de minhas filhas
Lembranças feito ilhas
De um futuro no passado,
O presente encarcerado,
Lobo depois das trilhas,
O olhar depois das chuvas.
----------
* Sociólogo. Escritor. Colunista do Corrieo do Povo 
Fonte: http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/2017/02/9571/a-politica-como-a-arte-de-enganar/