domingo, 5 de agosto de 2012

A guerra fora do campo de batalha

Entrevista
Como veículos não tripulados podem mudar nosso cotidiano
RESUMO

Em entrevista à Folha, a professora da Universidade Harvard, Gabriella Blum defende que os "drones", veículos não tripulados, serão utilizados pela sociedade civil dentro de pouco tempo. Muito usados em atividades militares, as engenhocas serão utilizadas na forma de brinquedos, aspiradores de pó e na vigilância policial.
O futuro é dos "drones", e o futuro está muito mais perto do que você imagina. A palavra que define os veículos não tripulados, operados remotamente no ar, na terra ou na água, foi roubada do inglês (significa "zangão"). Hoje eles são produzidos em pelo menos 45 países, inclusive no Brasil.
Antes exclusivos do arsenal militar, começam a migrar para o cotidiano na forma de aspiradores de pó, brinquedos e sistemas de vigilância policial. E, em um futuro próximo, talvez na forma de aranhas que poderiam matar você no banheiro de sua própria casa.
A sorrateira aranha -a assassina perfeita, que não deixa pistas e oculta o mandante- é uma imagem exagerada que a professora de leis humanitárias Gabriella Blum, da Universidade Harvard, criou para sublinhar que esse tipo de robô não está mais confinado às operações contrainsurgentes conduzidas pelos americanos no Afeganistão e no Paquistão.
Especialista em legislação de conflitos armados e operações de contraterrorismo, a pesquisadora israelense alerta que a banalização dos drones não só vai embaralhar as leis da guerra, mas também a vida em sociedade, ao transformar qualquer indivíduo em mini-Exército potencial.
O cenário que Gabriella desenha no ensaio "Invisible Threats" (ameaças invisíveis, leia em bit.ly/invisiblethreats) tem as cores sombrias de "Blade Runner" (1982), com o perturbador agravante de soar mais iminente e verossímil.
Diferentemente do filme de Ridley Scott no qual Harrison Ford vive um caçador de androides, o ensaio trata de fatos já em curso, que podem alterar nosso modo de convivência, com a disrupção do contrato social e a ascensão de uma sociedade de todos contra todos.
Adaptar regras e leis a essa realidade, diz Gabriella, será tarefa custosa e sempre em atraso, já que a tecnologia avança mais do que nossa capacidade de regular.

Gabriella concedeu à Folha, por telefone, a entrevista a seguir. 

Folha - Estamos preparados para os drones em nosso dia a dia?
Gabriella Blum - Preparados ou não, é a realidade. Como sociedade, não estamos. Ainda pensamos em drones como algo da esfera militar, associamos a algo com o Paquistão ou o Iêmen, uma coisa de zona de guerra, operada pelo governo.
Estamos longe de aceitar que será uma parte mais endêmica da vida. Mas a polícia de Nova York já fala em drones para vigilância. Na internet, no site diydrones.com, você pode comprar um drone ou aprender a fazer um. Veremos gente usando como brinquedo, e talvez isso nos conscientize. 

No nosso imaginário, a evolução da robótica nos levaria a um cenário como o de "Blade Runner". Essa era a "ameaça". O que faltou ao debate?
Seja com a internet ou com o fogo, toda tecnologia tem uso para o bem e para o mal. Toda vez que uma delas surge, surgem visões do fim do mundo. Isso não é razão para temer a evolução tecnológica, já que os benefícios tendem a ser maiores que os riscos, e essas visões raramente se concretizam.
Com a robótica é assim. O que falta ao debate, sobretudo no caso dos drones, é entendermos que isso não é mais questão do governo. Como a internet e a bioengenharia, não é algo de que o governo seja dono ou sobre o que exerça monopólio. A tecnologia existe para todos. 

Por que nos falta essa consciência?
As pessoas não foram expostas a outros usos [além do noticiário de guerra]. É preciso saber que drones não são algo que o governo fabrica, mas que é desenvolvido por empresas privadas e comprado pelo governo; é preciso saber que há drones à venda na internet; que as universidades dos EUA e de outros 44 países estão trabalhando para desenvolvê-los com propósitos benéficos -o que nos traz de volta a questão do duplo uso.
Veja a aplicação na vigilância. Eles podem ser usados para perseguir terroristas e criminosos, ou para ONGs rastrearem refugiados. Só que o público não nota como isso ficou comum e ficará mais ainda. 
 
Seria possível regular um mercado como o de drones?
A regulamentação é complicada porque se dá em dois eixos. O primeiro é a questão de política. Veja o caso da internet. Queremos liberdade de informação, sem censura. Ao mesmo tempo, tememos as consequências da liberdade total, ameaças à segurança e à proteção da propriedade intelectual.
No caso dos drones, podemos não gostar que a polícia de Nova York nos vigie como um "grande irmão", mas é bom que ONGs possam usá-los com propósito humanitário. As regras teriam que equilibrar valores concorrentes que prezamos como democracia.
O segundo eixo é a velocidade. A tecnologia sempre avança mais rápido do que qualquer regulamentação, fazendo com que, no momento em que a regulação esteja pronta, ela se torne obsoleta.
Além disso, sempre há brechas: se houver uma lei para drones vigilantes, ainda poderemos comprar um de brinquedo e acoplar uma câmera. É algo difícil de policiar. 

Seu ensaio afirma que o conceito de soberania mudará. A banalização dos drones dificultará a adaptação dos Estados aos atores não estatais?
É uma ameaça, e não acho que seja debatida ou pensada como deveria. O 11 de Setembro modelou o discurso nos EUA. Passamos a discutir paradigmas, guerra vs. crime, território vs. extraterritório, doméstico vs. internacional, cidadão vs. estrangeiro. O terrorismo transnacional borrou essas categorias. Não só ele, mas o mundo cibernético, o comércio, as pandemias.
A forma certa de pensar nos drones é como tecnologia de poder às massas, que permite a grupos e indivíduos desafiar o Estado com meios que antes eram monopólio de outros Estados. Isso dissemina ameaças e vulnerabilidades. Todo indivíduo será uma ameaça potencial e potencialmente vulnerável. 

Seremos mini-Exércitos.
Sim. Pense no Estado. Se você olhar [Thomas] Hobbes [1588-1679], a ideia é que há um contrato social pelo qual os indivíduos, para se preservarem do estado de natureza, da anarquia, abdicam do direito de usar poder e o transferem ao governo, que os protege de si mesmos e de ameaças externas.
Os países têm hoje diferentes graus de sucesso nessa proteção. A preocupação com esse nível de poder às massas é que o governo precisará proteger as pessoas de muito mais fontes potenciais de ataque. É mais fácil proteger um país de outros 200 do que proteger cada indivíduo dos outros 7 bilhões. 

Os drones vão permitir ferir ou matar sem ser identificado.
Sim, há contratendências. A tecnologia nos faz viver por mais tempo e melhor, e isso contribui para uma redução da violência e da agressão. Mas, se você distribui essas tecnologias pelo mundo ao mesmo tempo em que há um declínio do poder do Estado, a preocupação com a democratização da violência é real. 

Esse é o debate sobre a posse de armas nos EUA. Ele só vai piorar?
Os grupos de defesa dizem que a resposta às armas não é regulamentação, mas mais armas. Não creio que funcione. O caso das armas é um exemplo da dificuldade de regular. A ideia de balanço de poder pode ser entendida no contexto da Guerra Fria [1945-1991], com duas potências, simetria, mediadores. Mas não se o equilíbrio buscado é entre milhões de pessoas. 
 
O papel dos Exércitos vai mudar?
Acho que já está acontecendo. Há robôs sendo desenvolvidos para servir na infantaria, fazer remoções médicas. Mas há perguntas sobre até que medida uma máquina pode substituir um ser humano na tomada de decisões e em que momento é preciso que um ser humano avalie uma ação destrutiva.
Veremos uma demanda crescente nas Forças Armadas por gente com conhecimento em tecnologia. Mas muitas outras funções serão executadas por máquinas. Uma ideia a ser evitada é a de que poderemos resolver nossas guerras com máquinas. Para vencer uma guerra, é preciso causar dor, e, para causar dor, é preciso matar gente, não destruir máquinas. Isso vai trazer as bases domésticas para a linha de frente e embaçar distinções entre civis e combatentes. Os conceitos terão de ser revistos, sobre conflito, inimigo, alvos legítimos e mesmo violência em geral. 

Pode haver ascensão, da parte dos Estados, de regras de combate definidas no meio do jogo, como na chamada Guerra ao Terror?
Acho improvável um acordo internacional sobre uso militar dessas máquinas. O que vejo são duas tendências opostas. Uma é a maior cooperação entre nações, porque será preciso localizar indivíduos, e fica turva a jurisprudência.
Vejo maior cooperação porque as fronteiras serão ainda menos relevantes, e, ao mesmo tempo, mais ações unilaterais -quando não houver cooperação, os países mais fortes agirão sozinhos.
Nas guerras, acho que veremos uma evolução a um policiamento mais agressivo. Não deve haver mais um coletivo anônimo de uniforme que você possa identificar. Será preciso investir em inteligência para saber quem está por trás de um ataque e então ir atrás. 

Isso já ocorre?
Um pouco no mundo cibernético, quando o governo tenta perseguir um grupo como o Anonymous [de hackers] e pegar um membro para revelar os demais. E há a ascensão de grupos justiceiros. Surge uma nova forma de "justiceiros comunitários", cada vez mais cidadãos tentam fazer o papel do governo [em segurança]. Isso é perigoso. 

A sra. lista usos positivos dos drones. Por que descrever o pior cenário?
Isso é apocalíptico, mas não inimaginável. Abro o ensaio com a aranha porque queria humanizar o cenário. Para passar a mensagem de que não é uma ação do governo no Paquistão, que não vai afetá-la porque você não é um terrorista na Somália, mas algo que será parte inerente das nossas vidas.
Não que eu ache que todos entraremos no banheiro e encontraremos aranhas-robôs assassinas. Mas em alguns anos estaremos cercados de drones que farão coisas maravilhosas, mas que poderão fazer coisas horríveis.
A discussão é o que isso vai mudar fora do campo de batalha e o que significa viver cercado por essas máquinas. 
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Reportagem por  LUCIANA COELHO
Fonte: Folha on line, 05/08/2012
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Cem anos de mistério

Marcelo Gleiser*

Raios cósmicos afetam de viagens espaciais à memória de computadores, mas sua origem ainda é controversa 
Neste mês, físicos celebram o centenário da descoberta dos raios cósmicos, esses chuveiros de partículas vindas do espaço. Apesar de hoje conhecermos bem sua natureza e composição, muitas perguntas permanecem em aberto, especialmente com relação aos raios cósmicos ultraenergéticos.
Que processo natural é capaz de acelerar partículas a energias milhões de vezes maiores do que as atingidas no colisor de partículas do Cern, onde foi descoberto o bóson de Higgs?
Apesar do nome, raios cósmicos têm uma importância prática, já que produzem 13% da radioatividade natural a que somos expostos. Tripulações de aviões recebem o dobro dessa radiação, e astronautas mais ainda. Aliás, raios cósmicos são um dos fatores que complicam viagens espaciais mais longas, como a ida de humanos a Marte.
Também interferem no funcionamento de computadores, causando erros de armazenamento de dados. Num estudo de 1990, cientistas da IBM estimaram que raios cósmicos induzem um erro para cada 256 megabytes de RAM por mês.
Em agosto de 1912, o físico austríaco Victor Hess subiu num balão até 5,3 km medindo o fluxo de partículas vindas do céu. A expectativa era de que o fluxo diminuiria com a altitude, exatamente o oposto do que Hess descobriu. A conclusão era clara: as partículas vinham do espaço.
Nas décadas seguintes, a composição dos raios cósmicos foi decifrada: 90% são prótons; 9% são núcleos dos átomos de hélio, as partículas alfa; 1% são elétrons. Uma pequena fração deles vem de núcleos atômicos forjados meros minutos após o Big Bang. Quando essas partículas se chocam com moléculas da atmosfera, a transformação de sua energia de movimento em matéria, segundo a fórmula E=mc2, cria uma reação em cadeia, um "chuveiro" de partículas.
A maioria dos raios cósmicos vem do Sol. Mas o mecanismo que gera os mais energéticos ainda é desconhecido. Certamente são criados em eventos astrofísicos dramáticos. Dos vários candidatos, dois têm destaque: buracos negros gigantes que existem no centro de galáxias ou explosões de raios gama, os eventos cósmicos mais energéticos que conhecemos, provavelmente causados quando uma estrela colapsa e vira uma estrela de nêutrons ou um buraco negro, ou quando duas estrelas de nêutrons colidem.
Um experimento recente da Universidade de Wisconsin, nos EUA, chamado de IceCube, apresentou evidências contra a hipótese de as explosões de raios gama serem responsáveis pelos raios cósmicos ultraenergéticos. A teoria prevê que raios gama e muitos neutrinos são gerados quando estrelas explodem e viram supernovas. Mas o IceCube não detectou sequer um neutrino vindo dessas explosões, o que torna difícil entender de onde vêm as partículas dos raios cósmicos.
Por outro lado, o Observatório Pierre Auger, onde trabalham vários brasileiros, viu forte correlação entre núcleos de galáxias ativos -onde há buracos negros gigantes- e raios cósmicos ultraenergéticos. Mas o debate ainda contiua.
Qualquer que seja a explicação, tais raios são uma ponte entre nós e os confins do espaço, reforçando nossa profunda relação com as grandes escalas do Cosmos. 
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* MARCELO GLEISER é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor de "Criação Imperfeita". Facebook: goo.gl/93dHI
Fonte: Folha on line, 05/08/2012
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Resposta à fome do mundo

Josué Gomes da Silva*

Semana passada, ratifiquei a opinião de Dani Rodrik, professor na Universidade Harvard (EUA) e respeitado economista, quanto às boas perspectivas de o Brasil continuar crescendo, do nosso mercado interno, do equilíbrio das contas públicas e da democracia consolidada. Acrescentei à análise o nosso diferencial competitivo referente à imensa reserva hídrica.
Mas, há outros fatores significativos favoráveis ao país, entre eles, a disponibilidade superior a 300 milhões de hectares de terras agriculturáveis.
São mais de 100 milhões de pastagens, dando sustentabilidade à criação de gado de corte e, parte das quais, se necessário, pode ser adequada à cultura de outros alimentos.
São poucas as nações com áreas disponíveis à agropecuária que não impliquem desmatamento. Somos, de longe, os campeões no quesito, em plenas condições de conciliar produção/segurança alimentar com a preservação ambiental.
Temos clima diversificado, chuvas regulares, energia solar abundante e mais de 12% de toda a água doce do planeta: tudo o que a natureza precisa para fertilizar a terra e prover abundância.
O melhor é que sabemos aproveitar esse potencial, agregando tecnologia de ponta ao agronegócio, onde a Embrapa e outros institutos de pesquisas têm sido fundamentais. Nossa produção de alimentos cresceu 120% nos últimos 15 anos.
Tais números e dados brasileiros são a melhor resposta às inquietações da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) quanto à necessidade de se aumentar em 70% a produção mundial de comida até o ano 2050, quando a população da Terra superará nove bilhões de pessoas.
Os técnicos do organismo multilateral acreditam que 80% dos alimentos necessários ao atendimento dessa grande demanda virão do aumento da produtividade (temos tecnologia para isso!) e 20%, de novas áreas agricultáveis (temos disponibilidade para isso!).
O Brasil é uma ilha de fertilidade, pois há países nos quais já falta espaço para plantar e criar rebanhos e onde a água, elemento essencial à vida, é extremamente escassa e a pouca que se tem disponível está poluída, portanto imprestável.
E somos potência agrícola, ainda que nos falte logística eficiente e competitiva, o que reduz muito a renda do produtor. Mas há obras de infraestrutura em andamento e, quando prontas, irão contribuir muito.
O Brasil tem, portanto, a faca e o queijo (...o leite, a carne, a soja, o café, os grãos, as frutas...) para se tornar a grande referência e protagonista da segurança alimentar.
Não há dúvida de que esse potencial pode ser cada vez mais convertido em vantagem competitiva, crescimento econômico e desenvolvimento. 
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* Colunista da Folha
Fonte: Folha on line, 05/08/2012
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10 países mais ricos do mundo


10 paises mais ricos do mundo 10 países mais ricos do mundo
Lista de quais são os 10 países mais ricos do mundo
 
A lista dos 10 países mais ricos do mundo  está cada vez mais formada por países emergentes, enquanto os países desenvolvidos permanecem iguais ou em crise. Para quem não sabe, a riqueza de um país é medida de acordo com o PIB (Produto Interno Bruto), ou seja, os 10 países mais ricos do mundo são aqueles que atingiram o maior número do PIB.
Para o orgulho dos brasileiros, no ano de 2012 o Brasil foi um dos países emergentes que conseguiu entrar nesse top 10.

Abaixo você confere a lista dos 10 países mais ricos do mundo:

10°  – Em décimo lugar com um rápido crescimento atual do PIB no valor de USD $ 2.012.760 trilhão de acordo com a previsão que foi feita para 2011, nós temos a Índia.
Alguns dos motivos que levaram a Índia a progredir e alcançar esse posto foram os grandes investimentos empresariais, os seus produtos agrícolas e também o seu consumo privado.

– Na nona posição temos a Rússia que arrecadou USD $ 2,117.245 trilhões.
Seu plano é se aperfeiçoar sempre devido a média anual do PIB 6,7% ao ano. Para isso o objetivo é investir em desenvolvimentos industriais e em outros fatores dos setores econômicos.

- Em oitavo lugar temos um dos oito membros das nações industrializadas do G8, a Itália. Arrecadando um total de USD $ 2,287.704 trilhões no PIB.

Reino Unido conquistou a sétima posição, apesar de ter sido por uma recessão nos últimos anos, ele ainda é um dos poucos países que mantem a sua economia estável. Seu PIB é de  USD $ 2,603.880 trilhões. 

– Na sexta posição finalmente temos o nosso Brasil, acima de muitos gigantes da economia o Brasil conseguiu conquistar o sexto lugar com o arrecadando o valor de USD $ 2,616.986 trilhões no PIB, antes do começo de 2012.

- A França conquistou a quinta posição com o PIB acumulado no valor de USD $ 2,888.907 trilhões. Sendo considerada graças a sua concentração bastante diversificadas de indústrias, a segunda maior força econômica na Europa.

– Na quarta posição com o PIB no valor de USD $ 3,707.790 trilhões temos a Alemanha, que teve um crescimento de 0,31% .

– Em terceiro lugar com o crescimento médio de 0,52% e o PIB no valor de US $ 6,125.842 trilhões encontramos o Japão, que se mantem entre os cinco primeiros na lista dos 10 países mais ricos do mundo, desde 1960, mesmo tendo enfrentado algumas crises como os tsunamis.

– Em segundo lugar com o PIB acumulado no valor de  USD $ 7,744.133 trilhões antes do final de 2011 e com o crescimento de 2,15% , temos a China.

– Finalmente em primeiro lugar, temos ninguém menos que os Estados Unidos da América, com o PIB acumulado no valor incrível de US $ 15,495.389 trilhões, e não podia ser diferente já que eles são considerados a maior economia do mundo.
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 Fonte:  http://www.dicasdiarias.com/10-paises-mais-ricos-do-mundo/05/08/2012

sábado, 4 de agosto de 2012

Igreja: uma rede social que rejeita o ''peer-to-peer''

Hoje Jesus de Nazaré seria um hacker, um blogueiro? Quantos seguidores ele teria no Twitter? Teria uma conta do Twitter? Perguntas de ficção-teológica, inspiradas pela leitura de Cyberteologia. Pensare il Cristianesimo al tempo della Rete (Ed. Vita e Pensiero, 2012, 148 páginas), de Antonio Spadaro.

Diretor da mais que notável e centenária revista dos jesuítas, La Civiltà Cattolica, Spadaro é muito ativo na rede. Crítico literário, fundou em 1998 o blog Bombacarta – escritas e expressões criativas, e, partir de 2011, o blog Cyberteologia, ao qual está associado o jornal online The CyberTheology Daily.

Os títulos e subtítulos dos capítulos são cativantes: "O homem decoder e o sistema de busca de Deus", "Uma Igreja hub?", "A Revelação no bazar", "Corpo místico e conectivo", "Do microfone sobre o altar à oração do avatar"...

Spadaro não é um frequentador ocasional da rede, ele está imerso, mas não afogado, como acontece com muitos adeptos aos trabalhos. Partícipe, não fanático. Está disponível a ser interrogado pela rede, e por isso as suas descrições e análises não são óbvias e são úteis até mesmo para aqueles que sentem um cheiro ruim diante da palavra teologia.

Ciber-, neuro-, nano- são prefixos que atraem muito e promovem, ipso facto, um produto cultural tão atraente e irresistível. Ciberteologia não é exceção. O seu significado pode variar de um nível básico de reflexão teológica costumeira sobre a web, até o reconhecimento da natureza "mística", quase sacramental, da rede. Não por acaso, Spadaro, no último capítulo, recorda o coirmão Teilhard de Chardin, que, desde 1947, falava de noosfera, uma complexo membrana de conhecimento, uma "rede nervosa que envolve a superfície inteira da Terra".

O Vaticano não deixou de punir Teilhard por isso e pelas suas convicções evolucionistas, embora, como é a prática consolidada, o tenha alistado novamente 60 anos depois. O mundo "secular" italiano também se livrou dele suficientemente. Veja-se a sarcástica poesia que Montale lhe dedicou, A un gesuita moderno.

Spadaro é bem atento para não se deixar sugar pela rede, reconhece as suas características religiosas presentes até na linguagem idioma elementar, "salvar", "converter", "compartilhar"... e acima de tudo sabe que o cibermundo se constitui justamente como sacramento, ex opere operato, diriam os teólogos de escola, porque não só representa a realidade, mas é capaz de produzi-la. Não um simples instrumento, útil para amplificar pregação e presença da Igreja na sociedade, como o microfone, o rádio, a televisão, mas sim um ambiente que age e gera a si mesmo.

Por isso, é inaceitável para o autor toda forma de Igreja Opensource em que os fiéis participam na sua construção e na sua "manutenção" em vida em uma espécie de Wikicclesia permanente. Um dos teóricos dessa posição é um teólogo norte-americano de confissão presbiteriana, Landon Whitsitt, do qual se pode pensar o que se quiser, mas que aqui nos permite enfatizar um limite consistente da Cyberteologia que traz como subtítulo “Pensar o Cristianismo no tempo da Rede”. Segundo uma enraizada tradição italiana, não só clerical, o cristianismo aparece sempre como sinônimo de Igreja Católica: de fato, defende Spadaro, esta não pode estar em uma relação entre pares, peer-to-peer, mas deve ser colocada no modelo oposto, client-server, em que são indispensáveis mediações sacramentais e hierárquicas.

A Igreja é, sim, uma grande rede social, um bem comum, poderíamos dizer, um google conectivo que estabelece relações, mas em que não se pode se diluir nem exaurir, porque – afirma Spadaro –, antes de tudo, é um Corpo Místico unido a Cristo, segundo uma sintética afirmação dada por Paulo na Carta aos Romanos. O que seria uma bela forma de dizer que, com as formas da rede, certamente é preciso fazer as contas, que a virtualidade é volátil, que as "comunidades" criadas pela rede são transitórias, que é importante estar na rede com a condição de saber sair dela, apesar da instabilidade das fronteiras entre virtual e real, que se não há vida offline é bastante improvável que se crie por si só online, que o corpo digital interfere no corpo orgânico, mas (por enquanto?) não o substitui.

O problema é que, quando um católico evoca o Corpo Místico – tendo à disposição também uma outra noção de Igreja, a de Povo de Deus –, em última análise, quer significar Igreja Católica Apostólica Romana. De fato, de todas as possíveis e necessárias formas de resistência ao canibalismo da rede, Spadaro privilegia a plataforma da liturgia católica, justamente a sacramental e eucarística da "presença real", mesmo que não lhe escape a temível palavra transubstanciação. Um romanocentrismo desses joga no lixo, com um simples "delete" teológico, todas as coletividades cristãs, mas não só, confrontadas com novas formas de conectividade, comunhão, cooperação através da rede, e daí no mundo, e que não se reconhecem na centralidade católica.
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 A reportagem é de Claudio Canal, publicada no jornal Il Manifesto, 01-08-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Fonte: IHU on line, 04/08/2012

“Com expansão, formação de professores deve ser prioridade”.

Liz

Para Liz Reisberg, do Boston College, o principal desafio das universidades é formar professores qualificados para reverter queda de qualidade provocada pela expansão
Seguindo a tendência mundial, o Brasil tem passado por um processo meteórico de expansão do ensino superior. Mas a crescente universalização tem um efeito colateral grave: a queda da qualidade, de acordo com Liz Reisberg, do Boston College (Estados Unidos). Segundo Reisberg, nesse contexto, a formação de professores qualificados passa a ser a prioridade número um para países como o Brasil.
Pesquisadora do Centro para Educação Superior Internacional (CIHE, na sigla em inglês) do Boston College, Reisberg é considerada uma das principais especialistas em questões relacionadas à internacionalização, acesso, equidade e qualidade e na reforma do ensino superior na América Latina. Sua experiência no continente teve início durante o doutorado, sobre novas estratégias para aprimorar a qualidade do ensino superior na Argentina.
Consultora de diversas universidades, governos e agências internacionais, Reisberg foi coautora do relatório Tendências Globais da Educação Superior: rastreando uma revolução acadêmica, publicado em 2009 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
Entre os dias 18 e 21 de julho, Reisberg participou da organização e das atividades da 1ª Escola Zeferino Vaz de Educação Superior (eZVes), realizada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O evento reuniu dirigentes do ensino superior e alguns dos principais especialistas do mundo na área, com a finalidade de analisar e debater as tendências e desafios desse setor educacional.
Em São Paulo, Reisberg concedeu a seguinte entrevista:

EXAME: O que caracteriza de forma mais marcante as tendências globais do ensino superior?
Liz Reisberg –
À medida que passamos de uma sociedade de trabalhos manuais para uma sociedade tecnológica, o ensino superior ganhou mais importância e mais responsabilidade em relação à inovação e ao desenvolvimento econômico. Aumentou muito a mobilidade de estudantes e pesquisadores e a cooperação internacional entre as instituições. Mas talvez a característica mais marcante dessas mudanças, especialmente na última década, seja uma tendência à expansão e universalização do ensino superior.
Países como Brasil, Índia e China estão no centro das atenções, porque são sociedades que se modernizaram e ganharam muita importância na economia internacional, gerando uma demanda muito grande de mão de obra qualificada. O ensino superior nesses países se tornou uma prioridade urgente e a expansão das universidades nesses lugares tem sido imensa, especialmente no Brasil. Só que essa expansão gerou também um grande problema: inserir mais gente no ensino superior tem um impacto importante nos custos e na qualidade desse ensino.

EXAME – É possível conciliar expansão e qualidade?
Reisberg –
É muito difícil. Acesso, custo e qualidade são fatores estreitamente correlacionados, não se pode alterar um deles sem ocorrer impactos sobre os outros. É preciso encontrar um equilíbrio, mas isso não tem acontecido. Brasil, Índia e China expandiram muito rapidamente e a qualidade caiu demais. É muito fácil controlar o equilíbrio entre expansão, custo e qualidade quando só se tem 5% ou 6% da população com idade universitária inserida no sistema de ensino superior.
Mas quando se está na situação de grande parte dos países hoje, com 40% ou 50% dos jovens nas universidades, a dificuldade para encontrar esse equilíbrio se torna um pesadelo. No Brasil o que se tem feito é expandir, em primeiro lugar, enquanto a preocupação com a qualidade vem a reboque.

EXAME – Esse impacto da expansão na qualidade se deu tanto no campo do ensino como no campo da pesquisa?
Reisberg –
Estou me referindo ao lado educacional. A pesquisa está restrita a um número muito pequeno de instituições. Apesar da enorme expansão universitária, o Brasil provavelmente não aumentou seu número de pesquisadores no mesmo ritmo. O país tem um grupo de elite produzindo pesquisa de classe mundial, um grupo concentrado, e muito poucas universidades. Mas não acho que a qualidade da pesquisa está afetada pela expansão. O país precisa ainda aumentar o número de pesquisadores.

EXAME – Por que a expansão exerce tanto impacto negativo na qualidade do ensino? Há falta de professores?
Reisberg –
É muito mais fácil expandir o número de estudantes que aumentar o número de professores qualificados. Para produzir um professor novo, é preciso pelo menos seis anos, normalmente oito anos, às vezes dez anos. É um processo muito longo. Podemos aumentar muito o número de estudantes em um ano, com uma decisão política.
Acho que por trás do problema da qualidade – em particular no Brasil, China e Índia – temos um lapso entre o número crescente de estudantes e o número de professores qualificados. É um imenso desafio. Vejo o programa Ciência Sem Fronteiras como uma tentativa de aumentar o número de professores qualificados, mas é preciso mais. A China está fazendo algo semelhante, mas não na mesma escala, o que é surpreendente, porque eles precisam ainda mais de professores qualificados.

EXAME – O que poderia ser modificado na maneira como são formados os professores?
Reisberg –
Acho que há algumas soluções criativas que o Brasil não está aproveitando. Uma delas é abrir mais espaço para professores que tenham apenas o mestrado, mas não doutorado, formando equipes com apenas um professor doutor, que trabalharia como mentor.
Esse professor sênior poderia, ao mesmo tempo, dirigir e avaliar a atuação dos outros docentes em sua atividade de ensino e ajudá-los a capacitá-los como pesquisadores. Até onde sei, o Brasil não está usando esse recurso. Além de enviar gente para fora do país ou para programas de doutoramento, é importante investir na capacitação dos professores que já têm mestrado, usando a qualificação dos professores doutores como guia.

EXAME – É possível elevar a qualidade do ensino ao nível da pesquisa feita no Brasil?
Reisberg –
Sim, contanto que as prioridades sejam repensadas. Todo sistema de ensino superior tem pesquisadores, mas não é correto pensar que todos os professores precisam ser excelentes pesquisadores. Eles precisam ter boas habilidades de pesquisa apenas para transmitir essas habilidades aos alunos, mas não é todo professor que precisa necessariamente fazer pesquisa importante. O que precisamos é ter bons professores. Ter bons professores é mais importante que ter bons pesquisadores.

EXAME – Por quê?
Liz Reisberg –
Um dos problemas que discutimos no workshop na Unicamp foi que a maior parte das pessoas que vão à universidade, no Brasil, está apenas em busca de inserção em uma carreira profissional. Formam-se muito mais profissionais do que pesquisadores. Esses estudantes precisam de ensino de excelência. Só que no Brasil o sistema recompensa apenas os bons pesquisadores, mas não recompensa nem incentiva os bons professores.
Na maior parte dos países ocorre o mesmo: os docentes são avaliados pela quantidade de pesquisa que produzem. Esquecem que a maior parte dos alunos precisa exatamente de excelência no ensino. Repito: nem todos os professores precisam ser ótimos pesquisadores. É preciso dar mais ênfase em cultivar a excelência no ensino. Esse é um novo movimento no mundo, uma tendência.

EXAME – Para estimular a excelência do ensino, então, é preciso repensar todo o sistema de ensino superior?
Reisberg –
Não necessariamente. Muita coisa pode ser feita isoladamente. Por exemplo, durante o workshop em Campinas, o professor Peter Dourmashkin falou sobre a experiência de ensinar Física no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Eles perceberam que muitos estudantes no primeiro ano fracassaram, ou simplesmente desistiram da carreira, alegando dificuldades. Peter e seus colegas descobriram que o problema não era que a física era muito difícil, mas que estava sendo mal ensinada. Tiveram que mudar completamente a maneira de ensinar e obtiveram sucesso.
Tratava-se de uma situação pela qual todos já passamos: temos um excelente pesquisador ensinando ciência, mas talvez ele seja um péssimo professor. Isso desilude muitos estudantes. No MIT, uma das principais instituições científicas do mundo, eles admitiram: não estamos fazendo um bom trabalho de ensino. Ensinar, para mim, é de maneira geral uma atividade criticamente subvalorizada nas universidades, mas reconhecer o problema já é um grande passo.

EXAME – A senhora disse que nem todo professor precisa ser um grande pesquisador. Todas as boas universidades precisam se dedicar à pesquisa?
Reisberg –
Precisamos parar de pensar que todas as universidades se tornem instituições de excelência em pesquisa e começar a pensar em um sistema de classe mundial. Precisamos desenhar sistemas nacionais para abordar uma gama mais ampla de necessidades para a educação superior.
Nem é preciso que o Brasil invista só em universidades. Seria importante investir também em um nível universitário mais técnico, de curto prazo. No Brasil, acho, há um grande lapso entre a escola secundária e a universidade. Se tivéssemos mais desses programas, talvez fosse possível atenuar essa lacuna e dar a esses jovens as habilidades que eles não tiveram na escola secundária.

EXAME – Qual sua opinião sobre o vestibular como sistema de acesso à universidade?
Reisberg –
É problemático, mas não conheço nenhum país que resolveu isso. O Enem poderia ser uma solução interessante, mas o problema é que acaba privilegiando os estudantes de escolas privadas, que têm melhor qualidade. É um padrão de qualidade interessante para selecionar os alunos, mas gera um problema de equidade. A China tem um exame nacional com foco no mérito, o que resolve o problema da equidade.
Mas a competição é tão acirrada e o estresse é tão grande – os candidatos chegam a estudar 13 horas por dia – que o fracasso muitas vezes leva ao suicídio. Não acho que seja uma boa ideia. É justo em relação ao mérito, mas destrói a saúde mental das pessoas. É realmente muito difícil pensar em uma alternativa. Gosto muito do que a Unicamp está fazendo como o ProFis [Programa de Formação Interdisciplinar Superior].

EXAME – Por que a senhora admira o ProFis?
Reisberg –
Trata-se de um curso piloto voltado para estudantes que cursaram o ensino médio em escolas públicas de Campinas. Os estudantes são selecionados pelas notas do Enem e recebem uma visão integrada das várias áreas, por dois anos. Os que obtêm sucesso podem ingressar na Unicamp sem vestibular.
É um experimento muito interessante. É uma maneira de diminuir a lacuna entre a escola secundária e a universidade também. Acho que não é perfeito, mas dá mais acesso à oportunidade de entrar uma universidade de qualidade. É uma alternativa muito inovadora que não requer diminuição da qualidade.

EXAME – A privatização, a terceirização, a cobrança de taxas e mensalidades em universidades públicas foram consideradas pelo relatório da Unesco como tendências. No Brasil há grande resistência a isso. Qual sua opinião sobre essa tensão?
Reisberg –
É uma questão internacional e ninguém tem uma resposta ideal para isso também. Achamos que, em longo prazo, ter um bom sistema de educação superior gratuito não é algo sustentável. É inviável manter esse sistema para sempre, especialmente com a expansão. No Brasil, há uma forte cultura contrária à cobrança.
A gratuidade é vista como um direito que não pode ser retirado. Mas não se trata, nesse caso, de um dogma neoliberal: é uma concepção equivocada afirmar que a universidade tem que ser gratuita, pelo simples fato de que nada é gratuito. A questão é quem está pagando. A ideia da gratuidade é uma armadilha. Adoraria que a educação fosse gratuita, mas isso é insustentável do ponto de vista econômico.

EXAME – Dos sistemas existentes, qual poderia ser apontado como modelo?
Reisberg –
Como eu disse, nenhum é ideal. Mas a Austrália tem um sistema do qual eu gosto muito. Os estudantes são bastante subsidiados, mas pagam algo de acordo com a renda familiar. Ou podem conseguir um empréstimo e pagar de volta. Mas, diferentemente dos Estados Unidos – onde todos precisam ressarcir o investimento no final, com juros –, na Austrália o pagamento é mensal e nunca pode superar 4% da renda do indivíduo.

EXAME – As universidades têm buscado a internacionalização. Há algo que pode ser feito para potencializar esse esforço?
Reisberg –
Reconheceu-se que é impossível hoje viver em um universo restrito ao local e aumentaram muito as cooperações internacionais e intercâmbio de estudantes e pesquisadores. Uma tendência, a partir de agora, é investir em experiências internacionais de período mais curto. Desenvolver programas que possibilitem participações rápidas em programas no exterior. Pode ser por duas semanas, ou um mês, durante as férias.

EXAME – Com as novas tecnologias o acesso à informação ficou muito fácil e isso poderia abrir espaço para uma mudança no conteúdo do que é ensinado na universidade. Essa mudança está ocorrendo?
Reisberg –
Começa a ocorrer, mas está ainda muito longe do que seria satisfatório. No Brasil, me parece que há uma ênfase grande demais no conteúdo. O professor quer passar tudo o que sabe sobre física, psicologia, matemática. É o modelo que fazia sentido há 100 anos. O professor passava, na classe, essa informação que não podia ser conseguida em outro lugar. Agora, podemos encontrá-la no Google.
As pessoas andam com seus computadores no bolso. Por que gastar horas de aula com esse tipo de informação? Seria melhor dedicar esse tempo ao aprimoramento do espírito crítico, à análise, incentivar criatividade, pensamento, colaboração. Dependendo da área, calcula-se que pelo menos 20% do que você aprende na graduação já está obsoleto quando você chega à pós-graduação. Falamos muito nisso no seminário e aparentemente esse movimento já começou no Brasil.

EXAME – Sobre a questão da avaliação da pesquisa na universidade: como encontrar o equilíbrio entre a quantidade de publicações e a qualidade?
Reisberg –
Há uma grande pressão por publicar em alguns países, incluindo o Brasil. Se só recompensamos as pessoas pelo número de artigos publicados, estamos estimulando a pesquisa de baixa qualidade e até mesmo estimulando a fraude dos periódicos que aceitam pagamento para publicar.
Trata-se de uma perversão do sistema, semelhante à questão do equilíbrio entre ser bom pesquisador e ser bom professor. Precisamos nos preocupar em que atitude o sistema está recompensando e como essa escolha influencia a qualidade.

EXAME – Para melhorar a qualidade da pesquisa é preciso criar bons mecanismos de avaliação. Como fazer isso?
Reisberg –
Se eu tivesse essa resposta, sem dúvida ganharia o prêmio Nobel.
Fontes: Exame
http://www.imil.org.br/divulgacao/entrevistas/ptcom-expanso-formao-de-professores-deve-ser-prioridade/

Liberdade religiosa retrocede no mundo, diz pesquisa


A secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton declarou que enquanto alguns países estão afrouxando a “expressão política”, o mundo está deslizando para trás na liberdade religiosa.
Clinto comentou a publicação dos EUA do “Relatório sobre Liberdade Religiosa Internacional” para 2011, em 30 de julho, ressaltando que é  urgente destacar a liberdade religiosa.
O relatório anual destaca violações contra práticas religiosas e grupos religiosos minoritários, identifica seus autores e documenta os métodos usados para restringir a expressão ou crença religiosa.
A China foi criticada por suas contínuas e pesadas restrições sobre as igrejas cristãs não registradas, uigures muçulmanos, tibetanos muçulmanos, budistas tibetanos e praticantes do Falun Gong.
Pelo segundo ano consecutivo, a China estava numa lista infeliz de oito países, que também inclui a Coreia do Norte, o Irã e a Arábia Saudita, designados como países de preocupação especial (PPE) pelo abuso “crônico” e “sistemático” da liberdade religiosa.
A Coreia do Norte ainda é um país “onde a liberdade religiosa genuína não existe e o Irã, onde a liberdade religiosa deteriorou-se de uma situação que já era horrível”, disse Johnson Cook.
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Fontes: The Epoch Times
http://www.imil.org.br/04/08/2012

Julgamentos de "Dom Casmurro"

 Hélio Guimarães*
 
A história da leitura de "Dom Casmurro" sofreu uma reviravolta na década de 1960, quando a crítica americana Helen Caldwell publicou "The Brazilian Othello of Machado de Assis". Nesse livro hoje famoso, que por incrível que pareça permaneceu inédito em português até 2002, Helen defendia pela primeira vez a inocência de Capitu, com ênfase e muitos argumentos (uns mais convincentes que outros, vale dizer).
A professora, tradutora e crítica transferia Bento Santiago, o Dom Casmurro, do lugar de vítima para o banco dos réus. O grande romance brasileiro, lido até então como romance de adultério, no qual a culpa "naturalmente" recaía sobre a personagem feminina, começava nova carreira: a de romance do ciúme de um homem, com todas as implicações psicológicas e sociais desse ciúme.
A partir dali, começou a se cristalizar uma ideia: a de que a "descoberta" de Helen Caldwell teria a ver com o fato de ela ler o romance de Machado de Assis fora do ambiente brasileiro. Professora de literatura grega e latina na Califórnia, um dos centros irradiadores do feminismo na década de 1960, Helen teria sido capaz de enxergar no romance detalhes que até então tinham passado despercebidos aos seus leitores habituais. Para homens e mulheres imersos numa sociedade patriarcal e machista, onde a violência contra a mulher é quase naturalizada, tinha sido impossível até mesmo supor a inocência da figura feminina.
A essa hipótese tentadora e interessante acrescentaram-se recentemente novos elementos, que por décadas estiveram fora do campo de visão dos leitores de Machado de Assis. De fato não foi uma mulher americana quem pela primeira vez cogitou, pelo menos em público, a inocência de Capitu, mas sim dois homens, um brasileiro e o outro americano.
Em 1939, F. de Paula Azzi, crítico sobre o qual pouco sabemos (aparentemente foi um dentista do Exército com interesse diletante pela literatura), problematizou a versão que o narrador constrói sobre a traição de Capitu, até então tomada como favas contadas. Já no início do único artigo que escreveu sobre Machado de Assis, publicado no "Correio da Manhã" do Rio, Azzi fazia uma pergunta atrevida a respeito de Capitu: "Foi ela adúltera ou inocente?"
Em poucos parágrafos, o crítico bissexto chegava a uma constatação inédita: "Veremos que falta no livro prova incontestável de adultério. Não se deve esquecer que as suspeitas de Casmurro começaram após a morte do amigo [Escobar], já então muito tarde para permitir segura comprovação. O certo é que o autor soube dispor tudo calculadamente, com o fito de implantar a dúvida no espírito dos leitores, evitando deixar vestígios positivos de culpabilidade".
O artigo de Azzi, publicado em 30 de julho de 1939, com o título "Capitu, o enigma de 'Dom Casmurro'", saiu novamente em 15 de dezembro do mesmo ano, com o título "O eterno enigma de Capitu", no jornal "Mensagem", de Belo Horizonte. Apesar da razoabilidade de suas hipóteses e argumentos, o artigo foi por muitos anos solenemente ignorado, pelo menos pela crítica mais influente. Esta continuaria a endossar ainda por muitos anos a versão do narrador Dom Casmurro, que chega ao fim do livro concluindo pela traição da mulher e do melhor amigo: "Uma cousa fica, e é a suma das sumas, o resto dos restos, a saber, que a minha primeira amiga e o meu maior amigo, tão extremosos ambos e tão queridos também, quis o destino que acabassem juntando-se e enganando-me... A terra lhes seja leve!"
Alguns críticos mencionaram o artigo de Azzi, mas foi o pesquisador Ubiratan Machado quem trouxe o artigo do "Correio da Manhã" novamente à tona no seu "Dicionário de Machado de Assis", de 2008, reproduzindo-o na íntegra. Na coleção de Plínio Doyle, que está na Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio, localizei o recorte do mesmo artigo publicado no jornal mineiro.
Recentemente, num curso sobre a recepção internacional de Machado de Assis, na Universidade da Califórnia, em Los Angeles, eu e meus alunos nos demos conta de que, antes de Helen Caldwell, outro americano já havia chamado a atenção para o caráter enganoso do narrador e a possível inocência de Capitu.
O escritor, historiador e crítico literário Waldo Frank (1889-1967), num ensaio datado de 1952, que serviu de introdução à tradução de Helen, publicada em 1953, havia colocado com todas as letras a possibilidade da inocência de Capitu: "Desejava poder ter a certeza de que esta Introdução não será lida (destino usual, me dizem, das introduções), ou de que só será lida depois da leitura do livro. Assim eu ficaria à vontade para discutir a ambiguidade central de 'Dom Casmurro': a inocência ou culpa de Capitu, sem prejudicar a inocência do leitor no seu percurso de capítulo a capítulo".
A introdução de fato parece ter tido aquele destino usual das introduções, já que há pouquíssimas referências a ela na crítica machadiana posterior. Nem mesmo a tradutora Helen Caldwell, que sete anos mais tarde publicaria "O Otelo Brasileiro de Machado de Assis", fez menção ao ensaio de Frank, escritor muito conhecido em meados do século passado, estudioso da literatura produzida nas Américas. Entretanto, foi Helen quem levou adiante e às últimas consequências a hipótese da inocência de Capitu levantada pelo seu conterrâneo oito anos antes da publicação do livro sobre "Dom Casmurro".
Nessa história da recepção de "Dom Casmurro", tão cheia de reviravoltas, interessa menos a primazia da hipótese sobre a inocência de Capitu do que a sugestão aí contida de que a crítica depende tanto da "descoberta" individual como da disposição coletiva para legitimar a novidade interpretativa. Por que em 1939 e 1952 a hipótese da inocência não "pegou" (como se diz de certas leis), e tanto Azzi como Frank ficaram falando sozinhos?
Talvez porque apenas a partir da década de 1960, com todos os seus movimentos de contestação, a desconfiança em relação à autoridade do narrador e a hipótese da inocência de Capitu puderam ter alguma ressonância entre leitores que passaram a questionar os papéis tradicionais de homens e mulheres, as relações de gênero e o autoritarismo das estruturas sociais no Brasil. Ou seja, a efetividade de um achado crítico tem tanto a ver com a figura individualizada do crítico quanto com as possibilidades de assimilação desse achado pela comunidade de leitores.
O que se cristalizou a partir da leitura de Helen foi a célebre alternativa entre culpar ou inocentar Capitu. Nas últimas décadas foram promovidos até mesmo julgamentos públicos da personagem e do narrador, com defesas e ataques ardorosos de todos os lados. Isso parece pressupor que a leitura do romance pode e deve levar a uma conclusão e, no limite, à condenação de alguém, resultando no empobrecimento de um romance cuja grandeza se deve justamente ao fato de não se deixar reduzir a essa ou a quaisquer outras duas alternativas.
Nesse sentido, vale retornar ao prefácio de Waldo Frank de 1952 (infelizmente retirado das edições posteriores da tradução de "Dom Casmurro"). Lá, ele defende e sustenta a ambiguidade radical do romance, afirmando que a verdadeira resposta de Machado é que ele não tem nenhuma resposta, pois o que Machado de Assis sabe é a ambiguidade, e "a ambiguidade é a textura e a visão da vida presentes no livro".
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*Hélio Guimarães é professor da área de literatura brasileira na Universidade de São Paulo (USP) e pesquisador do CNPq.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Direitos Humanos e o socialismo do século XXI (I parte)

 Jung Mo Sung*
 

Franz Hinkelammert, no seu mais recente livro "Lo indispensable es inútil: hacia uma espiritualidad de la liberación” (Costa Rica, 2012), diz: 

"Se hoje dizemos que outro mundo é possível, se queremos uma sociedade alternativa, ou o socialismo no século XXI, então creio que é fundamental partir sempre dos direitos humanos. Os direitos humanos não são simples moralismo. O reconhecimento dos direitos humanos é mais bem a condição de possibilidade de uma sociedade alternativa e uma sociedade sustentável, a base de toda sociedade que podemos considerar que vale a pena sustentar.” (p. 96). 

Para entendermos o alcance dessa afirmação, precisamos ter em vista uma mudança fundamental na luta pelos direitos humanos no século XXI.
A luta pelos direitos humanos no século XX se deu fundamentalmente em oposição aos Estados autoritários ou totalitários que negavam os direitos individuais dos cidadãos através, por ex., de torturas e censuras. Na medida em que passamos por processos de democratização política, esse autoritarismo do Estado foi sendo controlado ou diminuído em quase todos os países da América Latina. Por isso, pode parecer a muitos que o discurso dos direitos humanos é algo ultrapassado, restrito hoje a grupos e lutas como Comissão Nacional da Verdade, "Tortura nunca mais” ou lutas contra violência contra minorias. (Não vou discutir aqui a tese de que os DH devem ser substituídos por Direito da Natureza)
Essa primeira impressão esconde um mecanismo perverso: hoje a violação dos direitos humanos é cometida não tanto ou somente pelo Estado autoritário, mas também e principalmente através dos mecanismos do mercado "livre”. Com a globalização neoliberal, o principal "agente” violador dos direitos humanos passou do Estado para o sistema de mercado livre. Por ex., as piores violações contra os direitos humanos na guerra do Iraque não foram cometidas pelo exército norte-americano, que estão sob as leis americanas e internacionais, mas por soldados e agentes profissionais contratados através de empresas privadas, que não estão sob as leis internacionais que colocam limites aos procedimentos desumanos na guerra.
A censura é outro exemplo. A principal forma de censura dos meios de comunicação no mundo hoje não é feita através de mecanismos mais "brutos” das ditaduras, mas de modo muito mais silencioso e sutil pela seleção das versões de notícias que estejam de acordo com os interesses dos conglomerados empresariais por detrás dos meios de comunicação. A censura é feita em nome da liberdade de imprensa.
E o direito fundamental à vida –direito que implica em direito ao emprego, saúde...de todos/as— é massivamente violado, não de modo direto, mas indireto. Estado autoritário mata diretamente, enquanto que o sistema neoliberal de mercado global não mata diretamente, o que faz é não permitir que os pobres vivam. Para assegurar, por ex, a sustentabilidade do sistema financeiro europeu e também global, impõe-se aos países como Grécia, Portugal e Espanha medidas duras que não permitem que milhões de trabalhadores pobres possam sobreviver. Há cálculos que indicam que na Rússia, no período de transição para "mercado livre”, morreram quase três milhões de pessoas por causas dos efeitos dessa liberalização.
Para o sistema neoliberal, o que consideramos indispensável, o direito à vida digna de todas as pessoas, é algo inútil e ineficiente porque implica em medidas que limitam a liberdade do mercado. A defesa do direito fundamental à vida de todos/as se dá hoje prioritariamente contra o sistema de mercado neoliberal que impõe sua liberdade de mercado e os direitos dos grandes conglomerados econômicos, "pessoas jurídicas”, sobre as populações de todo o mundo. Em termos da vida cotidiana, os direitos humanos foram substituídos por "direito do consumidor”, porque, no neoliberalismo, quem não é consumidor não é humano, portanto não possui direitos fundamentais.
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* Jung Mo Sung, autor de "Sujeito e sociedades complexas” (Vozes). Twitter: @jungmosung].
Fonte: Adital on line, 03/08/2012
Imagem da Internet

Compra-me ou devoro-te!

Thomaz Wood Jr.*

O shopping abriga entre as lojas de grife, a primeira loja de cosméticos Sephora do País, que causou tumulto em sua inauguração. Foto: Olga Vlahou

Há algumas semanas, o colega Willian Vieira publicou aqui em Brasiliana o registro etnográfico de suas perambulações pelo novíssimo Shopping JK. Nosso destemido Malinowski mergulhou nas entranhas do novo templo paulistano do consumo, fez contato com seus habitantes e registrou em prosa os exóticos comportamentos e rituais que observou. Sobreviveu à submersão aparentemente sem sequelas. O texto de CartaCapital, como é hábito, contrapõe-se à cobertura caipira da mídia local.
Vieira conta com a admiração deste escriba, cuja taxa de permanência em centros comerciais limita-se a 7 minutos ao ano, tempo necessário para deixar o carro no estacionamento de um estabelecimento local, cruzar a passos largos os corredores e ganhar a rua, rumo a um consultório odontológico vizinho.
Os grandes centros comerciais surgiram há quase 100 anos, nos Estados Unidos. Multiplicaram-se após a Segunda Guerra Mundial, por lá e alhures, acompanhando a expansão dos subúrbios. Desde o princípio, a ideia foi criar um ambiente fechado, destinado a estabelecer certo nível de controle sobre o comportamento das vítimas: os consumidores.
Depois de décadas de expansão, nos Estados Unidos muitos centros comerciais vêm perecendo, vítimas da crise econômica e do comércio eletrônico. No Brasil, os centros comerciais já se contam às centenas e o número continua crescendo. Enquanto o mundo começa a sentir os efeitos da era do consumismo, os países em desenvolvimento continuam emulando os desenvolvidos, clonando seus vícios com algumas décadas de atraso. Hoje, significativamente, os maiores centros comerciais do mundo estão em países em desenvolvimento, tais como China, Filipinas, Malásia, Tailândia, Turquia e Indonésia.
Alguns urbanistas veem os centros comerciais com desconfiança. Os gigantes são frequentemente acusados de provocar a decadência de centros urbanos e de gerar impactos negativos sobre o trânsito. Por estes e outros motivos, alguns países desenvolvidos estabeleceram restrições à construção de grandes centros comerciais.
Sociólogos e antropólogos também costumam torcer o nariz para esses caixotes urbanos, tomados de horror por seus ambientes artificiais e sanitizados. Alguns os classificam como “não lugares”, espaços sem história ou identidade, aos quais multidões afluem sem que os indivíduos estabeleçam contato ou relação entre si, movidos unicamente pelo objetivo de consumir, sejam roupas, filmes, livros, refeições ou “experiências”.
True Stories, filme de 1986, dirigido e estrelado por David Byrne, apresenta uma divertida colagem de personagens e histórias passadas na cidade fictícia de Virgil, no Texas. O centro comercial da cidade é o ponto de encontro dos personagens, referência central de suas existências. Poderia estar em qualquer lugar da Terra, ou aqui e agora.
Consumo e consumismo têm sido objeto de interesse de cientistas sociais há tempos: sociólogos e antropólogos lhes dedicam prosa e verso. Em geral, os incomoda que o marketing e a cultura do consumo tenham um papel tão central em nossa sociedade. Agasta-lhes constatar que o mundo hoje iguala desenvolvimento a consumo. Irrita-os o mantra que afirma que quanto mais desenvolvida for uma sociedade mais seus cidadãos consomem. De fato, para a velha e para a nova classe média sucesso significa acumular bugigangas eletroeletrônicas, panos com marcas e acessórios com grifes, significa comprar uma casa e lotá-la de peças de utilidade incerta e de gosto duvidoso.
Reza uma jocosa definição que a cultura do consumo é um amálgama de valores e comportamentos que se sustenta em três pilares: a mídia, o automóvel e o cartão de crédito. A mídia, especialmente a tevê, diz às hordas o que comprar e onde encontrar; o automóvel as transporta até as fontes; e o cartão de crédito viabiliza a transação, mesmo que o cidadão não tenha fundos.
No entanto, testemunhamos nas últimas décadas sinais de uma embriaguez que antecipa uma ressaca de grandes proporções: degradação ambiental, esgotamento de recursos naturais, invasão da esfera privada pelo mundo do trabalho, fragmentação do núcleo familiar, corrosão dos valores etc. A locomotiva do consumo, que nos trouxe até aqui, ameaça sair dos trilhos e vitimar seus frenéticos passageiros. Os pilotos usam alguma criatividade, unida a respeitáveis verbas de propaganda, para reformar e embelezar a máquina. Diz-se que o consumo agora deve ser responsável, verde e consciente. Mais agora é menos, porém, mais caro. Mas… serão os passageiros sensíveis ao discurso? Será a reforma suficiente para evitar desastres? Descobriremos nos próximos anos, ou não…
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* Thomaz Wood Jr. escreve sobre gestão e o mundo da administração. thomaz.wood@fgv.br

Castells quer tecer alternativas

Às vésperas de lançar novo livro, sociólogo aposta numa articulação entre internet e praças reocupadas, pode reinventar democracia e sociedades
Manuel Castells parece mais disposto do que nunca a derivar, de suas teorias, saídas políticas. Nas próximas semanas, lançará a primeira edição, em castelhano, de “Redes de Indignação e Esperança”, seu novo livro. O autor de obras como ( ), que ajudaram a decifrar tendências de longo prazo da sociedade e da democracia contemporâneas, está convencido de que é preciso intervir rápido, andes que elas se percam.
Observador atento e colaborador ativo dos “indignados” espanhóis, este sociólogo de projeção internacional costuma frisar que a mudança de mentalidades, desejada pelo movimento, requer tempo. Mas será possível esperar?
Castells também tem observado que a velha democracia fechou-se sobre si mesma, devido a dois fatores principais. Uma pequena oligarquia, ligada às finanças, enriquece graças ao Estado. São os aplicadores em títulos públicos, cujos rendimentos biliónários já não estão diretamente ligados à produção: dependem de governantes dispostos a manter juros elevados; a livrar os bancos de controle; a reprimir despesas estatais voltadas a outras classes sociais – como a manutenção dos serviços públicos, aposentadorias e programas redistributivos.
E esta oligarquia, que tem fartos recursos para patrocinar campanhas eleitorais, abastecer a mídia tradicional e produzir intensa ação de “lobby”, associa-se, na maior parte dos países, a uma classe de “políticos profissionais” que tende ao autismo. Preocupados em conservar seu poder, rechaçam as múltiplas chances de democracia que as novas tecnologias viabilizam. Recorrem com frequência à violência policial. Ameaçam permanentemente a própria liberdade na internet.
É na rede, como se sabe, que Castells vê, há muito, a esperança. Aqui, os cidadãos estão multiplicando as formas de produzir colaborativamente, trocar sem tornar-se dependentes de dinheiro, estabelecer redes de informação recíproca. Esta imensa rede de novas relações democráticas e participativas só não se estendeu às instituições porque tal transposição não interessa nem à oligarquia financeira, nem aos políticos profissionais.
Castells não se arrisca a prever o desfecho deste confronto latente. Sabe que há riscos: se o sistema se mantiver hermético, os movimentos “radicalizarão inevitavelmente” – e isso talvez incluia violência, o que pode fazer o jogo das classes dominantes.
Contra este e outros riscos, Castells aposta no próprio movimento – e numa nova virada possível. Graças à indignação, diz ele, as sociedades começaram a superar o medo que as mantinha inertes. Agora, para que não gere apenas raiva, esta indignação precisa converter-se em esperanças e em alternativas. É este desafio que o professor catalão – expulso da Espanha pelo franquismo e da França por ser considerado articulador dos movimentos de 1968 – parece estar disposto a encarar. A seguir, a edição da entrevista que ele concedeu, em 17 de julho, à rede de TV internacional da Rússia RT. (A.M.)

Você costuma dizer que o poder não está na Casa Branca, nem nos mercados financeiros, mas em nosso próprio cérebro. Por que este é um segredo das elites?
Manuel Castells: Bem, é porque se eles nos contarem isso, perdem o poder. O poder real não é o poder da polícia ou do exército: estes só são utilizados em último caso, quando as coisas estão muito mal para o interesse dos poderosos. O mais importante, se você quiser ter poder sobre mim, é conseguir que eu pense de uma forma que favoreça o que você quer, ou que se resigne. Aí está o poder! Portanto, o essencial é o poder que está na mente, e a mente se organiza em função de redes de comunicação, redes neurológicas no nosso cérebro, que estão em contato com as redes de comunicação em nosso entorno. Quem controla a comunicação controla o cérebro e dessa forma controla o poder.

Movimentos como o Occupy tentam se apoderar das praças e das ruas para dizer que isso não funciona, querem que o poder venha das pessoas. Esse é uma demanda que, para muitos, não terá nenhum resultado na política ou na economia. O que você acha sobre isso?
Manuel Castells: Depende do que você entende como resultado. Se você quer dizer que disso sai um partido político, que ganhe as eleições nos próximos dois anos, não é possível ter certeza. Todos esses movimentos colhem frutos a longo prazo. O slogan mais difundido dos indignados e das indignadas, é “vamos devagar, porque vamos longe”. Vamos longe para onde? Se se produz uma mudança na mente dos cidadãos, depois de algum tempo ela se converterá em mudança social.
Os dados mostram que, na Espanha, aproximadamente 70% dos cidadãos concordam com as críticas dos indignados. A maioria dos cidadãos também pensa que não poderá mudar as coisas a curto prazo. As duas coisas são compatíveis? as pessoas pensam que o movimento tem razão, mas não tem os instrumentos.

Se é uma grande maioria, por que não houve transformações?
Manuel Castells: Não, por que não têm em quem votar. O próprio movimento não quis criar um partido, para não reproduzir a velha política. Existe um abismo tão grande, entre o que seus integrantes pensam e o sistema político real, que não há uma expressão política capaz de representa-los. Por exemplo, se o Partido Socialista tivesse sido capaz de pensar que um movimento assim poderia revitalizá-lo, haveria um caminho. Mas os socialistas envolveram-se totalmente com a especulação financeira. Eles geriram o Banco de España e foram totalmente incapazes de supervisionar o sistema financeiro, porque isso não lhes interessava. Há uma grande lista de motivos pelos quais os indignados desaprovam os socialistas e os socialistas nunca fizeram nada para mudar.
As elites políticas de todos os países optaram por este rumo. Pensam que não há problema, seguem com seus negócios, a única coisa que conta são os votos a cada quatro anos, com uma lei eleitoral que os grandes partidos fizeram para que só eles mesmos pudessem ganhar. Nos Estados Unidos, se não você não é democrata ou republicano, não tem nenhuma chance. Além disso, se você não tem muito dinheiro, não pode ganhar, simplesmente. Não se consegue voto, se não se compra a campanha com dinheiro. As críticas, em todo o mundo, sugerem que este tipo de democracia não é suficiente. Em consequência, sob essas regras do jogo, gastar toda a energia para fazer a política formal, é uma operação sem sentido. Reproduz os velhos esquemas dos grupos de esquerda trotskistas, marxista-leninistas, de todos os tipos, que sempre estiveram nas instituições, mas nunca chegaram a nada. Ou que tentaram a revolução armada – o que ninguém quer, porque é um movimento claramente não-violento. Então, têm que fazer outra coisa, e vão por esse longo caminho da transformação das consciências, para que em algum momento os cidadãos possam tomar outras decisões, e daí podem surgir novas forças políticas.

 "Não acredito nas revoluções violentas, mas acredito em situações de tensão, que vão se multiplicar, e em uma situação de catástrofe econômica e de não-representatividade política, com as pessoas conscientes e críticas e um sistema cada vez mais pressionado, que começa a se defender."

Com outra mudança no jogo? Não é preciso mudar as regras?
Manuel Castells: Um dos grupos do movimento espanhol – porque não é o movimento, mas uma galáxia — pediu que eu fizesse uma proposta de reforma da lei eleitoral. Eu fiz, com um amigo especialista nesse tema. É uma proposta de voto proporcional, de limitar o poder dos grandes partidos, fazer com que, no parlamento, as pessoas que não votam estejam presentes – inclusive visualmente, não como representantes, mas com vazios. Se 30% dos cidadãos não votam, esses 30% devem estar marcados, e as maiorias de devem se constituir sobre o conjunto de cidadãos, não apenas sobre os que votaram.
Há uma série de coisas que se poderia obter, mas há, nas instituições políticas e nos partidos, uma enorme resistência em ser realmente democráticos. Entre outras coisas, porque é um modo de vida, são profissionais da política. Em todos os países, a profissão que está abaixo, na lista de reputações, é a política. Na Itália, incluíram numa sondagem também prostitutas e mafiosos, e eles ficaram em uma posição melhor que os políticos. As pessoas alegavam: “pelo menos, estes dizem o que fazem”.
Existe uma crise de confiança em todo o mundo em relação à classe política. Se isso continuar, em algum momento irão se romper as relações na sociedade, e isso seria muito grave. Na Espanha, há uma situação relativamente calma e pacífica. É sorte que, com 22% de desemprego e 48% entre os jovens, não haja muitos problemas nas ruas. Este movimento canaliza os debates e protestos, oferece uma esperança, principalmente aos jovens, de que podem começar a se organizar e vamos ver o que acontece. Mas se a situação continuar assim, esse movimento necessariamente vai se radicalizar.

Por que as instituições se separaram tanto das pessoas? Por que o abismo foi se expandindo?
Manuel Castells: Primeiro, porque as elites financeiras detêm o poder econômico e montaram um sistema no qual, em vez de emprestar para produzir, o que fazem é vender dinheiro para criar dinheiro artificial e montar uma pirâmide em que tudo é fictício, em nível global. Aumentaram artificialmente os preços dos imóveis, das ações, e concederam empréstimos às pessoas, inclusive sem que estas quisessem. Tinham medo e não entendiam, porque o negócio era vender dinheiro, e empréstimos, em qualquer condição. De forma totalmente irresponsável, do ponto de vista da economia, mas muito interessante para eles, porque todos os grandes executivos que agora estão deixando os bancos saem com indenizações milionárias. Para eles, tudo funcionou muito bem.

 "É quando a internet, como espaço livre 
de comunicação, combinou-se 
com a ocupação dos espaços públicos, 
transformados em ágoras, 
o jogo começou a mudar."

Quando a justiça vai ganhar, nestas regras do jogo que você propõe reconstruir?
Manuel Castells: Quando os cidadãos tiverem capacidade de fazê-lo. Sim, as pessoas podem votar. Mas primeiro, podem fazê-lo apenas a cada quatro anos. Segundo, sob regras muito desiguais. Por isso, é muito complicado mudar através do voto.
A maior parte dos políticos é gente mais ou menos honesta: não é verdade que sejam todos corruptos. Mas qual o objetivo central de um político? Conservar o posto. Esse é o aspecto mais importante, porque, para a maioria, é profissão. Se não fizerem isso, terão que trabalhar como todo mundo. Se mantiverem poder, terão melhores cargos, até porque a maioria não tem nível profissional muito alto.
Então, a classe política se reproduz. Para entrar em um partido, você tem que começar aderindo a um dos grupos internos. É todo um mundo fechado em si mesmo, e esse mundo não tem ar. A novidade é que, com a internet, abriram-se janelas. Porque os políticos e banqueiros, juntos, controlam os meios de comunicação. Não controlam os jornalistas, que por sorte são a linha de resistência, mas orientam os proprietários dos meios de comunicação e, portanto, suas linhas editorias. Por consequência, temos o controle dos meios, das finanças (e, portanto, da economia), o controle do estado através de uma classe política que se reproduz.
Fora disso, só estava a internet. E foi justamente desde a internet que se construíram redes de debates, redes de organização, redes de ação. Mas para agir sobre a sociedade, as pessoas têm que sair, têm que ir às ruas. É quando a internet, como espaço livre de comunicação, combinou-se com a ocupação dos espaços públicos, transformados em ágoras, o jogo começou a mudar. Mas o movimento ainda não se traduziu em grandes mudanças na política, porque o sistema está fechado.

Quão distante está o cidadão da realidade retratada nos meios de comunicação?
Manuel Castells: Depende do aspecto. Na Espanha, os meios de comunicação repetiram milhares de vezes, durante dois anos, as afirmações do presidente Banco Central, disseram que os bancos nacionais eram os mais seguros do mundo. Nenhum meio contestou isso. Ou são tontos, não têm capacidade de análise, ou a cada vez que alguém sério tentava dizer algo, tinha um problema com a linha editorial.
O resultado é que os bancos espanhóis já devem 250 bilhões de euros ao Banco Central Europeu, e agora dizem que vão pegar mais dezenas de bilhões. A dívida, portanto, é impagável, os bancos espanhóis estão quebrados. Significaria dizer aos cidadãos que seu dinheiro está em perigo, e não se sabe o que fazer. Há o risco de que o euro no mínimo se desvalorize, ou até mesmo acabe. O governo não pode aconselhar os cidadãos a se desfazerem da moeda, mas deve tornar disponível a informação sobre o que está acontecendo, e os meios de comunicação também devem fazer isso.

A internet abriu a janela, os meios de comunicação tradicionais ainda têm muitos leitores da rede. Os cidadãos podem se comunicar, mas não são figuras de referência, comparáveis às que aparecem na mídia. Como podemos aprender nos auto-informar?
Manuel Castells: Você tem razão. Mas começam a surgir saídas. Primeiro, as pessoas montam seu próprio jornal ou meio de comunicação online. Não lemos El País ou El Mundo ou La Vangaurdia inteiramente. Lemos um artigo aqui e outro lá, comparamos com outras fontes da imprensa estrangeira, ouvimos o que nossos amigos nos dizem. Fazemos um mosaico de informações, não somos prisioneiros de um meio.

 "Outra lógica se abre quando as pessoas 
entram em um espírito mais crítico,
desconfiam dos meios. Aí começa outra atitude, 
que é a wiki-informação: eu informo meus amigos, 
meus amigos me informam, vamos discutindo, 
e assim se organiza um grande debate na internet, 
do qual saem coisas."


Mas você disse costuma dizer que o leitor, o cidadão, procura reforçar o que pensa, e não se informar por outras vias.
Manuel Castells: Você está certo. O que sabemos é que as pessoas buscam principalmente o reforço para suas opiniões, mas isso porque têm pouquíssima possibilidade de ser cidadãs, de ser ativas, reduzem-se a consumidoras passivas. Não estão acostumadas a abrir suas próprias janelas. Se sua opção é entre os meios de comunicação que já existem, a atitude provável é: ”vou ver ou ler aquilo de que gosto mais”.
Outra lógica se abre quando as pessoas entram em um espírito mais crítico, desconfiam dos meios. Aí começa outra atitude, que é a wiki-informação: eu informo meus amigos, meus amigos me informam, vamos discutindo, e assim se organiza um grande debate na internet, do qual saem coisas. Em função desse espírito crítico em rede, examina-se o que os diferentes meios estão dizendo. E esse espírito crítico reconstrói todos os mecanismos de informação, que passam a seguir um novo fluxo — de muitos para muitos – ao invés de todos receberem uma mensagem com muito poucos emissores.

Você diz que vivemos na sociedade da informação, mas estamos desinformados, com uma educação muito pobre e, além disso, temos medo — uma ferramenta fundamental em todo esse mecanismo. Como funciona o medo, para que as regras do jogo não mudem e para que as mesmas pessoas sigam comandando as estruturas de poder?
Manuel Castells: Em primeiro lugar, a educação é pobre mas, comparando historicamente, estamos melhor formados que antes. Se há uma variável que se repete, em todos os novos movimentos do mundo, é o fato de serem constituídos por gente bem formada. Isso não quer dizer que ganham mais dinheiro. O ativista típico é o profissional recém-graduado, ou de uns 30 anos, com um trabalho muito precário ou desempregado. Essas pessoas podem passar a ter uma atitude mais crítica, apostando em uma mudança de mentalidade.
Por exemplo, os direitos da mulher. Há quarenta anos, nenhum partido majoritário falava sobre eles como tema principal. Hoje, se não falam disso, têm um problema. Há trinta anos a ideia de desenvolvimento sustentável, de que é preciso defender um modelo ecológico, de que é preciso integrar a natureza à cultura e ao consumo, tudo isso era coisa de radicais, nenhum partido sério colocava isso no programa. Hoje, precisaram se pintar de verde, pelo menos um pouco, porque se não o fazem, são rechaçados.
Muitas ideias não são de um partido ou de um líder, são formas de conceber nossa vida em sociedade. Essas grandes mudanças na mentalidade demoram. Precisam de tempo, de debates, de ir além dos líderes.

 "O ativista típico é o profissional recém-graduado, 
ou de uns 30 anos, com um trabalho 
muito precário ou desempregado. 
Essas pessoas podem passar a ter uma atitude 
mais crítica, apostando 
em uma mudança de mentalidade."

Dentro desses direitos, agora entra o tema da internet livre. Está se tornando um ponto essencial, como foi o desenvolvimento sustentável, os direitos da mulher.
Manuel Castells: Você tem muita razão. Nesse momento, defender a liberdade na internet é a base para defender a liberdade, em todos os sentidos. Como os poderes estabelecidos cada vez mais desconfiam da internet, odeiam-na. Se pudessem acabar com ela, iriam fazê-lo.
Mas não é tão fácil. Existem tantas ameaças à liberdade na internet que os jovens estão criando uma série de partidos e de movimentos. Vão criar muitos problemas aos que tentarem restringir a liberdade. Pouco a pouco, o velho sistema está se consolidando em partidos de direita e de esquerda que se colocam contra o essencial, que resistem a novas formas de representação democrática. Daí, duas coisas que podem acontecer: ou eles realmente se abrem e aceitam redefinir o jogo democrático, ou não se abrem e essa é uma perspectiva muito pessimista. Não acredito nas revoluções violentas, mas acredito em situações de tensão, que vão se multiplicar, e em uma situação de catástrofe econômica e de não-representatividade política, com as pessoas conscientes e críticas e um sistema cada vez mais pressionado, que começa a se defender.

Você tem esperança?
Manuel Castells: Sempre — mas só porque os movimentos têm esperança. Meu novo libro, que será publicado em breve, chama-se Redes de indignação e esperança: são os dois sentimentos que existem no movimento. A indignação foi fundamental para superar o medo, porque o medo é a emoção que todas as sociedades impõe para não mudar nada. As pessoas têm medo de que, se fizerem algo que não está dentro das normas do sistema, no mínimo perdem o emprego. Como se supera o medo? As próprias experiências neuro-cientificas mostram que é com a indignação. Quando se sente muito indignado, você não se importa com o que pode acontecer. Isso já se deu.
Mas se não se transforma em um sentimento positivo, se a indignação é pura raiva, isso leva a um enfrentamento. Qual é o sentimento positivo? A esperança. A esperança de que algo irá mudar. Como se constrói a esperança? Quando as pessoas se juntam. Por isso, o lema na Espanha é: “juntos, podemos”. É a ideia de que eu não posso, e que você não pode, mas muitos juntos, sim, podemos. A vitalidade desse movimento não é apenas em função da internet, a vitalidade é necessária para poder seguir fazendo algo aparentemente impossível, que é reconstruir a democracia a partir dos cidadãos.
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 Entrevista a Francisco Guaita, da RT-TV (Veja o vídeo: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=zoWxG8Kc6oc
  | Transcrição e tradução: Daniela Frabasile
Fonte: http://bl162w.blu162.mail.live.com/default.aspx#n=566201507&fid=1&fav=1&mid=9f51b82c-dd99-11e1-8d93-00215ad80d1c&fv=1