segunda-feira, 10 de junho de 2019

Neymar e Najila no Dia dos Namorados

Joaquim Ferreira dos Santos*
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Isso aqui não é mais um blablablá, sequer um tititi, sobre Neymar e Najila no Sofitel de Paris. Notícia velha. O que vai começar a tocar é um bolero triste para o Dia dos Namorados. 

Não é de agora que o amor é a arte do desencontro, um tal de hoje beija, amanhã não beija e depois de amanhã ninguém sabe o que será. Tem piorado. Neymar e Najila são o novo exemplo de que a infelicidade será servida a todos. "Ontem você estava agitado, hoje sou eu", ela lamentou. Ninguém escapará da sopa fria do sofrimento e do mal entendido. A diferença é que agora todo mundo vê em HD as cenas definitivamente comprobatórias de que não tem jeito. Não adiante botar ao fundo o reggae sofisticado do Police cantando "Every breath you take". O amor é mesmo o ridículo da vida.

Um caso de amor começa de muitas maneiras e outrora, na aurora desse sentimentalismo que se investiga agora, era preciso fazer versos com rimas, dar não sei quantas voltas na praça e piscar outros tantos olhares de admiração. Najila e Neymar são da geração shipada. Não perdem tempo. Ela se postou apetecível no aplicativo, ele mandou a passagem de avião. Rápido assim, e é assim que agora se começa essa grande aventura. Nada contra. Neymar ainda se deu ao trabalho de dizer "saudades do que ainda não vivemos". Fez-se fofo. Deve ter sido por isso que mais tarde, todo o entrevero já acontecido, ela escreveu suspirosa- "foi por esse Neymar que eu me apaixonei".

A história de Neymar e Najila era para ser um jogo rápido, uma troca de óleo ou qualquer outra vulgaridade dessas, mas por trás de cada homem e mulher que se encontram para 20 minutos de sexo há sempre a esperança de que isso não seja só aquilo, e o clichê do felizes para sempre faça ecoar suas trombetas. Deve ter sido por isso, o sonho de o inesperado fazer uma surpresa, que depois de ser infeliz em duas noites de sexo Najila se rendeu à decepção romântica de escrever - "pena que deu errado, nos desencontramos".

Todo mundo sabe que Neymar e Najila é o casal sem vergonha daquela música do Lindomar Castilho. Cada um menos crível do que o outro, antipáticos pela própria natureza. Não ajudam a causa. Mas não vai ser aqui que um homem e uma mulher serão espinafrados por, ao jeito deles, tão 2019, partirem com urgência para o abraço e todo o mistério de suas posteriores, nunca sabidas, consequências.

É uma pena, mas ficou sendo assim, só mais um bolero triste dos muitos que tocam por aí. No embalo da reforma sentimental demitiram o Cupido, lento com as flechas, e botaram o robô do Tinder para racionalizar custos e agilizar o processo. Ficou apressado demais, e a margem de erro é grande.

Depois de amanhã, o Dia dos Namorados de 2019 vai prestar depoimento na delegacia de costumes. Declarará sucinto que nessa história ninguém presta, todos culpados - mas a seu favor lembrará o atenuante de que o amor é assim mesmo. Num dia beija, no outro nem aí. Ele é o único inocente. Um dia dá certo.
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* Escritor. Cronista 
Fonte: https://blogs.oglobo.globo.com/joaquim-ferreira-dos-santos/post/neymar-e-najila-no-dia-dos-namorados.html 09/06/2019
imagem da Internet

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