terça-feira, 12 de novembro de 2019

Luc Ferry: "Se modificar um gene defeituoso pode salvar uma criança, por que não fazê-lo?"

Marco Favero / Agencia RBS
Luc Ferry, 68 anos, acredita que a filosofia pode ajudar na busca por uma vida melhor

Pensador francês defendeu o transumanismo durante sua conferência em Porto Alegre 


Doze anos depois de realizar a primeira conferência do Fronteiras do Pensamento, em 2007, o filósofo francês Luc Ferry voltou a palestrar no evento na noite desta segunda-feira, no Salão de Atos da UFRGS. Desta vez, fechou a temporada de 2019 do ciclo, que convidou nove personalidades a discutir o sentido da vida. Em um palestra com menos de uma hora de duração, o autor de Aprender a Viver (2006) falou sobre como o amor e a sabedoria podem levar a uma vida melhor e defendeu a busca pela longevidade. 
Ferry começou sua exposição listando grandes respostas dadas ao longo da história para o que seria uma vida boa. Na resposta grega, exemplificada pela trajetória de Ulisses na Odisseia, de Homero, o ser humano deve se colocar em harmonia com o mundo. Para os cristãos, a vida boa seria estar em harmonia com Deus. A resposta humanista, surgida com o Iluminismo, recomenda colocar-se em harmonia com as outras pessoas e fazer uma contribuição para o progresso da humanidade – criando bem os filhos, por exemplo. Nietzsche fornece a quarta resposta estabelecendo que, se Deus não existe, resta o individualismo, ou seja, preocupar-se em estar em harmonia consigo mesmo.
– Esta é a resposta que domina o mundo de hoje, e não gosto dela. Se tudo morreu, resta trabalhar para o seu próprio bem-estar.
Ferry desenvolveu então a sua resposta favorita. Para ele, a vida boa está relacionada a duas revoluções: a do amor e a da longevidade. Segundo o filósofo, hoje o amor se tornou sagrado no mundo ocidental, ou seja, é aquilo pelo qual as pessoas estão dispostas a se sacrificarem.
– Antes, morria-se por um Deus, uma pátria ou uma revolução. Hoje isso acabou. Pegamos em armas para defender quem amamos.
Em seguida, Ferry defendeu o projeto transumanista, que busca dar às pessoas a  possibilidade de viver mais e melhor. Segundo ele, se o recorde de pessoa mais idosa pertence a uma mulher francesa que viveu até os 122 anos, o transumanismo mira na possibilidade de estender a vida até os 130 ou 150 anos utilizando tecnologias avançadas para isso.
– Os transumanistas dizem que a medicina não deve apenas tratar, mas fazer melhorias no ser humano. Fazer o que se faz com o milho, deixando-o resistente à seca, por exemplo –  falou o filósofo, ciente da graça de comparar uma pessoa a um milho. – Não é fabricar um super-humano, mas aumentar a longevidade.
O filósofo defendeu sua posição afirmando que a natureza não deve ser considerada um modelo moral. E a tecnologia pode ser usada para corrigir as desigualdades: 
– A natureza é Darwin, é a eliminação dos fracos e dos velhos. O transumanismo diz que a natureza deve ser modificada. A natureza não é sagrada. Se modificar um gene defeituoso pode salvar uma criança, por que não fazê-lo? Se alguém possui uma anomalia genética, a natureza falhou e deve ser corrigida.
A consequência de viver mais tempo, para Ferry, seria uma humanidade mais experiente e, portanto, mais sábia.
– Envelhecer permite se tornar melhor, aperfeiçoar-se e ter mais experiências, especialmente no amor.
Questionado pelo apresentador do evento, o jornalista Daniel Scola, pelo psicanalista Felipe Pimentel e também pela plateia, Ferry abordou rapidamente outros assuntos, sem desviar de questões polêmicas. Criticou o veganismo e defendeu o casamento homossexual. Afirmou também que sua atitude mais polêmica, a de proibir o uso de símbolos religiosos nas escolas  quando foi Ministro da Educação da França, entre 2002 a 2004, funcionou muito bem.
– Mandei que tirassem cruzes, véus e estrelas de Davi das escolas. Hoje não há mais polêmica sobre isso. Centenas de meninas me agradeceram por não precisarem mais usar véus e poderem vestir calças jeans. O véu islâmico é a submissão aos homens. Funcionou, mas, por esse motivo, fiquei sob proteção policial por dois anos. Não foi nada divertido – contou o filósofo.
Ao final do encontro, Ferry retomou a conclusão da sua palestra, esclarecendo que havia escolhido falar de amor, mas poderia ter discorrido sobre o ódio. Para ele, são dois sentimentos exclusivamente humanos – os animais não amam, são afetivos, assim como não matam por maldade, mas por instinto.
– O ódio é talvez maior do que o amor no ser humano. Não sou ingênuo. O século 20 foi genocídio atrás de genocídio – afirmou. – Acredito que a longevidade permitiria que a gente se acalmasse um pouco, que fôssemos menos idiotas, menos bobos – concluiu.
O Fronteiras do Pensamento Porto Alegre é apresentado por Braskem, com patrocínio Unimed Porto Alegre e Hospital Moinhos de Vento, parceria cultural PUCRS, e empresas parceiras Unicred e CMPC. Universidade parceira UFRGS e promoção Grupo RBS.
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Reportagem POR  Luiza Piffero
FONTE:  https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/livros/noticia/2019/11/se-modificar-um-gene-defeituoso-pode-salvar-uma-crianca-por-que-nao-faze-lo-questiona-o-filosofo-luc-ferry-ck2v8t92100jp01ph8h8mupgc.html  12/11/2019

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Carta ao nosso caríssimo presidente

Jô Soares*

JO SOARES 
 O humorista e escritor Jô Soares - Divulgação/TV Globo

Vossa excelência é mesmo o leão, o rei dos animais!

Très cher président: “Quo usque tandem abutere patientia nostra?!” 

Frase que, em latim, vossa excelência, melhor latiador do que eu, conhece perfeitamente, foi dirigida em quatro cartas do senador e escritor romano Cícero ao Senado e ao povo em relação a Catilina, militar e senador que pretendia derrubar a República. Veja que ousadia! Isso antes do AI-5!

Mas o que me leva a esta monótona missiva é associar-me a vossa excelência no episódio do leão contra as hienas.
 
Realmente é um excesso de diversos predadores a atacar um leão solitário, tentando proteger-se e aos seus filhotes: são chacais supremos, racuns, capivaras e gambás, sem falar das folhas, cujo destino é inominável, e das eternas hienas globais.

A calúnia não para! Agora, querem lhe responsabilizar pelo fato de sua ilibada residência localizar-se na mesma região onde, por uma coincidência estúpida, habitava também um certo Ronnie, de alva notoriedade (mas em outro lar doce lar, é claro!). Sem nenhuma ligação, um valhacouto de papalvos!

(Para os menos ilustrados: 1- Valhacouto: lugar seguro onde se encontra refúgio; abrigo, esconderijo; o que se usa para encobrir o aspecto de uma coisa, ou as intenções de alguém; disfarce, dissimulação; 2 - Papalvo: diz-se de indivíduo simplório, pateta ou tolo.)

Voltando ao tema principal: cheguei a pensar, quando vi o vídeo (por sinal, parabéns pela montagem), que talvez a figura de Mogli, o Menino Lobo, criado na selva, enfrentando múltiplos perigos, fosse mais adequado a vossa excelência. 

Meditei muito, passei a noite sem dormir, mas antes de apagar a luz estava começando um filme da Metro com aquele rugido característico: para mim, aquela mensagem foi decisiva. Pude finalmente dormir em paz: a sua definição é perfeita: vossa excelência é o leão. Vossa excelência é o rei dos animais!
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* Humorista, escritor e influenciador analógico
Fonte:  https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2019/11/carta-ao-nosso-carissimo-presidente.shtml 10/11/2019

sábado, 9 de novembro de 2019

Mourão questiona Estado de Direito e mostra que precisa reler “O Pequeno Príncipe” ou consultar Maquiavel

Falsos democratas enchem os pulmões para afirmar que respeitam a democracia e o Estado de Direito desde que sempre prevaleçam seus desejos, o que de chofre representa autoritarismo. Vice-presidente da República, o general da reserva Antônio Hamilton Mourão já não se preocupa em exibir os plúmbeos punhos da camisa que vão além da farda, como era de se esperar.

Após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que, seguindo o que determina a Constituição Federal, derrubou a possibilidade de prisão após condenação em segunda instância, Mourão reagiu como candidato a tiranete ao comentar a libertação do ex-presidente Lula, que deixou a carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, após 580 dias de prisão.

Em sua conta no Twitter, Mourão questionou: “Onde está o Estado de Direito no Brasil?”. Não contente, o general da reserva foi além em seu devaneio jurídico e emendou: “O Estado de Direito é um dos pilares da nossa civilização, assegurando que a lei seja aplicada igualmente a todos. Mas, hoje, dia 8 de novembro de 2019, cabe perguntar: onde está o Estado de Direito no Brasil? Ao sabor da política?”, escreveu Mourão.

Causa espécie a nauseante sabujice de Hamilton Mourão, pois a decisão de fazer valer o que dispõe o artigo 5º da Constituição, inciso LVII (“ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”) se deve inclusive ao respeito ao Estado de Direito, o mesmo que permitiu a suspensão da investigação sobre o escândalo envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e Fabrício Queiroz, o outrora “faz tudo” da família do presidente da República.

A manifestação idiossincrática de Hamilton Mourão não surpreende quem conhece a forma camuflada como muitos militares brasileiros existem e agem, pois falam em respeito às leis com a mesma facilidade que tentam impor a fórceps suas vontades. 

Apesar de criticar o comportamento ditatorial e facinoroso de Nicolás Maduro, que faz dos tribunais venezuelanos marionetes de aluguel, Mourão tem dificuldade para compreender que a decisão do STF não foi política, mas em consonância com o que dispõe a Carta Magna. 

O grande problema do País, desde que em cena entrou a possibilidade de revogação da prisão em segunda instância, é que a sociedade passou a se preocupar com a eventual libertação de Lula, que tem o direito de recorrer em liberdade, gostem ou não o colérico clã Bolsonaro e o generalato palaciano.

Como mencionamos em matéria anterior, a população, em especial a porção revanchista e histérica, ainda há de descobrir que o melhor a se fazer no ambiente democrático é julgar e condenar, se necessário, sempre à sombra da lei, sob pena de assim não sendo abrir-se caminho para que surja um monstro sagrado.

A exemplo do que afirmamos, Lula deveria sair do cárcere menor em termos políticos do que quando foi preso, mas o revanchismo ideológico da turba direitista serviu para inflar um “animal político” que já disse, sem meias palavras, que “está com o sangue nos olhos”.

Bolsonaro elegeu-se presidente no vácuo do discurso fácil e mentiroso de combate à corrupção e da falaciosa pregação da moral e dos bons costumes, mas ao longo de pouco mais de dez meses só conseguiu provar que é o que muitos conhecem como “mais do mesmo”.

Para quem se apequenou e adotou silêncio quase obsequioso diante da declaração de Eduardo Bolsonaro, o tal “02”, que disse que uma eventual radicalização da esquerda poderia ter como consequência a edição de um novo Ato Institucional nº 5 – instrumento criminoso adotado na ditadura militar para calar os adversários, com direito a torturas, mortes e desaparecimentos (sic) –, a reação de Hamilton Mourão não poderia ser outra.

Bom seria que Mourão arrumasse espaço na agenda do final de semana para ler – talvez reler – “O Pequeno Príncipe”, de Antoine Saint-Exupéry, que em dado trecho escreveu: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. 

Sendo assim, sugerirmos ao vice-presidente que module o diapasão do discurso e coloque a farda de molho, pois de agora em diante Bolsonaro terá pela frente um adversário que, apesar das condenações, continua sendo um “animal político”. 

O filósofo italiano Niccolò di Bernardo dei Machiavelli, conhecido popularmente como Maquiavel (1469-1527), destilou certa feita, em palavras escritas, um pensamento que cai como fina luva sobre o questionamento obtuso de Mourão acerca do Estado de Direito.

“Há três espécies de cérebros: uns entendem por si próprios; os outros discernem o que os primeiros entendem; e os terceiros não entendem nem por si próprios nem pelos outros; os primeiros são excelentíssimos; os segundos excelentes; e os terceiros totalmente inúteis”, escreveu o pensador florentino.
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Fonte:  http://ucho.info/2019/11/08/mourao-questiona-estado-de-direito-e-mostra-que-precisa-reler-o-pequeno-principe-ou-consultar-maquiavel/

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Trinta anos após queda do Muro de Berlim, ambiente on-line é o novo campo de batalhas entre os países



 O ambiente on-line é o novo teatro de batalhas entre as nações. E se um hacker é capaz de incomodar muita gente, imagine o que um exército deles é capaz


Por Carlos Rydlewski e José Eduardo Barella — Para o Valor, de São Paulo

08/11/2019

As autoridades russas anunciaram que vão executar, a partir deste mês, os primeiros testes para colocar em operação a RuNet, servidor de internet sem conexão internacional, com fornecedores de acesso e armazenamento de dados próprios. Na prática, o sistema cria a possibilidade de desconectar a Rússia do restante da rede mundial de computadores. A medida, à primeira vista, soa como contradição em plena era de um mundo interconectado. Entre seus objetivos, porém, há elementos estratégicos. Uma das ideias é fazer do novo sistema uma barreira contra eventuais ataques cibernéticos lançados dos EUA ou de aliados americanos.

Nesse sentido, a iniciativa de isolamento oferece uma resposta a uma revelação feita pelo “The New York Times”. De acordo com o jornal, o Cibercomando, o órgão militar encarregado da defesa cibernética dos EUA, ordenara ofensiva digital contra os servidores que controlam a rede de energia elétrica da Rússia. O foco da missão nem era destruir o sistema, o que provocaria imenso apagão. Era, na verdade, fazer uma “visitinha”, saber como ele funciona e mantê-lo sob vigilância como um alvo em potencial. Parece incrível? E é. Pois, então, bem-vindo à era das ciberguerras. Essa luta de braço digital entre Washington e Moscou, 30 anos após a queda do Muro de Berlim e do fim da Guerra Fria, está longe de ser uma exceção.

Embora a maioria das pessoas não tenha se dado conta, o ambiente on-line já está sendo incorporado por líderes militares como mais um teatro de guerra - com o ar, a terra, o mar e o espaço. Levantamento feito por Brandon Valeriano e Benjamin Jensen, acadêmicos americanos especialistas em temas militares de cibersegurança, aponta que, entre 2000 e 2016, ocorreram 272 operações militares on-line envolvendo diversos países. A maioria delas tinha como objetivo a coleta de dados ou ações pontuais de vigilância de servidores. Como não houve morte atribuída a um ciberataque, o tema tem pouca repercussão se comparado a conflitos convencionais, como a guerra na Síria. Mas suas ações - e implicações  - são gigantescas.

Duas medidas divulgadas pelos EUA no ano passado reforçam a aposta no teatro digital de ações militares. Em abril, o Cibercomando anunciou uma nova diretriz, pela qual passaria a adotar “ações persistentes” para o país manter “sua superioridade no ciberespaço”. Dois meses depois, Donald Trump assinou uma ordem diretiva dando ao Cibercomando o poder de realizar ataques cibernéticos sem autorização da Casa Branca. Desde então, embora não haja evidências claras, especialistas asseguram que os americanos aumentaram as operações militares no campo dos bits e bytes em escala e frequência. 

 
 
Aprovado em maio, projeto de lei que permite desconectar a Rússia da web depende apenas de sanção presidencial 
para entrar em vigor, um trunfo a ser usado por Vladimir Putin 
— Foto: Evgenia Novozhenina/Pool Photo via AP

Até por ser relativamente nova, a lógica que rege as batalhas digitais é dinâmica. Em junho, surgiu fato inédito nesse campo. O Irã derrubou um drone militar americano no estreito de Ormuz, alegando que o aparelho havia penetrado em seu espaço aéreo. Em represália, Trump ordenou ataque contra alvos militares iranianos. O presidente americano, porém, cancelou a ordem no último instante ao saber que causaria um número desproporcional de vítimas. Em vez disso, optou por investida digital contra o sistema de mísseis de uma unidade de inteligência. O caso foi o primeiro em que um país admitiu responder a uma agressão militar tradicional com um ataque cibernético.

Na avaliação de Harry Oppenheimer, especialista em relações internacionais e tecnologia da Universidade Harvard, esse tipo de retaliação militar por meio de ciberataques deve ser mais frequente. “No entanto, o uso dessas armas não vai sair de graça para os EUA”, adverte. “O que o Irã aprender com esse ataque cibernético será incorporado à sua estratégia de defesa digital na próxima vez.” A “próxima vez” parece ter acontecido nesta semana, quando o comitê da campanha de reeleição de Trump sofreu ataque digital, atribuído a hackers ligados ao governo de Teerã.

Especialistas questionam se as operações no ciberespaço podem chegar a um ponto de relativo equilíbrio, à semelhança do que ocorreu na área nuclear durante a Guerra Fria, , cujo fim é marcado pela queda do Muro de Berlim, em 9 de novembro de 1989. À época, a “paz mundial” era garantida pelo temor mútuo de que o primeiro ataque por parte de uma das potências levaria à destruição de ambas - e muito mais.

“O problema é que uma guerra cibernética pode ser realizada de maneira muito mais encoberta do que o lançamento de mísseis nucleares”, diz o especialista grego Vasileios Karagiannopoulos, do Instituto de Justiça Criminal da Universidade Portsmouth, na Inglaterra. “Hoje seria difícil atribuir diretamente ação a um país com provas tão convincentes quanto durante uma guerra nuclear.”

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