O Prémio Nobel da Literatura foi para o escritor chinês Mo Yan. Segundo o
secretário permanente da Academia Sueca, Peter Englund, Mo Yan
mostrou-se "radiante e assustado" ao saber que vencera o prémio.
O porta-voz da Academia Sueca explicou que Mo Yan fora contactado antes do anúncio do laureado, hoje às 12:00, hora de Lisboa.
"Ele disse que estava radiante e assustado", afirmou Englund, citado pela agência Associated Press.
Em declarações à agência Nova China, o autor laureado confessou que, assim que recebeu a notícia do galardão, ficou "muito feliz".
"Vou concentrar-me na criação de novas obras. Quero aplicar-me mais para agradecer a todos", acrescentou.
No entanto, Mo Yan disse que ganhar o Nobel da Literatura "não significa tudo".
"Penso que a China tem numerosos autores muito dotados. A sua produção brilhante merece igualmente ser reconhecida pelo mundo", apelou, falando a partir da localidade de Gaomi, na província de Shandong.
Nascido em 1955, Mo Yan é um dos mais conhecidos escritores chineses.
Tem um livro editado em Portugal, 'Peito Grande, Ancas Largas', publicado em 2007 pela Ulisseia.
Os romances de Mo Yan, o escritor chinês galardoado hoje com o Prémio Nobel da Literatura, estão enraizados na China rural, onde nasceu, mas revelam também influências do "realismo mágico" e outras correntes ocidentais, dizem críticos e tradutores.
William Faulkner, Gabriel Garcia Marquez, Oe Kenzaburo e Rabelais são os autores preferidos de Mo Yan, disse o professor norte-americano Howard Goldblatt, um dos mais conhecidos tradutores de literatura chinesa, entre os quais três títulos do autor distinguido agora pela Academia Sueca.
Mo Yan é também um dos escritores chineses contemporâneos mais publicados fora da China, nomeadamente no Japão, França, Reino Unido, Alemanha e Estados Unidos.
"Ele é o mais qualificado escritor chinês para ganhar o Nobel", disse Yang Xiaobin, um poeta e critico citado hoje por um jornal de Pequim e que há vários anos vinha "recomendando" a atribuição do prémio a Mo Yan.
Mo Yan (pseudónimo literário de Guan Moye) nasceu na província de Shandong, leste da China, "no seio de uma família pobre" e "foi forçado a abandonar a escola primária durante a Revolução Cultural (1966-76)", diz o Dicionário Biográfico de Modernos Escritores Chineses, publicado na década de 1990.
Segundo a mesma biografia, o futuro escritor tornou-se então camponês e aos 20 anos, ingressou no Exército, onde "serviu como funcionário de segurança e instrutor político e de propaganda".
A sua primeira obra literária, um conto que começou a escrever enquanto ainda era soldado, saiu em 1981. Seis anos depois publicou um romance de grande sucesso, "Red Sorghum", que seria adaptado ao cinema por Zhang Yimou. O filme, com Gong Li e Jiang Wen, ganhou o Urso de Ouro do Festival Internacional de Berlim em 1988.
Entre os títulos que Mo Yan publicou a seguir figuram The Republic of Wine" (2000), "Big Breasts and Wide Hips" (2005) e "Life and Death are Wearinng me out", todos traduzidos por Howard Golblatt, professor de chinês na University of Notre Dame, nos Estados Unidos.
Em 2011, Mo Yan ganhou o Premio Mao Dun, o mais importante galardão literário oficial do país, e foi eleito vice-presidente da Associação dos Escritores da China.
O seu mais recente romance, "Frog", aborda um tema especialmente sensível: a prática de abortos forçados na China devido à drástica política de controlo da natalidade imposta há três décadas sob a fórmula "um casal, um filho".
"Em todos os países há certas restrições à escrita", disse o autor numa entrevista concedida há dois anos à revista Time.
Mo Yan considera que "um escritor deve enterrar os seus pensamentos e transmiti-los através dos personagens dos seus romances".
O pseudónimo que criou significa, aliás, "não fales".
Em 2000, o Prémio Nobel da Literatura foi atribuído a outro escritor chinês, Gao Xingjian. No entanto, este autor reside em França desde 1987, tendo adquirido a nacionalidade francesa em 1997.
-----------
Reportagem por Lusa/ M.J.C.Hoje
Fonte: http://www.prensaescrita.com/adiario.php?codigo=POR&pagina=http://www.dn.pt
"Ele disse que estava radiante e assustado", afirmou Englund, citado pela agência Associated Press.
Em declarações à agência Nova China, o autor laureado confessou que, assim que recebeu a notícia do galardão, ficou "muito feliz".
"Vou concentrar-me na criação de novas obras. Quero aplicar-me mais para agradecer a todos", acrescentou.
No entanto, Mo Yan disse que ganhar o Nobel da Literatura "não significa tudo".
"Penso que a China tem numerosos autores muito dotados. A sua produção brilhante merece igualmente ser reconhecida pelo mundo", apelou, falando a partir da localidade de Gaomi, na província de Shandong.
Nascido em 1955, Mo Yan é um dos mais conhecidos escritores chineses.
Tem um livro editado em Portugal, 'Peito Grande, Ancas Largas', publicado em 2007 pela Ulisseia.
Os romances de Mo Yan, o escritor chinês galardoado hoje com o Prémio Nobel da Literatura, estão enraizados na China rural, onde nasceu, mas revelam também influências do "realismo mágico" e outras correntes ocidentais, dizem críticos e tradutores.
William Faulkner, Gabriel Garcia Marquez, Oe Kenzaburo e Rabelais são os autores preferidos de Mo Yan, disse o professor norte-americano Howard Goldblatt, um dos mais conhecidos tradutores de literatura chinesa, entre os quais três títulos do autor distinguido agora pela Academia Sueca.
Mo Yan é também um dos escritores chineses contemporâneos mais publicados fora da China, nomeadamente no Japão, França, Reino Unido, Alemanha e Estados Unidos.
"Ele é o mais qualificado escritor chinês para ganhar o Nobel", disse Yang Xiaobin, um poeta e critico citado hoje por um jornal de Pequim e que há vários anos vinha "recomendando" a atribuição do prémio a Mo Yan.
Mo Yan (pseudónimo literário de Guan Moye) nasceu na província de Shandong, leste da China, "no seio de uma família pobre" e "foi forçado a abandonar a escola primária durante a Revolução Cultural (1966-76)", diz o Dicionário Biográfico de Modernos Escritores Chineses, publicado na década de 1990.
Segundo a mesma biografia, o futuro escritor tornou-se então camponês e aos 20 anos, ingressou no Exército, onde "serviu como funcionário de segurança e instrutor político e de propaganda".
A sua primeira obra literária, um conto que começou a escrever enquanto ainda era soldado, saiu em 1981. Seis anos depois publicou um romance de grande sucesso, "Red Sorghum", que seria adaptado ao cinema por Zhang Yimou. O filme, com Gong Li e Jiang Wen, ganhou o Urso de Ouro do Festival Internacional de Berlim em 1988.
Entre os títulos que Mo Yan publicou a seguir figuram The Republic of Wine" (2000), "Big Breasts and Wide Hips" (2005) e "Life and Death are Wearinng me out", todos traduzidos por Howard Golblatt, professor de chinês na University of Notre Dame, nos Estados Unidos.
Em 2011, Mo Yan ganhou o Premio Mao Dun, o mais importante galardão literário oficial do país, e foi eleito vice-presidente da Associação dos Escritores da China.
O seu mais recente romance, "Frog", aborda um tema especialmente sensível: a prática de abortos forçados na China devido à drástica política de controlo da natalidade imposta há três décadas sob a fórmula "um casal, um filho".
"Em todos os países há certas restrições à escrita", disse o autor numa entrevista concedida há dois anos à revista Time.
Mo Yan considera que "um escritor deve enterrar os seus pensamentos e transmiti-los através dos personagens dos seus romances".
O pseudónimo que criou significa, aliás, "não fales".
Em 2000, o Prémio Nobel da Literatura foi atribuído a outro escritor chinês, Gao Xingjian. No entanto, este autor reside em França desde 1987, tendo adquirido a nacionalidade francesa em 1997.
-----------
Reportagem por Lusa/ M.J.C.Hoje
Fonte: http://www.prensaescrita.com/adiario.php?codigo=POR&pagina=http://www.dn.pt


Nenhum comentário:
Postar um comentário