segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

Escudos humanos

 Por Denis Lerrer Rosenfield*

A Barricada Pessoas Nuas Escudos Humanos para Soldados Alemães Guerra  Pintura de George Bellows em TELA - Frossard Galeria

O uso da palavra humanitário serve aos mais distintos propósitos, inclusive para encobrir as ações propriamente inumanas dos terroristas

Já em 2015, Bassem Eid, ativista de direitos humanos e dissidente palestino, declarou: “Quem impôs três guerras a Gaza foi o Hamas. Em todos os países, os governos usam seus mísseis e foguetes para proteger o seu povo, mas o Hamas fez o oposto, usando seu povo para proteger seus mísseis e foguetes” (extraído de Natan Sharansky e Gil Troy, Jamais estive só). Os palestinos se tornam instrumentos de uma organização terrorista voltada para a destruição de seu inimigo primeiro, Israel e os judeus, com o intuito de posteriormente voltar-se contra as outras religiões, mormente as cristãs, e os valores ocidentais em geral.

Compreende-se, assim, melhor o elevado número de vítimas civis entre a população de Gaza, considerando que os terroristas borram qualquer distinção entre civis e militares, até nas estatísticas, não sendo as mortes militares contabilizadas. Procuram, isto sim, produzir o máximo de vítimas entre os civis, pois sabem o impacto dessas mortes na opinião pública ocidental, com o intuito de causar um dano midiático ao seu inimigo principal. Desprezam o Ocidente, mas empregam este mesmo Ocidente para miná-lo desde seu interior. Note-se o papel que conseguiram conquistar nas universidades americanas e nos seus êmulos entre nós, advogando, na verdade, pela destruição dos direitos humanos, considerados ocidentais. O Ocidente cava a sua própria cova.

Observe-se que Israel protege a sua população civil construindo abrigos subterrâneos, procurando deixá-la a salvo de foguetes e mísseis, enquanto lança à guerra os seus soldados, à luz do dia e na escuridão noturna. Oficiais marcham à frente para dar o exemplo. O Hamas, por sua vez, esconde os seus terroristas em abrigos subterrâneos, uma espécie de segunda cidade oculta, podendo usufruir de todas as comodidades. Fogem do confronto direito naquilo que hoje é considerado como “guerra urbana”. Os palestinos, então, são não apenas deixados à sua própria sorte, mas servem como vitrine para atrair a simpatia dos países democráticos. Zombam da democracia como ocidental, porém não perdem a ocasião para subvertê-la.

A utilização de hospitais enquanto lugares do terror, conectados aos subterrâneos da violência, é mais uma amostra de como o apreço pela vida foi substituído pelo culto da morte. Contudo, a instrumentalização é aqui bem-feita, pois aos olhos de uma parte da opinião pública ocidental seria Israel o culpado pela destruição. O Hamas alcança os seus objetivos, tornando um crime de guerra, a utilização de hospitais como instrumentos militares, numa defesa dos direitos humanos.

Os palestinos de Gaza são pobres; os terroristas, ricos. Sobram recursos para a construção de amplos espaços subterrâneos, para barragens de foguetes e mísseis, para armamentos e munições. São bilhões de dólares que, ao cabo de anos, foram canalizados para as atividades voltadas para o culto da morte, cujas fontes principais são o Catar e o Irã, além de países ocidentais, cujos recursos humanitários são, desta maneira, desviados. Supremo paradoxo das democracias ocidentais, fazendo o jogo do terrorismo, enquanto culpam Israel pela falta de ajuda humanitária. O uso da palavra humanitário serve aos mais distintos propósitos, inclusive para encobrir as ações propriamente inumanas dos terroristas.

A doutrina dos Direitos Humanos cumpriu um papel fundamental no processo de dissolução do regime comunista. Foram os dissidentes soviéticos que fizeram valer os Acordos de Helsinque de 1975, empregando um documento assinado pelos próprios comunistas para desmascará-los. Foram liderados por Andrei Sakharov, então o mais importante físico nuclear do regime, pai da bomba de hidrogênio soviética. E Sakharov teve, entre os seus mais importantes colaboradores, um jovem cientista, Natan Sharansky, que abandonou suas atividades acadêmicas e de pesquisa para se dedicar à luta dos direitos humanos e ao direito de os judeus imigrarem da União Soviética para Israel, no que foi também bem-sucedido, apesar de amargar nove anos de prisão no Gulag.

Ressalte-se que a doutrina dos Direitos Humanos, realçada em seu valor universal e ocidental, não havendo aí nenhuma contradição, tornou-se um importante meio para combater o comunismo e a esquerda. A humanidade, no seu mais nobre sentido moral, foi elevada a princípio civilizatório, em suas antípodas situando-se a esquerda. Atualmente, os direitos humanos foram apropriados por uma esquerda que, na verdade, os condena por ser uma mera ferramenta da dominação ocidental, algo particular a uma civilização determinada. Em seu lugar, surge a equiparação das civilizações, tudo tornando-se relativo, salvo o direito dos terroristas de instaurarem o seu próprio califado.

“From de river to the sea, Palestine will be free” (do rio ao mar, a Palestina será livre) é a pregação antissemita de aniquilação dos judeus, com o apoio de uma esquerda ocidental que abandonou o que outrora foram os princípios universais de Marx.

*PROFESSOR DE FILOSOFIA NA UFRGS. E-MAIL: DENISROSENFIELD@TERRA.COM.BR

Imagem da Internet

Fonte:https://www.estadao.com.br/opiniao/denis-lerrer-rosenfield/escudos-humanos/  

Ano Novo, alma nova

 10 culturas que celebram o ano novo em datas diferentes | Genera

Marco Rafael Rodrigues

Este discurso de Chaplin mostra-nos que o progresso não tornou o nosso mundo num lugar melhor. À data de hoje não resolvemos nenhum dos problemas do passado. Pelo contrário, até arranjámos novos.

“O Objectivo de um Ano Novo não é que tenhamos um novo ano. É
 que tenhamos uma nova alma.” (G. K. Chesterton)

Vi recentemente O Grande Ditador, um filme escrito, produzido e realizado por Charles Chaplin em 1940, onde este interpreta duas personagens: a de Adenoid Hynkel, ditador da Tomânia, e a de um barbeiro judeu.

Resumindo a história, Charles Chaplin é um barbeiro judeu perseguido que, graças às suas semelhanças físicas com o ditador Hynkel, assume, a determinada altura do filme, o lugar do mesmo. Entre diversas tropelias, um humor requintado, uma história de amor entre o nosso herói e Hannah, que começa quando este lhe decide fazer a barba, o filme acaba com um discurso de Chaplin, o barbeiro judeu no papel do ditador.

Esse discurso final, torna-se um dos momentos mais marcantes do cinema, transformando-se, num tratado de beleza moral e uma ode à vida e boa convivência entre todos. Com mais de 80 anos, este discurso, encontra-se, nos dias de hoje, mais actual que nunca.

Para 2024 gostava que o Mundo visse o filme e ouvisse o discurso de Chaplin.

“Muito mais do que de máquinas, precisamos de humanidade” *

As empresas e os grandes gestores devem vê-lo, na esperança de perceberem que o sucesso não são só resultados. São também formas e modelos de actuação. São modelos de gestão onde o amor deve ser o critério (como referi num artigo anterior, “O amor nunca sai de moda“, Observador). Sem estigmas de um conceito muitas vezes mal interpretado, é ganharmos todos a noção de que tão importante como o fim também é o meio com que se o alcança.

“A alma do homem ganhou asas e começa, afinal, a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança” *

As famílias devem ver o filme para perceber que o amor só acontece com liberdade. E mesmo oprimidos, e separados, a história do pequeno barbeiro judeu e da sua Hannah tem, mesmo que não o vejamos, um final feliz. O amor é inseparável. Por muito que se queira tirar o que se sente, através de um sem número de restrições, se faz sentir, faz sentido. Porque as nossas histórias são sempre histórias de amor.

Os mais jovens, devem assistir ao filme, para perceberem que os problemas de 1940 continuam a ser os problemas de hoje. No entanto, e a mensagem é clara, nunca devem perder a esperança num futuro melhor. O futuro faz-se com a certeza de que pode ser melhor.

“É com estas promessas que gente perversa tem subido ao poder. Mas só para abusar da vossa credulidade. Não cumprem o que prometem. Nunca cumprirão!” *

Aos políticos e detentores de cargos públicos, da esquerda à direita, deve ser obrigatória a visualização do filme antes da assumpção de qualquer cargo ou lugar. Este discurso explica-nos as consequências que as falsas promessas criam. Os nacionalismos exacerbados surgem após se constatar que os políticos são vazios na sua essência, e misturam o conceito de compromisso com o da promessa fácil e por vezes sem sentido. O que, em tempo de eleições deve ser feito com elevado cuidado e responsabilidade.

Este discurso de Chaplin, mostra-nos que no presente, o progresso, per si, não tornou o nosso mundo num lugar melhor. Não basta dizer que somos civilizados ou que triunfamos como humanidade, pois a discriminação e a injustiça não desapareceram. A maldade existe, e como assistimos nos dias de hoje, as guerras continuam a assombrar o futuro dos nossos filhos. Este texto permanece intemporal, porque à data de hoje não resolvemos nenhum dos problemas do passado. Pelo contrário, até arranjámos novos (por ex.: alterações climáticas).

2024 não trará nada de novo, por muito que o desejemos. O Mundo continuará a ser o Mundo. O Médio Oriente continuará instável, a guerra na Ucrânia continuará a ameaçar o resto da Europa. Continuará a existir fome no planeta. As alterações climáticas continuarão a ditar novas formas de consumo.

Continuará a haver uma onda de crescentes nacionalismos que irão muito provavelmente condicionar os fluxos migratórios num futuro próximo. O Papa irá continuar a pedir tolerância entre os povos e irá manter o constante apelo à Paz. Os cristãos irão continuar a ser perseguidos. Mas o Mundo irá continuar… e nós também.

Em Portugal teremos eleições em março, e provavelmente seis meses depois, se não houver entendimentos parlamentares. Os impostos, e as taxas de juros nos créditos irão continuar a “afogar” as famílias de classe média, e a condicionar a aquisição de habitação própria por parte dos casais mais novos. Continuaremos a culpar a migração como parte do problema que não sabemos ter. Continuaremos a esperar que o Benfica seja campeão e que voltemos a vencer a Eurovisão. Portugal irá continuar… e nós também.

Mas a todos nós caber-nos-á a responsabilidade de fazermos a nossa parte. Sermos delicados e gentis para com o próximo, cumprir com as nossas obrigações para com o outro e para com estado, embora saibamos que é sempre difícil o estado responder na mesma medida. Caber-nos-á continuarmos a viver, respeitando o que sentimos e a sentir o que vivemos.

Desejo, como comecei, com as palavras de Chesterton, que o Ano Novo nos traga uma nova alma.

* Retirado do filme O Grande Ditador

Fonte: https://observador.pt/opiniao/autor/marcorafaelrodrigues/

sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

O futurista Gerd Leonhard desenha “o bom futuro”


O indiscutível fã de Star Trek, Gerd Leonhard, traçou um plano para a Humanidade: “O Bom Futuro” concentra-se em 4 Ps – Pessoas, Planeta, Propósito e Prosperidade, e quer virar o Mundo do avesso. Renuncia ao otimismo tecnológico a favor do humanismo progressista. Acredita num Mundo em união, onde todos os continentes prosperam e têm uma direção comum. Com a Tecnologia e a Ciência a favor da totalidade da população na Terra, um a um, os 8 mil milhões de pessoas. E vê nas novas gerações a salvação do Planeta. 

Gerd Leonhard traz boas notícias e muita fé na Humanidade. A sua visão é de um Humanista perante um Mundo multipolar, concentrado numa protopia, e Gerd está convicto de que um novo Mundo está a chegar. Antes que seja tarde, é preciso definir uma direção, uma nova teoria económica, uma nova bolsa de mercados, um Governo global e criar um Conselho composto por pessoas esclarecidas e sábias de todos os cantos do Mundo. «E não me refiro a CEOs ou políticos, precisamos de mais Sócrates tal como na Grécia Antiga», esclarece. Gerd estudou Teologia e Ciências Sociais. Foi músico de rock, compositor, ativista dos Verdes e empreendedor. É autor de vários livros e um dos futuristas mais requisitados sobre a era digital.  

Porque é tão importante o futuro, agora mais do que nunca?

A grande questão sobre o futuro hoje é que já não é sobre amanhã. O futuro já chegou, temos máquinas com quem podemos falar, temos computadores com superpoderes, carros automatizados. Quando falávamos sobre o futuro há 10 anos, debruçávamo-nos na ficção científica. Costumo dizer que a ficção científica se transformou em factos científicos. É muito importante pensar no futuro como algo que nós construímos e não como uma coisa que apenas acontece.  

Este é o momento da História em que muitas das decisões que estão a ser tomadas vão ter um impacto muito maior no nosso futuro.  

Tal como nos anos 60 com a bomba nuclear, as novas armas e os acordos de polarização, agora temos de lidar com as máquinas inteligentes, com as alterações climáticas, a automação, a Europa e a Rússia. É um momento na História em que a curva pode subir e podemos ter um futuro muito melhor, ou a curva decair por todas as más decisões que continuamos a tomar.

Está a dizer que o futuro já está predeterminado?  

Há situações que não controlamos, como a queda de um meteorito ou as pandemias, embora agora já estejamos mais bem preparados.  

Temos controlo em 98% das situações futuras; podemos mudar as alterações climáticas e podemos trabalhar no futuro do Trabalho. Na maioria das situações, podemos fazer alguma coisa.  

Temos a Ciência e a Tecnologia, mas tomamos as decisões erradas, usamo-las no que não era suposto. Não investimos em coisas sustentáveis, pomos dinheiro em mais gás de petróleo liquefeito (GPL), também não parecemos estar na mesma página sobre o que queremos no futuro. 

Mas há esperança? Está otimista? 

Sim, estou esperançoso. A boa coisa do futuro é que temos toda a Tecnologia e a Ciência de que precisamos, e inventamos coisas todos os dias. Se olharmos para as invenções de tudo o que precisamos sobre energia solar é incrível. Nós realmente conseguimos resolver este problema. Mas também temos a incapacidade de executar a política certa.  

Estou muito esperançoso com as novas gerações, dos 22 anos aos 45 anos, estou a contar com essa geração para fazer a diferença.  

Temos de mudar o nosso modelo de negócio do Mundo, até agora tem sido o lucro e o crescimento, e isto está a matar-nos. Basicamente, se continuarmos desta forma vamos manter os problemas climáticos e a IA fora do controlo. Sou demasiado otimista, mas acho que precisamos de uma terapia de choque, o tempo para nos sentarmos e falarmos do que faria sentido já terminou. Se não tomarmos uma atitude nos próximos 10 anos para a executarmos de facto, as coisas vão ficar muito complicadas e cada vez mais difíceis de alterar. 

O que podemos fazer para construir “O Bom Futuro”? 

Trabalho neste tópico “O Bom Futuro” há quase cinco anos, já antes da COVID, e acho que a pergunta não é tanto o que podemos fazer. Nós podemos fazer muitas coisas, em termos de Ciência; posso conectar o meu cérebro à Internet, posso ir dormir e acordar de um congelamento profundo daqui a 100 anos. Em 2030, vou conseguir fazer coisas semelhantes ao Star Trek, como ter energia ilimitada da fusão nuclear, vamos conseguir provavelmente mudar o genoma humano para evitar cancro. Mas precisamos de definir um propósito, uma direção, o que queremos alcançar. Queremos simplesmente mais dinheiro, ou queremos focar-nos no Planeta, na felicidade das Pessoas, num Propósito e também na Prosperidade.  

O que está a acontecer é que a parte Sul do Globo está a tomar todas as decisões. Daqui a 27 anos, 40% da população global vão estar concentradas em África, porque há cada vez mais bebés. O Brasil, a Índia, todos estes países vão chegar ao poder. O nosso Mundo está a mudar por completo. E se não envolvemos a parte Sul não vamos conseguir resolver os problemas. Basicamente, acho que “O Bom Futuro” é totalmente possível, mas temos de nos sentar todos e pensar em conjunto num Governo global e pô-lo em prática.

Essa mudança acontecerá seguindo o mote: Pessoas, Planeta, Propósito e Prosperidade?  

Este tópico é como um plano de negócios. O atual é muito simples: fazer mais dinheiro, aumentar o PIB; na sua maioria são os países desenvolvidos quem estão a ganhar. Mas temos de mudar o modelo e concentrar-nos nas pessoas, na automação, no trabalho, na felicidade, na igualdade, temos de pensar ainda no Planeta, em evitar o turismo em demasia, em devolver energia.  

Temos de ter um propósito, o que significa pensar no que queremos. O que está a acontecer num futuro próximo é que não vamos ter este conceito de trabalho durante 12 horas por dia, isto vai mudar.  

E, finalmente, temos de ter prosperidade, porque os seres humanos estão sempre a crescer, temos crianças, precisamos de comer, viajar. Não crescer não é possível. Quando olhamos para a ONU vemos que tenta há muito tempo a agenda ESG [Ambiente, Social e Governança Empresarial], mas eles não têm poder para decidir. Estão num sítio difícil.  

O Mundo velho está a morrer, o negócio habitual já morreu, não conseguimos continuar como antes, e o novo Mundo está a ser construído, ainda não chegou e isto está a acontecer devagar. Estamos num local de sofrimento a assistir, este novo Mundo tem de ser criado. 

Vê grandes mudanças entre 2021 – o lançamento oficial do projeto “O Bom Futuro” – e agora? 

Sim, não tivemos muita sorte. Porque tivemos a pandemia de COVID que fez com que a geração mais nova tivesse de esperar e, depois, tivemos dois conflitos, a Rússia e a Ucrânia, e agora Israel, Palestina e o Hamas. O progresso está em modo de espera, porque há muitas coisas a sugarem a energia.  

Por outro lado, estamos num ponto em que podemos dizer que primeiro se piora para a seguir se melhorar. Somos forçados a agir, não podemos ficar os mesmos. Muitas coisas que estávamos habituados a ignorar, como a Palestina, Israel e o Hamas – um conflito de 70 anos, estão a aparecer todas juntas e a forçar-nos a agir.  

Tal como nos casais que têm muitos conflitos, mas não falam sobre isso, e torna-se maior e maior e maior, até que mais cedo ou mais tarde se vão divorciar ou começam a fazer terapia. Os problemas estão a aumentar e forçam-nos a agir. Acho que isto é uma coisa boa, mas é penosa. As portas não estão fechadas para a Humanidade. É um momento doloroso, apercebemo-nos de que não podemos dizer que fazemos isto mais tarde.

Mas quem é que está encarregado de o fazer? 

Todos. Penso que se olharmos para o lado mais simples de “O Bom Futuro” são coisas como a Energia, a Alimentação, as Crianças, os Direitos Civis, o não morrermos, não termos fome, estes são objetivos muito simples. Numa camada seguinte, temos a felicidade, a organização própria, o progresso, a espiritualidade e isto é mais difícil de definir. Mas se definirmos “O Bom Futuro” como não morrer, termos trabalho, podermos evoluir e termos direitos, quem está encarregado desse “Bom Futuro”, em última instância, somos nós.  

Podemos fazer coisas locais, mas temos tópicos globais que só são concretizados em colaboração. Mesmo que alcancemos na Europa emissões de CO2 zero (net), se o Brasil, a Índia e África não vierem connosco, vamos mesmo assim todos morrer.  

A primeira coisa é que as decisões mundiais têm de incluir um Conselho Global, temos isso com a ONU, mas não lhe demos a devida autoridade e tornou-se uma organização muito burocrática. António Guterres é realmente uma boa pessoa, fala a verdade, é um bom líder, mas não tem poder.  

Por isso, devíamos ter um Conselho de pessoas esclarecidas e sábias, e não me refiro a CEOs ou políticos, tal como na Grécia Antiga, precisamos de mais Sócrates. E são muito poucos, incluiria o escritor brasileiro Paulo Coelho; o historiador americano Thomas Kidd, ou o economista francês Jacques Attali, e não seriam apenas homens, também mulheres. Só pessoas que não fariam mais nada do que pensar sobre decisões com – plicadas. É claro que se não tomarmos uma posição radical, que construa uma nova indústria, verde, vamos entrar num ponto em que metade do Planeta vai morrer e estamos a falar daqui a 30 anos, ou seja, estamos a falar dos nossos filhos. Isto são coisas urgentes! 

Já há vários Conselhos globais. Como é que criamos algo que não seja dedicado e concentrado nos mais poderosos? 

Temos esse problema. Como no World Economic Forum, é o trabalho dos líderes fazerem negócios e não melhorarem o Mundo. Isto é o trabalho primário dos negócios, alcançar prosperidade de forma progressiva e não resolver os problemas sociais e culturais. Quando temos as pessoas dos negócios a mandar só vamos alcançar tópicos comerciais, precisamos de pessoas além dos negócios. E o mesmo se passa com os políticos, eles nunca tomarão decisões dramáticas, porque precisam dos votos das pessoas. Não vemos a liderança a caminhar para “O Bom Futuro” e tal como a Greta disse: “Os políticos não vão salvar o Mundo”. Temos de começar pelas pessoas e eles juntar-se-ão depois, porque querem os votos e os negócios vêm logo a seguir.  

Temos de exigir diferentes comportamentos, pedir novas motivações e produtos diferentes. E isto já acontece. Vemos as gerações mais novas a querer em carros que não poluam, a interessarem-se por turismo responsável, por dinheiro digital, a quererem mudar o Mundo… E estamos a assistir inclusivamente aos jovens na Europa a não quererem ter filhos porque o Mundo não está bom. Vemos as pessoas com muito pouca esperança.  

Portanto, proponho no meu livro [Tecnologia versus Humanidade, da editora Gradiva], que já tem sete anos, mas parece que foi escrito ontem 

Devíamos ter uma história diferente sobre o futuro, uma nova narrativa que diga que o futuro é bom, só precisamos de tomar as decisões certas hoje, nós temos todo o poder de que precisamos.  

O Capitalismo encaixa nesse futuro? 

Temos de dizer adeus a todas essas velhas palavras. Capitalismo, Comunismo, Socialismo, isso faz parte da História. O que precisamos é de uma lógica económica que se encaixe no futuro e não no passado. Socialismo e Comunismo são ideias úteis, mas fazem fit com o futuro? Capitalismo e o mercado livre criam um bom futuro? É seguro dizer que o antiquado Capitalismo tradicional criou em tempos um bom futuro por um determinado tempo e depois colapsou. Mas o Capitalismo não resolve as alterações climáticas, as desigualdades, nem a IA, porque está preocupado com o propósito do mercado em primeira instância. O princípio de um mercado livre é bom, mas temos de ter mais sabedoria para tomar as decisões certas, que não estejam condicionadas pela simples curva do progresso, de mais dinheiro ou das maiores bolsas de mercado. Al Gore tinha uma expressão, “Capitalismo Sustentável”, o que acho que faz muito sentido, mas não a devemos usar mais. Devemos ter uma Economia baseada nas Pessoas, Planeta, Propósito e Prosperidade, com componentes do Capitalismo e do Socialismo.  

Não faz sentido estarmos a orquestrar e a focar toda a nossa energia no aumento da riqueza de apenas 10% dos mais ricos do Mundo, é isto que está a acontecer, e os restantes 90% estão na mesma ou a verem diminuídas as suas riquezas e pertences. 

Precisamos de um novo Milton Friedman e de uma nova teoria económica. O grande problema de hoje é que cada país tem uma bolsa de mercado baseada numa teoria de há 20 anos. Temos empresas a fazer coisas realmente más, mas a serem altamente valiosas, isto não faz sentido! A empresa mais poderosa do Mundo é uma árabe de petróleo e a segunda a Apple. Devíamos virar isto ao contrário e ter empresas que preenchessem todas as quatro caixas e criarmos uma bolsa de valores. Tenho estado a discutir isso com pessoas na Europa e isto pode ser uma boa ideia para Portugal, uma nova bolsa como a Nasdaq, que seria a Susdaq, apenas com empresas que se preocupam com as Pessoas, Planeta, Propósito e Prosperidade. É muito simples: enquanto não nos preocuparmos com a Economia tudo se mantém difícil. Talvez tenhamos apenas mais 10 ou 20 anos para descobrir a maneira certa de fazer isto. 

A Humanidade está a esgotar o seu tempo? 

Diria que não. Estamos naquele ponto que não nos podemos dar ao luxo de sentar e esperar, porque as alterações climáticas são muito urgentes, a forma como devemos lidar com a IA também, porque mudará tudo e há aqui um problema de controlo. 

A forma como lidamos com os conflitos também. Este Mundo já não vive na Guerra Fria, apenas os americanos e os soviéticos. Este Mundo é multipolar, é a América, a China, a Europa, a Índia, o Brasil, a Rússia e, mais cedo ou mais tarde, África. Lidamos com um Mundo que tem muitas peças que se movimentam e o que temos de fazer é descobrir qual o objetivo comum aos 8 mil milhões para caminharmos para um bom futuro. 

Há uma certa luta para nos estarmos sempre a superar. Onde é que agora nos devemos concentrar? 

Primeiro temos de nos focar na pergunta: Como devemos usar a Ciência e a Tecnologia para fazer as nossas vidas mais sustentáveis? E como resolvemos os nossos grandes problemas? Se usarmos Tecnologia podemos tornar tudo verde e sustentável. Em Portugal há grandes progressos. Como transformamos tudo para ser circular e sustentável? Quais as políticas de que precisamos para tornar algo que seja bom, em geral, justo com as pessoas e o Planeta e que crie propósito e faça com que as pessoas se deem?  

O novo Mundo é fundamentalmente diferente, não é uma extensão do antigo Mundo.  

Por exemplo, se olharmos para o Trabalho é possível que tenhamos apenas de trabalhar três horas pelo mesmo dinheiro, porque temos tecnologia espetacular ao nosso dispor, e assim podemos fazer muitas outras coisas, podemos doar o nosso tempo a combater as alterações climáticas, a escrever um livro, a ser pais, ou o que nos apetecer. Até agora a nossa vida é maioritariamente sobre trabalho, mas isto está a acabar. Isto muda por completo a nossa sociedade. 

E isso é possível ou poderá não passar de uma utopia?

Lemos sobre utopias e não passam de paraísos impossíveis. Isto não vai acontecer, porque a vida nunca será apenas um paraíso. Também vemos nos filmes distopias, como a série Black Mirror, ou o filme Don’t Look Up, independentemente de tudo há sempre um final catastrófico. Mas há uma palavra melhor, a protopia, do Futurista Kevin Kelly, significa que gradualmente melhoramos as coisas, passo por passo até chegarmos a um bom futuro. E isto é mais prático, no sentido de olharmos e querermos criar em conjunto. 

Está a pintar um quadro humanista.  

Não temos grande escolha. Temos a hipótese de nos tornarmos mais tecnológicos e estarmos submersos em tecnologia, tornando-nos super-humanos, fazendo uso do virtual, da IA, da Engenharia Genética. Os nossos filhos vão ser metade humanos metade robots. Isto não é teoria, é possível.  

Ou temos a hipótese de mudar a nossa Economia e construir algo completamente diferente. Se tudo é digital, nós não somos mais humanos, e qual é o objetivo? Para mim não faz sentido tornar-me numa máquina só para ter mais dinheiro, quando perco tudo o resto. Acho que é por isso que o meu livro é tão popular em Portugal, porque há muitos humanistas.

Esta entrevista foi publicada na edição de inverno da revista Líder, que tem como tema The Touch of the Future. Subscreva a Líder aqui. 

TitiAna Amorim Barroso,
Coordenação Editorial


quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

O sorriso da minha mãe e as crianças de Gaza

Por Por Antônio Carlos de Almeida Castro*

 Homem segura criança ferida após bombardeio a campo de refugiado no hospital al-Quds, em Gaza

Homem segura criança ferida após bombardeio a campo de refugiado no hospital al-Quds, em Gaza — Foto: MAHMUD HAMS / AFP
 
“Todos são capazes de dominar a dor, exceto aqueles que a sentem.”
 – Willian Shakespeare

Nunca gostei do Natal. Não me emociono com o clima e muito menos me sinto envolvido pelas histórias que compõem o imaginário desta data que, para muitos, é tão especial. Respeito e faço todo o ritual para estar de acordo com quem realmente vive o espírito natalino. Quando eu ainda era muito jovem, um primo fez questão de me dizer que Papai Noel não existia e essa revelação tirou um pouco a ilusão e a magia. Na época, meu pai estava muito falido e se endividou para comprar presentes para os filhos. Comecei, mais do que nunca, a não entender muito sobre o que realmente era a festa de Natal. Mas minha mãe fez presépios lindos: papel que imitava pedras e cavernas, colocou até um aquário para parecer um lago com peixes e tudo. Nessas horas eu até pensava que meu primo estava brincando comigo e que o Papai Noel ia entrar pela chaminé a qualquer momento. Mas não tínhamos chaminé, o que talvez explicasse a ausência do velho.

A proximidade do Natal, com o frenesim das compras, distanciou-me do sentimento que eu, quase infantilmente, pensava ser o que o puro espírito natalício deveria encarnar. A chegada dos filhos e a velhice da minha mãe transportaram-me para a doce ilusão de uma festa com a sensação de vivenciar o sentimento fraterno que justificava a magia do Natal. Dei por mim a comprar dezenas de presentes para a minha velha mãe e, sem qualquer culpa, gostei muito do acto pouco cristão de a ajudar a abrir as caixas que fiz questão de decorar com laços e fitas.

Seu sorriso foi a coisa mais próxima que ela sentiu e identificou como a presença do menino Jesus. Lembro-me do presépio, em que ela colocou um berço vazio, 30 dias antes da noite do parto, e todos os seus filhos e primos tiveram que colocar um canudo para confortar o bebê quando ele nascesse. Mas só quem fez uma boa ação poderia jogar um canudo. Nesse espírito, o Natal teve uma sensação diferente da troca de presentes.

Para quem acredita, e tem fé, é quase inevitável não pensar no nascimento de Cristo em Belém. Este ano não houve festa na cidade palestina de Belém, na Cisjordânia. No local onde estava sendo construída uma enorme árvore de Natal, estavam expostas uma grande bandeira palestina e um banner: “Os sinos de Natal de Belém tocam para um cessar-fogo em Gaza”.

Contudo, parece que Deus não ouviu o chamado. Na noite de 24 de dezembro, pouco antes da meia-noite, Israel atacou um campo de refugiados em Maghazi, no centro de Gaza, causando mais de 70 mortes. Eram várias mulheres e crianças, como tem sido regra. É um plano de extermínio e genocídio de um povo. Segundo a Organização Mundial da Saúde, 160 crianças são mortas todos os dias em Gaza. Diariamente. Isso significa uma morte a cada 10 minutos. Com números pouco fiáveis, que certamente devem ser muito mais elevados, estima-se que mais de 6.000 crianças palestinianas foram assassinadas pelo exército israelita.

O número de bombardeamentos israelitas em Gaza é o mais elevado de sempre e ultrapassou a ofensiva americana contra o Estado Islâmico. Quase metade das bombas são lançadas sem um alvo específico, não são guiadas. Estas são chamadas de bombas mudas. As violações dos direitos humanitários internacionais são evidentes. E os crimes de guerra estão a acumular-se. É por isso que tantas crianças mortas. É realmente um genocídio.

A manhã desta segunda-feira, 25 de dezembro, conforme noticiado, também foi marcada por violência e sangue: Israel atacou o campo de refugiados de Jenin, na Cisjordânia ocupada, incluindo a cidade de Belém, considerada o local onde Jesus nasceu.

Há um mês, o Estado de Israel comentou eufórico que, até aquele momento, já tinha lançado mais de 12.000 bombas sobre Gaza – um território de 40 quilómetros de extensão, onde vivem mais de 1 milhão de jovens e crianças. Se, hoje, o menino Jesus nascesse de novo em Belém, certamente seria morto num ataque covarde. Israel teria sido capaz de executar o plano de Herodes e não teríamos noites tristes de Natal.

Refiro-me ao poeta Vinícius de Moraes, em Poema de Natal:

“Pois é para isso que fomos feitos:

Por esperança no milagre

Pela participação da poesia

Para ver a face da morte –

De repente nunca mais esperaremos…

Esta noite é jovem; da morte, apenas

Nascemos, imensamente.”

Este texto não representa necessariamente a opinião da CartaCapital.

Advogado

Originalmente publicado em https://www.cartacapital.com.br/opiniao/o-sorriso-de-minha-mae-e-as-criancas-de-gaza/

Fonte: https://aracajuagoranoticias.com.br/kakay-o-sorriso-da-minha-mae-e-as-criancas-de-gaza/

Disfunção erétil e ‘névoa mental’: as 30 ‘condições pós-Covid’ e as novas orientações do Ministério da Saúde

 

Por — Rio de Janeiro

Neste mês, o Ministério da Saúde publicou uma nota técnica com novas orientações para auxiliar profissionais na identificação clínica dos casos conhecidos como Covid longa, ou condições pós-Covid. O quadro é definido como a permanência de sintomas, ou o desenvolvimento de novos, associados ao coronavírus por semanas após a infecção.

A pasta explica que mesmo pessoas contaminadas com formas leves ou assintomáticas podem apresentar o problema, e elenca um conjunto de 30 sinais e sintomas mais frequentes que se prolongam sem causa aparente.

“Dificuldade de concentração e memória, conhecida como névoa cerebral; perda prolongada de olfato e paladar; e alterações cognitivas são os sintomas neurológicos mais comuns. Mas as condições também podem afetar outros sistemas como cardiovascular, respiratório, gastrointestinal, mental, muscoesqulético e geniturinário”, explica o ministério em comunicado.

A pasta esclarece na nota técnica que, embora a maior parte dos casos melhore progressivamente ao longo do tempo, "alguns pacientes podem apresentar condições pós-covid com meses ou até mesmo anos de duração”.

As 30 condições pós-Covid mais comuns

Neurológicas Cardiovasculares Respiratórias Gastrointestinais De saúde mental Geniturinárias Outras alterações
Dificuldade de memória e concentração (“névoa cerebral”) Palpitação Tosse Alterações do hábito intestinal Distúrbios de sono Disfunção erétil Alopecia
Alteração cognitiva Disautonomia Dispneia (falta de ar) Náuseas e dor epigástrica Depressão Alterações menstruais Alterações cutâneas
Cefaleia (dor de cabeça) Dor torácica Taquineia Disfagia Ansiedade
Desordens endócrinas
Perda de paladar Arritmias Dor torácica Refluxo gastroesofágico

Fadiga
Perda de olfato Trombose/coagulopatias



Mialgia

Intolerância ao esforço físico



Artralgia






Alterações na visão

Um dos pontos abordados pelo documento é o critério temporal para a definição de quando são consideradas condições pós-Covid. A nota estabelece que os sinais precisam continuar ou se desenvolver “quatro semanas ou mais após a infecção inicial” e que eles “não podem ser justificados por um diagnóstico alternativo”.

“Essas condições podem melhorar, agravar ou serem recidivantes ao longo do tempo, com a possibilidade de evolução para eventos graves e potencialmente fatais, até mesmo meses ou anos após a infecção”, continua o texto.

Em relação à temporalidade, o Ministério afirma ter analisado a literatura disponível sobre o tema e reconhece que há divergências entre as autoridades de saúde. A Organização Mundial de Saúde (OMS), por exemplo, estabelece que são necessários ao menos três meses de sintomas para se falar em Covid longa.

Porém, a pasta afirma ter seguido as definições dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (EUA) ao estipular o período de apenas quatro semanas, cerca de um mês, e entender que é um prazo “mais sensível para identificação dos casos, tendo em vista que os dados são heterogêneos e pesquisas adicionais estão sendo realizadas”.

O Ministério destaca também que os estudos em andamento buscam estabelecer a prevalência do problema de saúde na população. A OMS trabalha com estimativas de 10% a 20% dos contaminados. Porém há pesquisas indicando resultados mais altos, que chegam a quase a metade das infecções, diz a pasta, que financia uma série de levantamentos sobre o tema.

“As pesquisas e inquéritos de base populacional que investigam a prevalência das condições pós-covid ainda estão em andamento. (..) Entretanto, a Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Complexo da Saúde (Sectics) já consegue fazer uma análise preliminar de cenário com base em estudos avaliados pela área técnica responsável. Foi descoberto, por exemplo, que 40% da amostra de pessoas investigadas apresentou alguma condição pós-covid, com maior concentração no sexo feminino”, diz em nota.

Além disso, o Ministério afirma que a obesidade foi considerada o principal fator de risco para o desenvolvimento da Covid longa, e que os sintomas mais comuns no geral foram dispneia (falta de ar), fadiga e tosse.

Sobre o diagnóstico, no momento não existem testes específicos disponíveis. Por isso, ele se baseia no histórico de infecção pelo paciente, ou pela exposição do vírus, associado a uma avaliação clínica “abrangente e minuciosa”, diz a pasta.

“Exames laboratoriais, de imagem, eletrocardiograma, entre outros, podem ser úteis para auxiliar no diagnóstico. Recomenda-se que, antes de definir uma manifestação como condição pós-covid, se investigue outras razões que podem justificar o quadro apresentado”, continua.

No novo documento, o Ministério da Saúde orienta ainda como evitar o desenvolvimento da Covid longa. Os cuidados são semelhantes àqueles para se proteger contra a infecção pelo vírus em primeiro lugar:

“Além da vacinação contra o vírus, que está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) para todos aqueles que possuem mais de 6 meses de vida, recomenda-se realizar a higiene adequada das mãos, etiqueta respiratória, ventilação adequada de ambientes, evitar contato com casos positivos e uso de máscara em situações específicas para evitar contrair a infecção”. 

Fonte:  https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2023/12/27/disfuncao-eretil-e-nevoa-mental-as-30-condicoes-pos-covid-e-as-novas-orientacoes-do-ministerio-da-saude.ghtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsdiaria