terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Cântico dos cânticos


Salomão

A Sulamita

Não sei bem que sonho tive
Esta noite, que acordei
Sobressaltada, e que estive
Ainda, apalpando a cama
À busca de quem me ama
E a quem amo; não achei;
Levantei-me, rodeei
A cidade toda em roda,
Corri a cidade toda,
Busquei tudo, não achei.
Na rua, pergunto à ronda:
— O meu amante que é dele?
Não há ninguém que responda.
Vou andando; a poucos passos
Vi vir um vulto: é aquele!
Chega e digo-lhe depois
De o apertar nos meus braços:
— Quem se ama como nós dois,
Só em mudando de estado
É que vive descansado.
Anda daí, vamos pois.

O POEMA: Cânticos dos cânticos é um poema de amor escrito por Salomão, filho de Davi, reis de Israel. Ao longo dos séculos, se discute se é um poema de amor humano ou de amor religioso. Pouco importa: qualquer que seja o amor, Salomão o havia experimentado na carne. O trecho acima foi retirado da edição de bolso da Ediouro. (Tradução de João de Deus e José Benedito Cohen).
http://www.correiobraziliense.com.br/impresso/ 20/01/2009

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