quinta-feira, 5 de maio de 2016

“O Novo Ateísmo está caindo em desgraça”


Alister_McGrath 
Alister McGrath, cientista e teólogo, professor de ciência e teologia na Universidade de Oxford, (Belfast, 1953) afirma que os investigadores vão longe demais quando tentam negar a Deus. Ciência e fé são compatíveis enquanto 
uma não interfere na outra, diz ele.
P.: O dogmatismo religioso não lutou contra a ciência durante séculos?
Resposta. A ciência sempre teve de lutar contra os preconceitos religiosos, políticos e sociais. Às vezes, o cristianismo tem sido um obstáculo para o progresso científico, e outras vezes, promoveu-lo. A revolução científica foi iniciada em um contexto cristão, e foi, sem dúvida, encorajado pela ideia cristã de um universo estruturado e organizado. O preconceito e o dogmatismo não vêm só da fé religiosa. Alguns cientistas ateus, como o cosmólogo Fred Hoyle, eram contra a teoria do Big Bang, porque parecia “muito religiosa”. A minha proposta tenta respeitar os limites e olhar para um  diálogo entre fé e ciência.
P.: Você afirma que a história de Galileu foi distorcida, mas há outros exemplos históricos: Bruno, Servet, Vanini.
R.: A representação midiática do caso Galileu como uma luta entre fé e ciência começou como uma questão social, no final do século 19. Galileu foi vítima de uma luta de poder dentro do Vaticano, que estava voltado para o surgimento do Protestantismo. Uma facção do papado apoiou firmemente Galileu, a outra facção não gostava dele. No final, uma das facções ganhou.
P. Você acusa o Novo Ateísmo, defendido por Richard Dawkins, de ser intolerante. Porque você acha isso?
R. Infelizmente, o Novo Ateísmo é tão intolerante e dogmático como o fundamentalismo religioso que eles atacam. A ideia surpreendente de Dawkins de considerar a crença religiosa como “uma espécie de doença mental” indica seus preconceitos, e não é uma análise confiável de crenças. Felizmente, o Novo Ateísmo está caindo em desgraça, e formas mais inteligentes de ateísmo estão surgindo. Muitos cientistas acreditam que Dawkins manchou a ciência com sua cruzada antirreligiosa. A ciência não é religiosa ou anti-religiosa, é apenas ciência. Ela pode ser compatível com o ateísmo, bem como com o cristianismo.
P. O senhor admite que a ciência e a religião são um produto da civilização humana. Se a religião é uma criação humana, como podemos acreditar nela?
R. Todas as nossas idéias são criações humanas, mas isso não significa que temos de invalidá-las. Isso apenas significa que precisamos saber quais são confiáveis. Há uma montanha de literatura científica que mostra que os seres humanos procuram um significado ou uma perspectiva da realidade, que é frequentemente expressa por crenças e práticas religiosas ou espirituais. Isso não as torna verdadeiras ou falsas, apenas lhe tornam humanas.
P. De acordo com Dawkins, a teologia não é uma ciência, e, portanto, não deveria ter lugar nas universidades.
R. Parece que ignorar as idéias cristãs é uma virtude intelectual. É por isso que os cristãos lhe ignoraram como um crítico ignorante que não sabe sobre sua fé. Para mim, uma virtude intelectual encontra-se em estudar, compreender e apreciar uma visão de mundo, mesmo quando acreditamos que é errado. Eu fui ateu, na minha juventude, e eu rejeitei o Evangelho, pelas mesmas razões que Dawkins rejeita. Agora eu vejo que eu simplesmente não entendia o cristianismo, mas eu nunca iria zombar do ateísmo só porque eu não concordo com suas principais crenças.
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Fonte:  http://logosapologetica.com/o-novo-ateismo-esta-caindo-em-desgraca/#axzz47ErId5VC

Um comentário:


  1. Para ampliar esta complexa discussão:
    http://saudepublicada.sul21.com.br/2015/08/24/trajetoria-ateista-de-sigmund-freud-1856-1939-4/

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