segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Ziraldo e a língua afiada...

Ziraldo critica 'Flipinha' e educação no país durante Bienal


DA REDAÇÃO - Convidado para falar sobre o tema Pequenos Leitores, Grande Literatura neste domingo (15) na 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, o criador do Menino Maluquinho, Ziraldo, voltou a criticar o convite recebido para participar da Flipinha, o espaço educacional da Feira Literária Internacional de Paraty (Flip) de 2010, da qual ele se recusou a participar. "Quem escreve para criança, tem muito zelo pelo que faz. Não gosto do diminutivo, Flipinha. Chega para a J.K. Rowling e a chame para a Flipinha para ver se ela vem", sugeriu, referindo-se à autora dos livros de Harry Potter.

Ziraldo também criticou a educação no país, chamando as reformas realizadas no ensino brasileiro de "burras". Para ele, os alunos, em seus primeiros anos na escola, não estão aprendendo o básico, como o significado das palavras. "Como ensinar objeto direto e indireto para uma criança de 9 anos se ela não sabe o que é objeto? Que fração é pedaço? Acabaram com o ensino básico e fundamental, e os meninos estão chegando analfabetos na universidade", analisou.

De acordo com ele, para entrar na faculdade, o candidato deveria passar por apenas uma prova, a de redação, e nesta, deveria ter que responder a apenas três questões: quem é você, o que faz aqui e o que acha de seu país. "De mil, eu conseguiria selecionar dez", disse.

Ziraldo também falou da educação dentro de casa, com os pais não permitindo que os filhos cheguem perto do computador antes de adquirirem o gosto pela leitura. "O livro é o pretinho básico. As moças sabem bem disso. Primeiro tem que ter o pretinho básico para depois você colocar tudo o que pode por cima".

Com relação à sua obra-prima, Ziraldo afirmou que o Menino Maluquinho não irá crescer, como aconteceu com a Turma da Mônica de Mauricio de Sousa, agora na versão jovem. "Adoro o Mauricio, mas ele se move pelo marketing. Eu faço livro para mim. Não estou interessado em vender mais do que vendo", disse, explicando que, em 30 anos de Maluquinho, ainda não conseguiu escrever, nos quadrinhos, todas as aventuras que um menino pode passar. "Não cabe na vida dele tanta aventura. Não tem sentido ele crescer", afirmou, brincando logo em seguida com um personagem de Monteiro Lobato. "Imagine a Emília com 60 anos? Que velha chata ela iria ficar".

Nem o locutor oficial da feira, cuja voz de meia em meia hora se sobrepõe à dos convidados, foi polpado das críticas. "Que cara mais chato! Vou matar esse cara", soltou o escritor, que mostrou estar, como sempre, não só com a língua afiada, mas bem soltinha. Ao explicar o porquê de ter resolvido arrumar um namorado para a fada dos contos infantis em seu livro Namorado da Fada ou O Menino de Urano, Ziraldo revelou: "Eu, quando era menino, tinha sonhos eróticos com a Sininho. Minha vontade era comer a Sininho. E ela não tinha namorado. Era uma irmã Paula".
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Por Luciana Quierati, Portal Terra

Jornal do Brasil online - 15/08/2010

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