sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Fidel Castro: ‘O modelo cubano já não funciona nem para nós mesmos’

La Jornada *
Por David Brooks

Imagem da Internet

O modelo cubano já não funciona "nem para nós": Fidel Castro.
Com esse comentário, o comandante abre espaço para a aplicação de reformas.
Estados Unidos poderá participar na abertura da ilha por sua "política hipócrita" do embargo, assinala Jeffrey Goldberg, correspondente da revista The Atlantic, que entrevistou ao líder da revolução.
Fidel Castro, ao responder à pergunta sobre se ainda valia exportar o modelo cubano, afirmou: "o modelo cubano já não funciona nem para nós mesmos". Na segunda parte de uma entrevista concedida a Jeffrey Goldberg, correspondente da revista The Atlantic, Castro surpreende ao jornalista com essa afirmação, e também com um convite para acompanhá-lo a ver os golfinhos no aquário, entre outras coisas. Goldberg convidou a uma das mais reconhecidas especialistas sobre Cuba e sobre a América Latina, Julia Sweig, do Conselho de Relações Exteriores, para acompanhá-lo à entrevista com Castro, e conta que lhe pediu que interpretasse essa afirmação.
Sweig considerou que Castro "não estava rechaçando as ideias da Revolução. Eu vi isso como um reconhecimento de que, sob o ‘modelo cubano’, o Estado tem um papel muito grande na vida econômica do país", e também, talvez, para abrir espaço para que seu irmão, Raúl, possa implementar reformas econômicas. Goldberg assinala que agora que Cuba começa a adotar algumas das ideias que os Estados Unidos demandam por longo tempo, ou seja, um setor privado significativo, e investimento, a piada é que os estadunidenses não poderiam participar na abertura devido à "política hipócrita e estupidamente autoderrotante do embargo".
Goldberg foi convidado a viajar a Havana por parte de Fidel após publicar um artigo sobre a crescente possibilidade de um conflito armado entre Israel e Irã. Na primeira parte de sua reportagem publicada ontem, Castro reitera sua preocupação com a forma pela qual esse conflito poderia facilmente tornar-se um confronto nuclear com os Estados Unidos. Instou o líder do Irã a reconhecer a história do povo judeu e a evitar o antissemitismo, e adverte que Israel não pode obter sua segurança até desfazer-se de seu arsenal nuclear. A primeira entrega, como esta segunda, foi publicada no site da revista The Atlantic, que publicará também a entrevista em sua versão impressa. O restante da reportagem sobre sua visita com Fidel, nessa segunda entrega, está dedicado a descrever o "surpreendente" convite ao aquário, onde houve outra surpresa: o encontro com Celia Guevara, filha do Che.
Goldberg conta que Castro os convida a ver o espetáculo dos golfinhos no aquário de Havana, proclamado pelo comandante como o melhor do mundo. Goldberg lhe informa que tinham um encontro com Adela Dworin, presidenta da comunidade judaica cubana, e Castro lhe diz que a convidem também e vão todos (Castro saúda afetuosamente e beija a Dworin, algo que novamente surpreende a Goldberg, como aconteceu com sua denúncia do antissemitismo reportado na primeira parte da entrevista).
Ao chegar para ver o espetáculo no qual três nadadores realizam acrobacias com os golfinhos, Castro lhe apresenta a Guillermo García, diretor do aquário e diz a Goldberg que pergunte ao diretor sobre os golfinhos; o jornalista responde que ‘tipo de perguntas’ pode fazer, ao que Castro lhe responde: "és jornalista, faça boas perguntas" e agrega que García não sabe muito sobre golfinhos já que é físico nuclear. García o confirma.
"Por que o senhor dirige o aquário?", pergunta Goldberg; porém, Castro é quem responde: "O colocamos nesse cargo para evitar que construa bombas nucleares", e cai numa risada. Ao continuar a entrevista supervisionada por Castro, García chama a veterinária do aquário para responder a uma pergunta. É Celia Guevara, filha de Che Guevara. Antonio Castro, filho de Fidel, que está em toda essa aventura, explica que "o Che gostava muito de animais".
Depois do espetáculo, desfrutado imensamente por Castro, Goldberg confessa que Fidel tinha razão: é o melhor espetáculo de golfinhos que o repórter já viu (e explica que, como pai de três filhos, já viu a muitos). Goldberg informa que fará outra entrega nos próximos dias na qual abordará temas como o bloqueio, a religião em Cuba, os dissidentes políticos e a reforma econômica.
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* Diário mexicano
Tradução do Adital 09/09/2010

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