Célia Siqueira Farjalatt*
O futuro já começou. Tudo quanto sonharam os pioneiros de outros tempos realizou-se tão depressa e tão bem que superou todos os nossos devaneios. E o que os cientistas sonham hoje acontece de modo tão inesperado que, ao ser divulgado e atingir as massas, já foi superado por outro invento ou outro conceito mais moderno. Isto em todas as áreas do conhecimento.
Muitas vezes os cientistas parecem profetas ou videntes, criaturas que procuram levantar a cortina que separa o presente do futuro.
A ficção científica tem tantos apreciadores que se transformou, segundo a frase de Diether Stolze, na meteorologia do futuro, enquanto a estatística se rivaliza com a astrologia.
A humanidade quer saber como será o mundo do futuro. Esta tendência não é só de nossa época. Em medos do século passado houve em Nova York um singular Congresso de Profetas. Não se tratava de reunião de feiticeiros ou de bruxos, como as que tem havido regularmente na Inglaterra. Mas de economistas, técnicos e cientistas, abrangendo todos os ramos do saber humano.
Os participantes do singular congresso esboçaram um quadro fascinante no futuro: nada de privações, fomes, angústias. O homem, pelo processo de fotossíntese, aprenderia a obter alimentos diretamente dos raios solares ou pela energia atômica. Os engenheiros do futuro profetizaram o poder ilimitado do homem sobre a natureza, e a automatização em seu mais elevado grau. Bem, nem tudo se concretizou.
Hoje muitas parcelas da humanidade morrem de fome. Crianças, principalmente. Mas os bons profetas anunciaram uma superprodução de alimentos, quase todos sintéticos, feitos em laboratórios. Métodos de esterilização tornariam duráveis, imperecíveis os alimentos todos. E as algas serviriam de forragem aos animais e de alimento aos homens. Sem uma boa saúde, de nada serviriam os fantásticos progressos da ciência. Por isso, nossos cientistas lutam para diminuir os acidentes, os riscos de emoções descontroladas, do estresse.
A duração da vida humana está sempre aumentando, devido aos progressos da ciência, da medicina e da higiene. E em nossos dias já tornou-se corriqueiro o grande número de transplantes salvadores de vidas. Modernas técnicas podem transformar uma velha senhora em uma jovem senhora. Querem ainda mais os cientistas: tornar o homem imortal, o que aliás constitui um velho sonho da humanidade. E quem viver ainda muitos e muitos anos, talvez veja realizado este fantástico sonho.
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* Célia Siqueira Farjalatt, cronista do Correio, escreve nesta página às segundas, quintas e sextas
Fonte: Correio do Povo online, 04/11/2010
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