terça-feira, 8 de novembro de 2011

Acumuladores compulsivos –uma nova patologia psíquica

Raymundo de Lima*

Documentários da TV Discovery-Home & Health e do site Terra apresentam uma série de reportagens sobre acumuladores compulsivos: pessoas cujo apego excessivo pelos objetos sentem-se impedidas de jogálos no lixo, doá-los ou dar-lhes outro destino. Trata-se de uma patologia psíquica onde o ego é dominado pelo consumismo de coisas, sem limites e sem consciência de estar fazendo do ambiente um lugar intransitável, sujo, feio, insalubre.
O ego toma lugar do sujeito que perdeu o autocontrole para organizar e selecionar objetos. As coisas passam a dominar a vida dessas pessoas, que parece fazer sentido apenas para adquirir compulsivamente mais coisas, e jamais se libertar delas. Começa enchendo um quarto, depois outro, a sala, cozinha; uma pessoa comprou outra casa apenas para estender seu domínio de acumulação infinita. Uma mãe perdeu a guarda das filhas menores; a acumulação compulsiva provoca separação conjugal, afastamento dos familiares e revolta nos vizinhos. Também existem acumuladores de bichos (Animals hoarderi) de estimação em residências, geralmente são movidos pela paixão aos animais ou pela compaixão deles em estado de abandono ou maltratos. Embora exista uma linha tênue entre o estilo acumulador compulsivo e o estilo colecionador, esse último pode estar do lado da sanidade, porque ainda que o colecionador seja compulsivo – para adquirir selos, carrinhos, carros, borboletas, bonecas e bonecos, games, bichos de estimação, etc. – ele tende a organização dos objetos, calcula o espaço e
valores. Já os acumuladores compulsivos são incapazes de organizar o seu espaço de convivência; na verdade, eles perderam o autocontrole para adquirir ou não se desfazer das coisas, que, no fundo, são
investimentos simbólicos alheios a sua consciência.

Ponto de vista psicanalítico
Os acumuladores compulsivos sofrem de neurose obsessiva, cuja fixação anal os aprisiona tanto na ambivalência como na dúvida entre a ideia e o ato. Os principais mecanismos de defesa do ego são “o
deslocamento do afecto para as representações [ideias] mais ou menos distantes do conflito original, isolamento, anulação retroactiva” (LAPLANCHE; PONTALIS, 1970). Wilhem Reich (1979), no seu livro “Análise do caráter”, considera que esta condição de vida pulsional “anal” funda neles um “caráter compulsivo”, ou seja, os impulsos de acumulação não faz distinção entre egodistônico e egossintônico, porque a econômica de sua libido foi reduzida a tais impulsos. Reich observa que raramente encontramos caráter compulsivo entre estadistas, mas com frequência toma conta dos cientistas, artistas, professores, donas de casa, enfim, pessoas cujo trabalho é compatível com o traço obsessivocompulsivo, avareza, minuciosidade, a tendência para a ruminação de ideias e acumulação de coisas ou de suas representações simbólicas fixado na fase anal.
A pessoa com este traço de caráter e patologia psíquica, ao mesmo tempo, tem consciência de que acumulam, mas não consegue “tomar à consciência” sobre os motivos que a obriga ruminar ideias ou
acumular coisas (recalque); elas se sente “empurrada” para adquirir coisas e “anestesiada” para se desfazer delas. Ser empurrada e anestesiada funda um jeito de ser impotente, sem autonomia existencial,
e “parasita” (QUILES, 1986, p.80). Esses dois mecanismos lhe causa danos ao seu habitat, aos relacionamentos familiares e a si próprio.
Como já foi dito, os acumuladores sentem atraídos para adquirir (não necessariamente comprar) coisas sem necessidade objetiva, úteis e inúteis (como caixa de isopor, copos, roupas, cadernos, objetos quebrados, guardanapos, ferramentas, etc.). O impulso de comprar é determinado por desejos poderosos de muitos acumuladores, que, no fundo, anseiam com sua compra diminuir uma ansiedade ou
causar um certo estado de prazer no ato.
Muitos objetos comprados não são retirados da embalagem, portanto, não se trata de comprar para usar, mas apenas o prazer-gozo do ato. Parece uma criança guiada apenas pelo puro desejo de ter. Porque suportar escolhas objetivas e desfazer “coisas” inúteis exige mais que cálculo racional, educação da razoabilidade entre o sujeito e os objetos. Assim, “os representantes pulsionais [presente nessas atitudes] procuram descarregar sua catextia nos objetos encontrados fora de si, consiste em impulsos carregado de desejo” (Freud apud GARCIA-ROZA, 1983, p.182).
Precisamos, aqui, distinguir necessidade e desejo. Não existe necessidade física ou real do compulsivo comprar ou adquirir coisas, ainda que ele justifique um dia precisar de uma caixa descartável, roupas,
papel higiênico, bugigangas de 1,99, como fórmula preventiva pessoal para umagrande crise de fabricação destes produtos ou uma impossibilidade econômica de comprá-los. Trata-se, portanto, não de necessidade, mas de desejo de ter, que como tal jamais será “satisfeito”. O reconhecimento do desejo jamais pode ser “satisfeito”, mas pode ser “realizado”ii por meio de “desvios ou de uma perversão da ordem natural (biológica), é umaconquista do ser humano adulto e sadio” (GARCIA-ROZA, op.cit., p. 144 – negrito nosso).
O objeto do desejo é sempre uma falta e não algo que propiciará uma satisfação, porque ele “é a nostalgia do objeto perdido”, ou como diria Agostinho “o desejo é a presença de uma ausência”(apud GARCIA-ROZA, op.cit., p. 145).
No caso específico dos acumuladores, temos seres humanos assujeitados do desejo infantilizado, cujos objetos são sem nome, porque são “coisas”. Os colecionadores adquirem objetos (nomes) que faltam na linha de seu desejo, mas os acumuladores adquirem coisas (sem nomes).
Tal como Sísifo trabalha para cumprir uma pena, sem esperança de reconhecimento e sem limite de tempo para por fim ao seu suplício; o acumulador se entrega ao trabalho de evitar ser adulto que como tal enfrenta escolhas, inevitáveis perdas, separações e frustrações. Um filósofo pré-socrático já apontava que ser adulto é aprender a suportar frustrações. Então, parece que os acumuladores ainda não souberam fundar uma ética do desejo, própria do mundo adulto e sadio. Até medidas impostas pela justiça tem se revelado insuficientes para reverter o modo de ser dos acumuladores compulsivos.
Mesmo assim, o doente continua sua vida de Sísifo, carregando sua “pedra existencial” de acumular novamente em outra residência, geralmente sozinho. A psicoterapia in loco parece ser a solução de tratamento, iremos considerar mais à frente. Todavia, a resistência para aceitar a psicoterapia deve ser considerada, porque estes pacientes não se vêem como doentes. Às vezes, ficamos sabendo de um caso
assim depois da morte do doente. Isso mesmo. Só depois da morte de uma vizinha é que soube ser uma acumuladora de objetos novos e lixo no seu pequeno apartamento, situado ao lado do meu consultório de psicanálise, em Botafogo, Rio de Janeiro. A senhora vivia sozinha no seu pequeno apartamento, não recebia visitas em casa, conversava pouco conosco e sempre no corredor, de modo que ninguém do prédio sabia ser ela uma acumuladora compulsiva. Foram três dias para sua irmã e profissionais contratados selecionarem os objetos aproveitáveis. O cheiro ruim era indescritível. Sua irmã acompanhava o serviço dos homens contratados para o serviço, demonstrando certa vergonha. Ao entrar no recinto não sabíamos onde a mulher dormia, porque até em cima da cama havia pilhas de
objetos e lixos.

A perspectiva sociologizante e o ponto de vista psicanalítico
Minha intenção, aqui, não é fazer uma análise sobre o contexto sócio-cultural ou político em que ocorrem os casos de acumuladores compulsivos, mas somente apontar duas tendências analisadoras dos
acumuladores compulsivos. A tendência sociologizante denuncia o capitalismo, que “escolhe” determinadas pessoas para serem acumuladoras compulsivas. É uma boa hipótese para ser investigada e academicamente debatida. Mas, pergunto-me se o capitalista sintonizado com a economia globalizada
extrai mais-gozar em acumular coisas em vez de desfrutá-las? Evidentemente que os capitalistas tradicionais sustentam um “mais-gozar” (uma mais-valia psíquica) através do ato de acumular bens, dinheiro/capital, poder, prestígio, etc. Mas parece que a o capitalista pós-industrial, made in superego pós-moderno (ZIZEK, 1999), determina: “goze”, “desfrute”, “você pode!” fazer acontecer na realidade
do dia-a-dia como na realidade virtual e turística. Ainda, existe outras formas de domínio do capital pós-industrial: o controle e gozo da circulação da informação, a produção de conhecimento científico e tecnológico e de sujeitos insaciáveis e movidos pela obrigação de adquirir prazer a qualquer custo.
Um dos quatro discursos, elaborado por Lacan, é denominado “discurso capitalista”. Seu efeito é a produção de sujeitos insaciáveis em sua demanda de consumo (QUINET, 2002 ). Ou seja, o sistema capitalista produz sujeitos inadimplentes, em eterna busca de pagar uma dívida com seu sintoma neurótico. Portanto, além de produzir consumistas compulsivos, o capitalismo também produz endividados de toda ordem: pessoas que se rendem ao fascínio dos produtos e as facilidades de adquiri-los sem calcular sua capacidade financeira-econômica.
Imaginando-se sujeitos terminam se assujeitando ao imperativos de gozo proporcionados pelo consumismo. Sua educação não o preparou para discernir o que necessita, demanda ou deseja; também
não o prepara para fazer autocrítica enquanto sujeito responsável por suas escolhas. Pelo contrário, o ego preparado apenas para funções defensivas, não tem autonomia de decisão principalmente nas
situações emergenciais em que precisa decidir com consciência. Talvez o mecanismo do ego mais utilizado nessassituações é a projeção e a racionalização: projeta-se a culpa no sistema sádico, da publicidade sedutora, da pressão dos colegas, amigos e familiares para adquirir o que ele não pode. Racionalizamos ou justificamos para nós mesmo sempre que não conseguimos certos ganhos de ordem
material ou simbólico.
Sucede que no caso dos compulsivos o sintoma “acumular-acumular” ou “guardarguardar” parece ter a seguinte lógica: um dia poder pagar uma divida imaginária. Então, aqui, parece existir distinção no ato:
(a) do capitalista (que sabe administrar sua fortuna, usá-la em gozo próprio (inclusive para fins de filantropia); (b) dos doentes do consumo produzido pelo discurso capitalista (que se alienam no processo de compra compulsiva, a retenção, não usufruem das coisas guardadas, mal-estarem relação às dívidas). Portanto, a compulsão de acumular-guardar denuncia um vazio existencial que jamais será
preenchido por objetos materiais. Do outro lado desta compulsão patológica está ocolecionador que, embora também compulsivo, procura extrair prazer real nos seus achados, para aumentar e valorizar
sua coleção disto ou daquilo. Isto é, enquanto o colecionador segue um traço do seu caráter que lhe faz sentido existencial, o acumulador compulsivo é perseguido por um sintoma que ele não dá mais conta,
cujo resultado é uma patologia que causa danos em si próprio e em torno de dele, como se fosse uma metástase projetada no ambiente cujo insight é sempre procrastinado.
Vale ainda acrescentar que para a psicanálise os sintomas neuróticos obtêm dois tipos de ganhos ou benefícios: o benefício primário e o benefício secundário. O benefício primário faz do sintoma uma ‘realização’ libidinal substitutiva, sendo o melhor investimento do capital do sujeito. Cair doente, diz
Freud, envolve uma economia de esforço psíquico. A doença psíquica é uma maneira de se fazer economia: é a solução mais conveniente quando há conflito mental. Ficar doente é invariavelmente a obtenção de alguma vantagem. É a “fuga para a doença” (QUINTET, 1991, p.100-1).
Ao adquirir coisas sem sentido e sem cálculo de sentido o doente não acumula objetos baseado no registro da necessidade, mas sim, tal acúmulo se situa no registro do benefício secundário da doença (Freud), ou na terminologia lacaniana: é determinado no “mais-gozar” de ter, ter, ter. O benefício secundário da neurose obsessiva concerne à redução do sujeito ao seu sintoma funciona como corpo estranho (ou hóspede indesejável, segundo outra metáfora utilizada por Freud), mas em seguida o sujeito ‘assujeitado’ acaba encontrando meios de tirar ainda mais vantagem dele, além da satisfação
pulsional que o sintoma proporciona. O benefício secundário do sintoma neurótico compulsivo de acumular sempre está, portanto, direta e explicitamente vinculado por Freud à questão do dinheiro (QUINET, 1991, p.100).
Nós e os outros

Vale observar também que, no fundo, todos nós guardamos coisas e objetos: há os objetos que necessitamos, outros que adquirimos como relíquia para adoração. (Qual é o motivo, ou sentido, alguém manter no quarto a camisa de um time de futebol que ganhou de presente de um grande jogador? Porque muitas mulheres acumulam sapatos comprados por compulsão?). Os pesquisadoresiii guardam
livros, revistas, jornais velhos, salvam no computador centenas de artigos, guardam documentos, etc. (Porque os homens geralmente acumulam documentos, contas pagas, artigos de jornais e revistas, livros?).
Lembro-me de um personagem do livro “Auto de fé”, de Elias Canetti, que é viciado em acumular livros na sua biblioteca particular. Um dia Kien contrata uma mulher ignorante para administrar sua
casa, mas compulsiva por limpeza e organização do meio ambiente insalubre. Ela joga fora os livros e expulsa seu dono da casa. O bibliófilo Kien dá um jeito de formar outra biblioteca, continuando assim
a sua vida aprisionada à compulsão de adquirir livros, e não exatamente de lê-los.
Minha geração de esquerda, da década de 1970, comprava todos os livros sobre marxismo, socialismo e tudo que revelasse as maravilhas imaginávamos existir nos países socialistas, principalmente da União Soviética. Muitos destes livros comprados jamais foram lidos, estudados e discutidos. Lembro-me que odiei um livro de Soljentisin, porque o autor desmascarava nossa utopia socialista.
Atualmente existem mães acumuladoras de brinquedos, roupas e livrinhos dos filhos. O apego a estes objetos está associado ao investimento afetivo: objeto X filho/a naquela idade. Ou seja, por influência
cultural, ideologia, modismo ou afeto, muitos desenvolvem inconscientemente compulsões cuja explicação está para além da dimensão consciente e da vontade controlada do sujeito.
Podemos considerar os “guardadores” (pesquisadores e mães) do lado dos colecionadores, porque parecem “bons” neuróticos: criam critérios conscientes para não perder sua condição de sujeito da
coleção. Já os acumuladores seriam neuróticos obsessivo-compulsivos, porqueperderam a dimensão de sujeito pelo sintoma automatizado na conduta do maisgozar de adquirir e acumular ‘tudo’ e terminar sentindo-se culpado e infeliz.

Possibilidades de prevenção e “cura”

Nos programas televisivos e da internet citados no início deste ensaio são contratados psicoterapeutas para visitar as casas de pessoas que sofrem de casos severos de acumulação (hoarding). Sua função primeira é estabelecer um contato de confiança com o doente. O segundo passo é investigar porque estas pessoas deixaram se levar por tal comportamento excêntrico, isto é, porque perderam sua condição de sujeito de escolha. Terceiro, o psicoterapeuta elabora alguns procedimentos para o tratamento deste transtorno mental, geralmente de orientação cognitivista. Quarto, o trabalho da psicoterapia é associado ao trabalho de outro profissional expert em organização de ambientes. Os conhecimentos de psicologia e experiência de sucesso com tais transtornos psíquicos fazem com que o
trabalho terapêutico seja realizado a três: paciente, psicoterapeuta e organizadora.
Portanto, é uma tarefa complexa e árdua ajudar as pessoas se desfazerem dos objetos desnecessários, gradativamente. Por exemplo, um deles demonstra grande apego aos artigos de jornais e revistas
impressos acumulados em pilhas pela sala de estar, escritório, quarto. Durante a terapia ele deixa transparecer uma intensa luta subjetiva para escolher os papéis que podem ir para o lixo e os que devem ser escaneados para o arquivo do computador, uma solução de compromisso encontrada
pela psicoterapeuta. Um outro caso relata o sofrimento dos três filhos adultos que, para sobreviver à bagunça da casa, abandonaram a mãe acumuladora. É frequente casos em que os familiares tiveram que ou se isolar numa parte da residência ou procurar sobrevivência para longe da bagunça. Não se trata apenas de sobrevivência psíquica e corporal, mas também de não suportar ver o doente fora do autocontrole. Paradoxalmente, cada um destes neuróticos obsessivos resistem ao tratamento. Cabe
aos profissionais (psicoterapeuta e organizadora) usar o melhor do seu tato clínico, experiência e paciência, para saber como levá-los a elaborar o luto dos objetos investidos de simbolismo e afeição. Os profissionais devem ser respeitosos para com o paciente em processo de desacumulação, pois se trata de dar-lhes um suporte para enfrentar perdas e separação de coisas externas e subjetivas.
Nos casos relatadas, foram necessários alguns meses de psicoterapia cognitiva focada no transtorno acumulativo. Ainda, o processo psicoterapêutico também devetrabalhar na prevenção, porque existe
sempre o risco de o sujeito retornar ao estado compulsivo de acumular coisas, isto é, depois de ele ter vivido uma fase com o ambiente reorganizado. Assim, surge um novo estilo de fazer psicoterapia que, primeiro, acontece na própria residência do doente (a tradição psicoterapêutica e psicanalítica acontece no consultório particular, clínicas e hospitais); segundo, consiste em levá-lo a encontrar a causa de sua obsessão pelo adicionamento e evitação das perdas de tantos objetos (inclusive embalagens bonitinhas que devem ir para o lixo); terceiro, o psicoterapeuta também trabalha com uma profissional organizadora do espaço, portanto, ambos investem para o doente voltar a ser sujeito das suas escolhas e retomar o controle de sua vida; quarto, o tratamento e prevenção são duas faces da mesma moeda do processo psicoterapêutico, que não garante uma cura definitiva.
Apesar de afetar quase 4% da população mundial, a acumulação compulsiva é um transtorno pouco explorado pelas pesquisas científicas, e ainda não há critérios estabelecidos para diagnosticar esta
patologia psíquica. A forma mais adequada de tratar os acumuladores consiste em fazê-los tomar
consciência de que o desapego aos objetos inúteis é essencial para levarem uma vida normal. Os psicoterapeutas afirmam que, não basta limpar suas casas, já que após a terapia eles podem voltar a acumular de forma descontrolada. O procedimento é levar cada doente ao duplo trabalho: o trabalho psíquico de se recordar e conversar sobre a história e simbolismo deles, portanto, trata-se de um processo doloroso, com alto risco de desistência e de retorno à compulsão de acumular-acumular
pra nada; o trabalho objetivo de se desfazer dos objetos, gradativamente. Este trabalho também depende da disposição física ou somática, porque ele deve também escolher, pegar, retirar, jogar, e reorganizar o ambiente em que vive.
Muitos demonstram esgotamento físico e psíquico com essa tarefa, e uma reação previsível é a explosão de raiva e revelações de ressentimentos acumulados.

Referências

DISCOVERY-HOME&HELTS. Acumuladores compulsivos. Sistema Net, 2011.
GARCIA-ROZA, L. A. Freud e o inconsciente. Rio de Janeiro: Zahar, 1983.
LAPLANCHE, J. & PONTALIS, J-B. Vocabulário da Psicanálise. São Paulo: M. Fontes, 1970.
QUILES, M. I. Neuroses. São Paulo: Ática, 1986.
QUINET, A. 4 + 1: condições da análise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1991.
QUINET, A. A ciência psiquiátrica nos discursos da contemporaneidade. In: Psicanálise,
Capitalismo e Cotidiano. Goiânica: Germinal, 2002. Tb.: http://egp.dreamhosters.com/EGP/161-
a_ciencia.shtml
REICH, W. Análise do caráter. São Paulo: Martins Fontes, 1979.
TERRA. Compulsivos. Disponível em: http://terratv.terra.com.br/videos/busca/compulsivo s.htm
ZIZEK, S. O superego pós-moderno. In: Folha de S. Paulo – Mais! 23/ maio/ 1999: 5-8.
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*RAYMUNDO DE LIMA é Mestre em Psicologia (Psicologia Social) pela Universidade Gama Filho
e Doutor em Educação pela Universidade de São Paulo. È professor do Departamento de Fundamentos da,Educação na Universidade Estadual de Maringá (DFE/UEM).

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