sexta-feira, 29 de agosto de 2014

CORRIMÃO

Ruy Carlos Ostermann*
A maior virtude da velhice é o corrimão. Há muitos corrimões, de vários tipos, mas é, indefectivelmente, um objeto básico: serve para que a gente suba ou desça escada, e também, relativamente, à insegurança. O corrimão é uma invenção suplementar. Eu imagino que primeiro tratou-se de subir ou descer e depois, e só depois, como é sempre, tratou-se de ter alguma segurança nesse ato, porque é fácil cair de uma escada, tanto subindo quanto descendo, e o corrimão surgiu como um apêndice indispensável. Ele corre pelo lado - corrimão -, é alguma coisa da mão e é alguma coisa que se desdobra, se desenvolve, e em consequência é um anexo da escada.

As escadas podem ser de todos os tipos. Há escadas como a do Niemeyer, em Brasília, num dos prédios famosos, em que não tem corrimão. É uma rampa simplesmente, ou são rampas, e aquilo é uma coisa atemorizadora para as pessoas. Faz uma mudança extraordinária, dá a impressão de que se está entrando em um palácio. E penso que era a ideia, mas um palácio no qual se subisse por si mesmo e se corressem os riscos daí decorrentes.

O corrimão é também antigo. Eu não me lembro de que alguém tivesse falado em corrimão antes que eu me lembrasse de que existia essa figura. Eles são até artísticos, trabalhados em madeira, com cores que sempre lembram a madeira autêntica e, mais do que isso, colocados de modo a ser um apêndice indispensável de recantos da casa, de subidas de andares e de deslocamento das pessoas. O corrimão é importantíssimo por isso, e ele, necessariamente, se coloca como uma das conquistas do homem. Uma conquista silenciosa, que poucos dão importância, mas antes do elevador nunca ouve nada igual ao corrimão, e nem o elevador substitui o corrimão. O elevador simplesmente faz com que o corrimão seja mais lento, mas não mais bonito, nem mais simpático, nem muito menos relativo aos odores, aos prazeres e às alegrias da casa.

O corrimão não é uma invenção. O corrimão passou a ser uma virtude. A virtude dos melhores lugares.
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* Cronista. Escritor. Jornalista
Fonte:  http://www.encontroscomoprofessor.com.br/colunas.php?ano=2014
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